Munir vai apoiar quem tenha compromisso com Volta Redonda e com a região

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Falando abertamente 

Em longa entrevista exclusiva ao aQui, o deputado estadual Munir Neto foi categórico: “Meu passado e meu presente são os maiores fiadores da maneira como pretendo continuar exercendo a política”, disparou, ao ser indagado sobre como espera conquistar os votos necessários à sua reeleição para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio. Munir também confirmou sua disposição de votar em
Douglas Ruas para governador do Estado. Quanto ao voto para a presidência da República, Munir desconversou. “Quero avaliar todas as opções apresentadas ao eleitor”, informou.
Leia a seguir a íntegra da entrevista com Munir, candidato a deputado estadual pelo PSD.    

 

aQui: O senhor é contra ou a favor do envio de emendas parlamentares?

Munir Neto: Sou a favor. A emenda parlamentar é um instrumento importante para fazer o recurso público chegar onde a população precisa, desde que todo o processo seja conduzido com transparência, responsabilidade e diálogo. Por meio das emendas que destinamos, conseguimos contribuir para a recuperação de escolas estaduais em toda a região, aquisição de viaturas e equipamentos para a Polícia Militar e compra de equipamentos hospitalares que hoje ajudam a salvar vidas. É recurso público voltando para a população em forma de serviço e investimento.

 

aQui: O senhor concorda com a tese de que o envio de emendas coloca os prefeitos fluminenses sob dependência política dos parlamentares, para tocar projetos e obras em seus municípios?

Munir: Não concordo. Pelo menos não é essa a relação que procuro construir com os prefeitos. Quem foi eleito para comandar uma cidade tem legitimidade, responsabilidade e força política próprias. A emenda deve servir para ajudar o município e atender à população, nunca para transformar prefeito em refém de deputado. Nem consigo imaginar, por exemplo, um prefeito com a experiência e o peso político do Neto aceitando esse tipo de relação. Deputado e prefeito podem ser parceiros, mas cada um deve preservar sua independência e, principalmente, respeitar a população que representa.

 

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aQui: Se o senhor tivesse que enviar uma emenda para uma única obra em alguma cidade no Sul Fluminense nos próximos quatro anos, qual seria a obra?
Munir: Se realmente tivesse de escolher apenas uma, eu começaria ouvindo os prefeitos e as lideranças da região. Escolher sozinho contrariaria aquilo em que acredito: o parlamentar precisa dialogar e compreender onde o recurso público pode produzir maior benefício. Mas, se tivesse de apontar imediatamente uma prioridade, buscaria um investimento de caráter regional, especialmente na área da saúde, como o fortalecimento do Hospital Regional ou de outra estrutura capaz de atender moradores de várias cidades do Sul Fluminense. Se o recurso é limitado, devemos buscar o maior alcance possível.

 

aQui: O senhor abriria mão de indicar uma emenda se soubesse que o projeto pode atender mais aos interesses políticos do prefeito ou de um grupo do que ao interesse público?
Munir: Sem dúvida. Emenda parlamentar é dinheiro público e precisa atender ao interesse público. Antes de destinarmos um recurso, procuramos avaliar seu alcance, sua necessidade e o benefício que ele poderá proporcionar à população. Se ficar demonstrado que determinado projeto atende prioritariamente a interesses particulares ou político-eleitorais, não há razão para colocar dinheiro público nele. Transparência, responsabilidade e resultado para a população precisam estar acima de qualquer conveniência política.

 

aQui: Qual promessa o senhor vê outros candidatos fazendo nesta eleição que considera impossível de cumprir?
Munir: Prefiro não fazer campanha avaliando promessa de adversário. Quero ser cobrado pelas minhas. Posso mostrar o que fizemos: ajudamos a levar asfalto para centenas de ruas, avenidas e estradas, incluindo a Roma-Getulândia; trabalhamos para trazer e ampliar o Segurança Presente em Volta Redonda e em outras cidades da região, além do Bairro Presente; destinamos investimentos para escolas, saúde e assistência social. O Batalhão de Ações com Cães era um sonho antigo e ajudamos a tirá-lo do papel, assim como trabalhamos pela implantação do Batalhão Ambiental. Enquanto alguns temas aparecem apenas no discurso, procuro transformá-los em ações concretas. O eleitor está cada vez mais preparado para comparar aquilo que é promessa com aquilo que efetivamente foi realizado.

 

aQui: Qual problema do Sul Fluminense depende diretamente da Assembleia Legislativa (Câmara) e que os deputados da região não conseguiram resolver até hoje?
Munir: Não acredito que os grandes problemas do Sul Fluminense possam ser resolvidos exclusivamente pela Alerj. O Legislativo tem um papel fundamental: criar leis, fiscalizar, destinar recursos, cobrar soluções e ajudar a construir políticas públicas. Mas segurança, saúde, educação, mobilidade e geração de empregos exigem a participação dos municípios, do Estado, da União e da própria sociedade. O papel do deputado é fazer a região ter voz, recursos e atenção dentro desse processo. É isso que procuro fazer.

 

aQui: Qual político fluminense o senhor considera superestimado?
Munir: Não acho que me cabe dar nota para outros políticos. Quem faz essa avaliação é a população, principalmente nas urnas. Prefiro gastar meu tempo mostrando meu trabalho e permitindo que o eleitor faça a comparação. A política já tem confronto demais; precisamos de mais resultado.

 

aQui: O senhor tem acompanhado os trabalhos na Alerj (Câmara)? Cite três boas leis aprovadas recentemente que estão sendo úteis para a população. Cite também outras três leis que têm tudo para não ‘vingar’ ou que sejam inúteis.
Munir: Acompanho porque faço parte desse trabalho e prefiro falar das leis que conheço profundamente e pelas quais posso responder. Entre as iniciativas que apresentei estão o Estatuto da Pessoa com Doença Rara, voltado à proteção das pessoas com doenças raras e de seus familiares; o Programa Coluna Reta, para prevenção, diagnóstico e tratamento da escoliose entre alunos da rede pública; o Programa Sorriso Saudável, com atendimento odontológico para idosos acolhidos em instituições; o Cartão do Saber, que prevê auxílio para aquisição de livros físicos e digitais por estudantes da rede estadual; e o Programa Policial Militar Mirim, voltado à cidadania, direitos humanos, segurança e saúde de crianças e adolescentes. Também trabalhamos pela regularização de imóveis ocupados por templos religiosos de diferentes denominações, sem fins lucrativos.
Quanto às leis que considero inúteis, prefiro estabelecer um critério em vez de simplesmente citar colegas: lei boa é aquela que pode sair do papel, tem aplicação prática e melhora a vida das pessoas. Projeto criado apenas para produzir manchete, sem possibilidade real de execução, precisa ser analisado com muito cuidado.

 

aQui: Cite três projetos de lei que o senhor pretende apresentar caso seja eleito.
Munir: Tenho três áreas que considero fundamentais para o próximo mandato. A primeira é a proteção do setor produtivo e dos empregos do Sul Fluminense, especialmente diante dos desafios enfrentados pela indústria. A segunda é a segurança pública, fortalecendo programas que deram resultado e criando melhores condições para os profissionais que estão nas ruas protegendo a população. E a terceira é ampliar políticas sociais que funcionam, principalmente para idosos, pessoas com deficiência, pessoas com doenças raras e famílias em situação de vulnerabilidade. Quero transformar essas prioridades em projetos construídos com quem vive os problemas, para que sejam leis possíveis de executar e capazes de produzir resultado.

 

aQui: O senhor tem coragem de sair a pé, com sua família, à noite por Volta Redonda, Barra Mansa ou Resende, as três principais cidades da região? Cite dois lugares aonde iria sem medo de violência.
Munir: Tenho e faço isso. Continuo frequentando normalmente as cidades da região, inclusive acompanhado da minha família. Em Volta Redonda, por exemplo, vou tranquilamente à Vila Santa Cecília ou ao Aterrado. Mas não quero usar minha experiência pessoal para dizer que o problema da segurança está resolvido. Não está. Segurança pública exige investimento permanente, presença policial, inteligência e prevenção. Por isso trabalhamos tanto para ampliar programas como o Segurança Presente e o Bairro Presente e para fortalecer a estrutura das forças de segurança na região.

 

aQui: O senhor tem divulgado ‘dobradinhas’ com vários políticos, batendo de frente com a campanha da Aciap-VR que defende o voto útil em chapas com candidatos apenas de Volta Redonda. O que o levou a tomar tal decisão?
Munir: Respeito a posição da Aciap-VR e considero legítimo todo movimento que procure fortalecer a representação de Volta Redonda. Ao mesmo tempo, vamos construir parcerias com pessoas que ajudaram ou que assumiram o compromisso de ajudar nossa cidade e nossa região. Passamos os últimos quatro anos sem um representante de Volta Redonda na Câmara dos Deputados e, nesse período, contamos com o apoio de parlamentares de outras cidades para viabilizar recursos e projetos importantes. Portanto, existe também uma questão de reconhecimento e reciprocidade. Meu compromisso é apoiar quem tenha compromisso verdadeiro com Volta Redonda e com o Sul Fluminense.

 

aQui: Em quem o senhor vai votar para governador? Para senador? E para presidente?
Munir: Para governador, estamos com Douglas Ruas. Para o Senado, com Pedro Paulo e Marcos Dias. Em relação à Presidência da República, ainda vamos analisar o cenário. Quero avaliar todas as opções apresentadas ao eleitor, e não reduzir essa decisão antecipadamente a apenas duas candidaturas.

 

aQui: Como analisa os recentes escândalos envolvendo políticos, eleitos ou não, tanto no estado do Rio quanto em Brasília?
Munir: Lamento profundamente. Cada novo escândalo prejudica não apenas os envolvidos, mas a confiança das pessoas na própria política. Ao mesmo tempo, isso aumenta minha responsabilidade de olhar meus eleitores nos olhos, pedir o voto e mostrar o que fiz durante o mandato. Em toda a minha trajetória pública, procurei agir com honestidade e respeito ao dinheiro público. Como o prefeito Neto costuma dizer, podemos até cometer erros, porque ninguém é infalível, mas não podemos falhar no caráter e na honestidade. Esse é um princípio do qual não abro mão.

 

aQui: Ainda sobre o tema escândalos: por que o eleitor deve confiar que, caso seja eleito, o senhor não irá se envolver em situações como as investigadas?
Munir: Porque tenho uma trajetória pública que pode ser examinada. Fui secretário de Ação Comunitária em Volta Redonda e também em Angra dos Reis, acumulo cerca de 20 anos de atuação na vida pública e exerci um mandato de deputado estadual sem envolvimento em escândalos ou acusações dessa natureza. Não peço que ninguém confie apenas na minha palavra. Peço que olhe meu passado, minha conduta e aquilo que fiz quando tive responsabilidade sobre recursos e decisões públicas. Meu passado e meu presente são os maiores fiadores da maneira como pretendo continuar exercendo a política.

 

aQui: Por que acredita que o eleitor deve votar no senhor e não no seu adversário?
Munir: A eleição proporcional tem uma característica diferente: existem vários candidatos e cabe a cada um mostrar por que merece representar a população. Quero pedir o voto pelo trabalho que realizamos e pelo que ainda podemos fazer. Foram investimentos em segurança, saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais, além de recursos destinados aos municípios da região. Ser o candidato apoiado pelo prefeito Neto é motivo de orgulho, porque represento um grupo político que tem como princípio cuidar das pessoas e entregar resultados. Mas também quero ser avaliado pela minha própria trajetória e pelo meu mandato. Tenho experiência, disposição e vontade de trabalhar ainda mais pelo Sul Fluminense e pelo Estado do Rio. É com trabalho realizado e compromisso com o que ainda precisa ser feito que peço a confiança do eleitor.