Em pouco mais de dois meses, no Brasil serão realizadas eleições para a Presidência da República, os governos estaduais e os vice-governadores; para dois cargos no Senado, para os 513 deputados federais e 1.049 deputados estaduais e distritais.
Nada há a comemorar. Tudo começa pela manutenção dos vícios de sempre. Os caciques definem quem vai concorrer e quanto receberá de verba pública, sem qualquer participação efetiva do cidadão.
A maioria concorrerá à reeleição, por dois mandatos consecutivos, para os cargos executivos e sem limitação para os cargos proporcionais e para o cargo de senador. Depois das eleições, os derrotados voltam à velha cantilena de defender o fim da reeleição.
As convenções nunca passaram de mera formalidade, referendando as escolhas de uma ou, no máximo, de três pessoas. Se não desde o início da história das eleições, há décadas o roteiro é o mesmo. O atual presidente define a própria candidatura e dita quem serão seus candidatos nos estados. Nos demais partidos, o processo não é diferente.
Depois das meras formalidades das convenções, segue-se o jogo proforma, com as promessas de sempre. Elas se repetem até mesmo para quem pleiteia o quarto mandato, como se estivesse debutante disputando o primeiro.
Por parte de quem já exerce cargos há décadas, não há uma análise sobre suas realizações nem sobre a persistência de problemas sociais crônicos, que parecem nunca ter sido, ao menos, minimizados.
Em 2024, fiz um recorte de manchetes de jornais sobre as condições sociais dos brasileiros. Não parece haver nenhuma esperança, e qualquer escolha seria justificável quando se tem mais de 500 anos de política tradicional, que resultou num legado de 6 milhões de pessoas sem banheiro, 33 milhões sem água potável, 100 milhões sem saneamento básico, 23 milhões convivendo sob domínio absoluto do crime organizado ao seu lado, 11% de analfabetos absolutos, que não reconhecem um “ó”, além de, há trinta anos consecutivos, o número de assassinatos ultrapassar 40 mil por ano.
Caso fosse num país desenvolvido, o partido que tivesse governado por vinte anos pediria desculpas à população pelos indicadores sociais do fracasso, reconheceria o que deixou de fazer, não lançaria candidato a cargo algum e muito menos se apresentaria como alternativa viável para mudar aquilo que não conseguiu melhorar quando esteve no poder.
As campanhas fecham esse ciclo de mediocridade. Não se discutem projetos realistas, nem se promove um debate baseado em informações precisas sobre o que foi realizado ou sobre quais ações serão efetivamente implementadas para resolver os problemas sociais.
Toda a campanha se resume a apontar quem tem o passado mais nebuloso, quem falou ou deixou de falar determinada frase. A população já está cansada desse tipo de disputa. Mas, ainda assim, como somos uma sociedade totalmente omissa, vamos ter de escolher obrigatoriamente entre acusados de “rachadinhas” ou o chefe dos “mensalões, petrolões e descontões” contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
E como nada é feito para aumentar o senso crítico do eleitor, a consciência política de hoje é similar à dos anos setenta. Comparo sempre o papel do eleitor ao de um sapo em um círculo de cobras venenosas: o dia da eleição é o dia em que o sapo resolve sair do cercado. Só tem o direito de escolher com qual veneno morrerá.
Pedro Cardoso da Costa
“Não há democracia onde o voto é obrigatório”
Idadismo: definição, formas explícitas e implícitas
O idadismo, também chamado de ageísmo ou etarismo, refere-se a estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias baseadas na idade. De acordo com a OMS, ele ocorre quando a idade é utilizada para categorizar e dividir pessoas de forma a gerar desvantagens, injustiças ou exclusão, afetando tanto indivíduos mais velhos quanto mais jovens, embora atinja com maior frequência as pessoas idosas. Esse fenômeno pode se manifestar em diferentes níveis, individual, interpessoal e institucional, e envolve dimensões cognitivas (estereótipos), emocionais (preconceitos) e comportamentais (discriminação), podendo ocorrer de forma explícita ou implícita.
As formas explícitas são aquelas conscientes e facilmente reconhecíveis, como negar oportunidades de trabalho com base na idade, usar linguagem depreciativa ou excluir pessoas idosas de espaços sociais e decisões.
Já as formas implícitas são mais sutis e muitas vezes naturalizadas, ocorrendo de maneira inconsciente, como infantilizar pessoas idosas, assumir incapacidade sem avaliação individual, falar mais alto ou mais devagar sem necessidade, ou acreditar que envelhecer significa necessariamente declínio e dependência.
O idadismo na educação pode se manifestar de forma explícita ou sutil no cotidiano escolar, influenciando práticas, discursos e relações. Muitas vezes, ele não é percebido como preconceito, pois está naturalizado em expressões, atitudes e estruturas institucionais. Reconhecer exemplos concretos é fundamental para identificar e transformar essas práticas.
Na linguagem, o idadismo aparece em expressões que associam a idade a limitações, como comentários que reforçam a ideia de que pessoas mais velhas são “desatualizadas”, “lentas” ou menos capazes de aprender. Também se manifesta na infantilização, quando adultos mais velhos são tratados com diminutivos ou com um tom inadequado, ou ainda em piadas e generalizações que reforçam estereótipos negativos. No ambiente escolar, esse tipo de linguagem pode ocorrer tanto entre estudantes quanto entre profissionais, influenciando a forma como o envelhecimento é percebido.
Nas atitudes, o idadismo pode se manifestar na desvalorização de professores ou profissionais mais velhos, na resistência a suas contribuições ou na suposição de que não acompanham mudanças pedagógicas ou tecnológicas. Também pode aparecer na forma como estudantes se referem a pessoas idosas ou na ausência de iniciativas que promovam o contato e o diálogo entre gerações. Essas atitudes impactam diretamente o clima escolar e contribuem para a reprodução de preconceitos. Viver o idadismo sem os preconceitos e práticas discriminatórias.
Prof. Dr. Inácio José do Vale, PhD.
Profissional de saúde mental
Especialista em Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria
Especialista em Psicologia Clínica pela Faculdade Dom Alberto-RS.
Especialista no Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Dr. Edmundo Ulson – Araras-SP.
Autor do livro Terapia Psicanalítica: Demolindo a Ansiedade, a Depressão e a Posse da Saúde Física e Psicológica
