segunda-feira, junho 27, 2022
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Mistério a sete chaves

Diretores da siderúrgica se reuniram com padres e bispo de Volta Redonda para falar sobre acordo salarial, demissões e eleições sindicais

Os boatos de sexta, 13, dando conta que diretores da CSN e do Sindicato dos Metalúrgicos estariam reunidos em algum lugar da cidade do aço para tratar das negociações do acordo coletivo de 2022, que foram negados pelas duas partes, ficaram no ar por cerca de 72 horas. Só morreram na manhã de segunda, 16. E, surpresa geral, coube à assessoria de imprensa do Bispo D. Luiz Henrique, através do padre Rafael Ferreira, informar a alguns jornais (menos ao aQui) que o líder católico teria recebido representantes da CSN. “A assessoria de imprensa da Diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda confirma que na última sexta-feira, dia 13 de maio, o senhor Bispo diocesano, na companhia do Monsenhor Alércio de Carvalho, se encontrou com outros dirigentes da Companhia Siderúrgica Nacional. Com essa reunião deu-se continuidade aos diálogos que tem objetivo de colaborar no avanço das negociações entre a Companhia Siderúrgica Nacional e aos seus trabalhadores”, escreveu o padre, sem citar o nome do bispo e, principalmente, sem dizer o motivo que o levou a redigir o documento.
O padre também não deu detalhes da reunião do bispo com os representantes da CSN. Mas o aQui descobriu que ela ocorreu na manhã de sexta, 13, e contou com a presença do diretor de RH da siderúrgica, Leonardo Abreu, e do diretor Executivo de Produção da Usina Presidente Vargas, Milton Picinini. “Foi uma reunião geral, de cortesia”, contou uma fonte do aQui, indo além. Tentou minimizar a importância do encontro. “O bispo é relativamente novo na cidade”, disse, ignorando que o líder católico está à frente da Diocese desde maio de 2019. “Com o atual diretor de RH, foi a primeira vez”, rebateu.
Mais realista, a fonte reconhece que a direção da CSN decidiu procurar o líder católico depois que ele soltou uma nota oficial criticando o empresário Benjamin Steinbruch e a postura da CSN em não atender às reivindicações da oposição sindical e, principalmente, por ter promovido várias demissões. “Teve aquele momento, lá atrás, onde ele (o bispo) fez uma nota sobre o movimento”, detalhou, confirmando ainda que a CSN é quem teria provocado o encontro. “Eu não sei exatamente os termos que foram discutidos, mas penso que indiretamente o ‘momento atual’ foi discutido”, pontuou a fonte, pedindo anonimato.
Ela tem razão. É que uma segunda fonte ouvida pelo aQui confirmou que o encontro foi pedido pelo diretor de RH da CSN, Leonardo Abreu. “Pouca gente da empresa sabia disso. Do sindicato, ninguém sabia”, disparou. “Foi uma reunião mais protocolar”, afirmou. “O objetivo é manter o bispo (D. Luiz Henrique) informado das negociações e mostrar que a CSN não está inflexível em nenhum ponto. A CSN, apenas, insiste que o canal de negociação é o sindicato. Tem que ser assim”, sentenciou.
As duas fontes só não souberam – ou não quiseram – dizer se Leonardo levou a lista total dos demitidos durantes os atos de protestos contra a siderúrgica. “Levou?”, indagou o aQui. “Não, não”, respondeu a fonte. “E o bispo perguntou quantos seriam os demitidos?”, retrucou o jornal. “Não, não”, finalizou a fonte. Deveria. É que o aQui descobriu que o número de demitidos pode ter chegado a 200. Ou seja, nem 9, como a CSN informava, nem 120, como a oposição sindical garantia. Foram mais, muito mais. “Demitiu quem mostrou a cara nos protestos”, disparou uma terceira fonte, aproveitando para frisar que as demissões estão dentro da lei. “Nenhuma delas foi por justa causa. Foi pelo interesse da empresa, como ocorre no mundo capitalista”, finalizou.

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