…lagoas também

Roberto Marinho

O projeto MapBiomas – que mapeia o uso do solo no Brasil, já há cerca de três décadas, sempre usando imagens de satélites – mostrou recentemente que o país perdeu 15% de sua superfície de água desde o início dos anos 90. A principal causa é a derrubada de florestas. Mas a especulação imobiliária também tem sua parcela de culpa. Como exemplo, o fim da Lagoa do Belvedere, que existia na entrada do bairro.
Também usando imagens de satélite – e um aplicativo gratuito disponível na internet –, o jornal mostrou que em 2004 a lagoa tinha 3 mil metros quadrados (74 metros de comprimento por 40 metros de largura), e foi perdendo espaço ao longo dos anos, até praticamente desaparecer 15 anos depois – a partir de 2019.
A área pertence ao grupo do empresário Mauro Campos Pereira, proprietário do Portal da Saudade. Entre as razões para o fim do corpo d’água estão as obras de construção de uma nova entrada para o cemitério e de uma rotatória na Rodovia dos Metalúrgicos. A especulação fazia sentido. Na época, fontes ouvidas pelo aQui garantiram que o grupo empre-sarial iria negociar a área por algo em torno de R$ 20 milhões. O patriarca da família chegou a confessar ao aQui que havia um grupo multinacional francês interessado em comprar a área, onde a lagoa existia.
O fim da lagoa gerou polêmica entre os moradores do bairro e o Inea acabou embargando a obra do ‘seu Mauro’, que só teve a liberação para construir o acesso ao cemitério e à rotatória. A lagoa e os riachos que a alimentavam viraram uma poça de lama na beirada da Rodovia dos Metalúrgicos. Um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre o empresário e o Inea previa a recuperação da área, de alguma forma. Só que até agora nada foi feito. Outra lagoa, ver foto, existente do outro lado da rodovia – sentido Dutra – segue pelo mesmo caminho… Do cemitério, pois já está agonizando e ninguém aparece para salvá-la.

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