Funcionários das empresas modulares da Volks, em Resende, estão às voltas com as eleições da Comissão dos Trabalhadores, previstas para acontecer na segunda, 17. Sete candidatos concorrem ao pleito. Um deles seria o favorito da atual diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos e teria até o apoio dos RHs das empresas, o que é vetado pela lei trabalhista. Em mensagens pelos grupos de WhatsApp, ameaçam boicotar as eleições e denunciar o caso para a direção da Volks, na Alemanha.
Em prints encaminhados ao aQui, os operários chegam a revelar o nome do candidato de Edimar Miguel e pedem que os colegas não votem nele. Tem mais. Dizem que ele não poderia participar da eleição por possuir advertências em sua ficha de trabalho. “A punição sumiu”, denunciaram, indo além. “Fizeram uma reunião com o diretor jurídico do Sindicato, com os sete candidatos e ainda com gente do RH da ACK/ AETHRA. O diretor do Sindicato teria dito que a comissão existe apenas para arrumar chuveiro e bebedouros, e nada mais, sendo que nunca foi desta forma. Ela sempre participou das negociações. Só que o RH não disse nada ao contrário. Concordou com o diretor”, reclamaram.
Os operários também enviaram fotos de um documento da Comissão Eleitoral para a formação da Comissão dos Trabalhadores, assinado por cinco representantes. Dois deles seriam do Sindicato dos Metalúrgicos e um seria da empresa citada. Pelo Sindicato, assinaram Edson Dias Barbosa Junior e Leandro Ribeiro Vaz Neto. “A interferência é muito grande. Mesmo sendo proibida em lei, eles estão participando. O trabalhador vai sair prejudicado. A empresa apoia o candidato do Sindicato, e ele vai fazer o que o Sindicato mandar”, lamentaram.
Uma nova mensagem, em formato de boletim, circulou entre os grupos de WhatsApp. Nela, a diretoria do órgão é chamada de ‘pelega’, lamentando que o Sindicato dos Metalúrgicos não teria agido contra a Volks no episódio de demissão de um trabalhador acometido de doença funcional. “Estão tão preocupados em eleger gente deles na Comissão de Trabalhadores da Volks que permitiram que um colaborador com uma doença ocupacional fosse demitido pela empresa. Ninguém fez nada (…) onde foi parar o médico do trabalho que o Sindicato contratou”, publicaram.
O informe traz ainda uma crítica ao banco de horas das empresas modulares, aprovado pelos trabalhadores em fevereiro. “Aceitaram a suspensão dos contratos de trabalho sem nenhuma garantia de emprego. Pelo menos no passado, os empregos tinham garantia provisória. Não é a primeira vez que essa diretoria pisa na bola com os trabalhadores modulares. Em março, aceitaram o banco de horas sem nenhum questionamento e agora aceitam uma proposta (de suspensão dos contratos) sem a garantia do emprego”, reclamaram.
O aQui tentou contato com o Sindicato dos Metalúrgicos, através de um e-mail enviado ao diretor Leandro Vaz, mas não obteve qualquer resposta até o fechamento desta edição. O jornal também tentou contato por telefone com a empresa ACK/AETHRA, mas ninguém atendeu.
Demissões
Ainda sobre as empresas modulares da Volks, os trabalhadores denunciaram e a imprensa chegou a publicar que mais de 200 operários teriam sido demitidos após a suspensão dos contratos de trabalho. Pelo que o aQui apurou, de fato ocorreram demissões na empresa de logística Júlio Simões (JSL), mas ela não pertence ao consórcio modular. É uma terceirizada que atende à Volks e que não participou do acordo envolvendo a suspensão dos contratos de trabalho. “A suspensão começa a valer a partir de maio”, disse.
