quarta-feira, dezembro 1, 2021
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Inimigo invisível

Vírus já alcançou quase todos os municípios da região e prefeitos ditam novas regras

Nunca foi tão difícil fazer reportagens em tempos de coronavírus. Os dados coletados no ato da apuração já não são mais os mesmos no momento da publicação da matéria. É preciso atualizar constantemente. Os números não param de crescer e a situação vai ficando cada vez mais preocupante. Falamos em números, mas por trás dessa conta há uma história, um médico exausto, um paciente fragilizado, outro recuperado, uma família atemorizada, e em alguns casos vizinhos preconceituosos.

A cada novo caso confirmado, os governos endurecem as medidas protetivas. Samuca, Rodrigo Drable, Bruno da Silva, Ailton Marques e Ednardo Barbosa, prefeitos de Volta Redonda, Barra Mansa, Quatis, Porto Real e Pinheiral, respectivamente, querem fechar seus municípios. Quem entrar e sair vai precisar comprovar vínculo. Na contramão, porém, aparece o governador Witzel, que flexibilizou a quarentena para 30 cidades fluminenses que não ainda não registraram casos da doença. A medida é tida por epidemiologistas e sanitaristas como extremamente perigosa. Para eles, ela pode espalhar a doença pelo estado inteiro.

A flexibilização da quarentena excluiu vários municípios do Médio Vale Paraíba. Nem Rio Claro, que até o fechamento desta edição não havia registrado um caso sequer da doença, foi incluído na listagem de Witzel. A explicação é simples: o município, faz limite com Barra Mansa e Angra dos Reis, e este último registrou um óbito e pelo menos quatro casos confirmados da doença nas últimas semanas. Vassouras aparece na lista de Witzel, mas o município que é colado a Mendes e a Valença, não compõe o grupo de 12 cidades do Médio Vale Paraíba.

A semana, a exemplo das anteriores, foi de notícias ruins na região. Em Volta Redonda, Samuca anunciou três óbitos em hospitais da cidade, sendo um deles confirmado para coronavírus e os outros dois aguardando resultados. Uma das vítimas era vizinho dos pais de Samuca – um senhor de 59 anos que viu o prefeito crescer. Quatis anunciou os dois primeiro casos confirmados da doença. Um deles é de uma funcionária do Samu de Volta Redonda. A mulher está em isolamento e passa bem. Porto Real também surpreendeu ao anunciar o primeiro caso confirmado da doença. Trata-se de uma criança de quase dois anos de idade.

Resende e Barra Mansa também anunciaram aumento de casos. Em Barra Mansa, a CDL lançou uma campanha defendendo a reabertura do comércio, mas, por falta de apoio, acabou enfraquecida. Aliás, as entidades empresariais de Volta Redonda e Barra Mansa bem que tentaram pressionar Samuca e Rodrigo a reduzir as medidas   de isolamento e a autorizar a abertura do comércio em geral. O pedido não foi atendido. E a quarentena foi prorrogada por mais 15 dias.

Situação dos Hospitais

Segundo dados apurados pelo jornal até o último dia 7, a situação dos hospitais de Volta Redonda e Barra Mansa era a seguinte: três pacientes internados no Hospital das Clínicas (antigo Vita), sendo 1 na UTI em ventilação mecânica e outros dois na enfermaria; No Hospital Regional, o número de internados com suspeita da doença superava o de qualquer outro hospital. Seriam 60 pacientes, muitos da Baixada Fluminense, sendo que 11 deles estariam no CTI em situação grave com ventilação mecânica e três em ar ambiente. Detalhe: uma fonte garante que o Regional já registrou duas mortes de pacientes com a Covid-19. No Hospital da Unimed, até o dia 7, um paciente teria morrido pela Covid e tinha outro internado no CTI em ar ambiente.

No Hospital do Retiro, administrado por uma ONG, um paciente ficou internado na enfermaria em ar ambiente e no Hinja, também foi registrada uma internação, porém no CTI com ventilação mecânica. Em Barra Mansa, até o dia 7, o Hospital Santa Maria mantinha um paciente internado em ventilação mecânica. Estima-se que mais de 30 profissionais de saúde de toda a região encontra-se em isolamento por terem contraído Covid-19.

Em Barra do Piraí, por exemplo, os três casos confirmados da doença no município são de profissionais de saúde, sendo um casal de médicos, de 43 e 45 anos, e uma técnica de enfermagem de 32 anos. Em Quatis, um dos pacientes que testou positivo seria funcionário do Samu de Volta Redonda. Na cidade do aço, mais de 10 médicos da Unimed teriam testado positivo para a Covid-19. Em Resende uma carta aberta de uma ginecologista revela que ela e o marido, também médico, foram infectados. Em Barra Mansa, há registro de médicos que atuam em Porto Real e que também deram positivos para Corona-vírus.

Nesta edição, mostraremos, em resumo, a situação do Coronavírus nas principais cidades da região. Confira.

Volta Redonda

Cidade com maior número de casos na região, Volta Redonda fechou a semana (até quinta, 9)  com 84 casos confirmados; quatro óbitos (sendo que três aguardam confirmação) e pelo menos 602 casos suspeitos. A semana na cidade do aço começou com Samuca em cima de um carro de som, percorrendo ruas do centro e da periferia apelando para que as pessoas ficassem em casa. Não foi atendido. À noite uma equipe da GM esteve no Vila Rica/Tiradentes para dispersar uma multidão que, vejam só,  fazia um churrasco na pracinha do bairro.

Na terça, 7, Samuca anunciou a morte suspeita de um senhor de 59 anos, que estava internado no Hinja. Era vizinho dos seus pais. “Fiquem em casa, por favor”, pediu mais uma vez. Na quarta, 8, um novo caso: desta vez, o de um bebê de apenas 26  dias, chocou a população. Além dela, outras duas crianças, de 1 e 5 anos, também foram infectadas. Nas lives diárias, Samuca não cansa de pedir que a população pare de circular pela cidade. Mas, resolveu retomar as atividades do Restaurante Popular, o que levou dezenas de idosos a pegar o marmitex que passou a ser entregue (ver foto). Prometeu ainda distribuir cestas básicas às famílias necessitadas que se inscrevessem por telefone junto à Smac. Detalhe: eram tantos querendo se inscrever que o telefone só ‘dava ocupado’.

Samuca se envolveu ainda no polêmico decreto do governador Witzel, assinado para impedir a circulação dos ônibus intermunicipais entre Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e cidades da região, da capital e da baixada. Samuca foi a favor, Rodrigo Drable, prefeito de Barra Mansa, esperneou e o decreto foi mudado. Mudado para pior. Acabou suspenso por determinação da Justiça Federal que determinou ao Estado se abster de promover a locomoção, circulação e transporte de pessoas e veículos em território fluminense, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Os ônibus, portanto, podem circular livremente. Até que o caso chegue ao STF, e vai chegar.

Barra Mansa

A situação é bem menos preocupante do que Volta Redonda. No total, até o fechamento desta edição, Barra Mansa tinha contabilizado apenas 16 casos confirmados da doença. Tem mais. Felizmente sem nenhum óbito. É por essas e outras que a CDL tem pressionado o prefeito Rodrigo Drable a liberar o funcionamento do comércio e a adotar o isolamento vertical a partir da próxima segunda, 14.

Quatis

Colada em Porto Real e com saídas apenas para Minas Gerais e Barra Mansa, a pequena cidade de Quatis registrou os dois primeiros casos do coronavírus na terça, 7. Um dos pacientes é uma profissional de saúde que trabalha no Samu de Volta Redonda, e provavelmente foi infectada por um médico que testou positivo e estava assintomático. O outro paciente é um homem acamado, cuja família está cumprindo corretamente a quarentena, e por isto mesmo a vigilância epidemiológica de Quatis acredita que ele tenha pegado a doença de um enfermeiro que faz os curativos nele (home care). A mulher está em casa, isolada, e passa bem. O homem está hospitalizado, mas seu estado de saúde é estável.

Depois dos resultados positivos, o prefeito Bruno da Silva resolveu fechar as entradas da cidade e anunciou que o município adquiriu dois respiradores para o Hospital São Lucas. Sobre os acessos ao município, eles estão sendo monitorados pela Guarda Municipal e quem entra ou sai precisa comprovar necessidade de circulação. O município tem ainda três casos suspeitos aguardando resultado dos exames pelo Lacen-RJ.

Pinheiral

A cidade registrou até quinta, 9, dois casos da doença. O primeiro foi há 10 dias e a paciente é uma profissional de Saúde que trabalha em um hospital de Volta Redonda. A mulher, cuja idade não foi revelada, chegou a ficar internada, mas já teve alta e encontra-se em isolamento domiciliar. O segundo caso foi anunciado pela prefeitura de Pinheiral na segunda, 6, e é de uma senhora de 76 anos. Ela foi atendida em um hospital particular da cidade do aço, não chegou a ficar internada e cumpre isolamento em casa. O teste rápido desta paciente foi realizado de forma particular e o resultado encaminhado ao Lacen-RJ. Por isto, a secretaria de Estado de Saúde não reconheceu, ainda, este caso. Para que entre nas estatísticas do estado é necessário a contraprova do Lacen-RJ.

Porto Real

A primeira suspeita de coronavírus em Porto Real surgiu em fevereiro. A paciente, na verdade, era de Floriano – distrito de Barra Mansa – e esteve em viagem pela Itália. O caso dela foi registrado em Porto Real pelo fato de a mulher ter buscado atendimento médico no único hospital da cidade, mas foi encaminhado para Barra Mansa para acompanhamento epidemiológico no município vizinho. Esta semana, porém, Porto Real registrou o primeiro caso local. O paciente é uma criança de quase 2 anos, que esteve internado em um hospital de Volta Redonda, mas já está em casa, em isolamento com os pais, irmãos e demais parentes que tiveram contato com ele.

Logo que soube do caso, o prefeito Ailton Marques determinou que as entradas de Porto Real fossem monitoradas e o acesso de moradores de outras cidades fosse restrito. “Do total de 10 entradas do município, apenas cinco permanecerão abertas, sendo que nestes pontos haverá barreiras sanitárias para checagem de sintomas de covid-19 em quem entra na cidade”, avisou. O tráfego de carretas, caminhões e ônibus de funcionários de empresas do Polo também passou ser restrito a determinados trajetos para evitar a circulação de pessoas de cidades com maior número de casos, como Volta Redonda e Barra Mansa. As medidas começaram a valer a partir da última quinta, 9.

Resende

A princesinha do Vale, como Resende é conhecida, registrou até a última terça, 7, sete casos da Covid-19. Os dois últimos foram confirmados no início da semana e são de pacientes que estão internados em hospitais particulares do município. Dos sete, há informações que pelo menos 4 são médicos que atuam tanto em Resende quanto no Rio de Janeiro. Segundo o prefeito Diogo Balieiro, o primeiro paciente positivo de Resende encontra-se curado da doença. O paciente teve alta e já teria retornado às suas atividades normais.

Barra do Piraí

O município de 94 mil habitantes tem 42 casos suspeitos da doença e confirmou o terceiro caso de coronavírus no dia 7. A paciente é uma mulher de 32 anos que trabalha em um hospital de Volta Redonda. Segundo a secretaria de Saúde local, ela está bem, em isolamento domiciliar. Os dois primeiros casos no município seriam de dois médicos que também trabalham na cidade do aço. O homem teria  43 anos e a mulher teria 45, e os dois estão isolados e em casa.

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