Ida e volta

Os números da Covid-19 não param de subir em Volta Redonda. Sorte é que os óbitos ainda são os mesmos dos últimos dias: apenas  7, fora outros três  que aguardam resultados dos exames. Os casos suspeitos chegaram a 800 e, segundo informações do prefeito Samuca Silva, outros 379 foram descartados. Os números do coronavírus confirmados na tarde de ontem, sexta, 17, chegaram a 174, ou seja, 12 a mais que na quinta, 16.

Na live – com direito a um novo buzinaço, sem grande intensidade como os demais -, Samuca confirmou que esteve no Ministério Público para tratar da reabertura ou não do comércio em Volta Redonda. E adiantou, para surpresa de muitos, que apresentou uma proposta de flexibilização a partir do próximo dia 28, baseada em critérios técnicos. Antes, porém, explicou que a prefeitura é ré em um processo movido pelo MP, que impede a abertura das lojas sob pena de ser multado em mais de R$ 1 milhão em caso de desobediência.

Samuca garantiu ainda que é a favor da postura do MP, e criticou o uso político da situação. “Estou explicando isso porque não depende só do prefeito a reabertura do comércio. Acabo de sair de uma reunião e os procuradores do MP foram bem claros ao afirmar que o Ministério Público Estadual mantém a posição de não permitir a reabertura do comércio em todas as cidades do estado do Rio”, afirmou. “Quero deixar bem claro para vocês que está havendo uso político (do comércio), e não é uma questão de Saúde contra Economia, é uma questão de salvar vidas”, ponderou.? O prefeito foi além. Pediu ao MP que encaminhe cópias da decisão judicial que proíbe a reabertura do comércio para as “autoridades públicas e entidades (sem especificar quais seriam) que deveriam dar o exemplo, mas não estão fazendo isso”, disparou, referindo-se, claro, aos empresários que incentivam o buzinaço ao Palácio 17 de Julho, entre outras.

Samuca também abordou a proposta dos empresários e comerciantes para flexibilizar a abertura das lojas. “Algumas, coerentes com a realidade, outras, normais”, avaliou, fazendo questão de ressaltar que sua posição contrária à reabertura das lojas não é uma questão política.“É uma questão de preservar a população”, comparou, deixando no ar que vai apresentar ao MP uma solução técnica, desde que tenha apoio dos trabalhadores. “Na próxima semana (até o dia 23, grifo nosso) não existe qualquer possibilidade de flexibilização, pelo contrário…”, avisou, garantindo que vai chamar para uma conversa – na segunda, 20, às 10 horas, representantes de vários sindicatos – da Construção Civil, dos Comerciários, Metalúrgicos, Asseio, Bares e Restaurantes etc – para debater a questão sob o ponto de vista dos trabalhadores.  

Independentemente da conversa com os trabalhadores, Samuca anunciou durante entrevista ao programa Dário de Paula que pode adotar medidas mais enérgicas envolvendo o transporte público. “Estamos avaliando, inclusive, tirar os ônibus de circulação”, disparou. “Essa ideia (tirar os ônibus de circulação) já está mapeada. Lembro que Volta Redonda tem oito vans à disposição dos serviços essenciais e nós vamos colocar essas vans, se for o caso, para quem não tiver transporte individual, para buscar em casa”, completou, afirmando que pode decretar ponto facultativo na segunda, quarta e sexta da semana que vem, como fez a prefeitura de Barra Mansa.

Segundo Samuca, isso serviria para intensificar o isolamento social. Motivo: a situação vai ficar feia. É que, segundo uma fonte, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, teria avisado às autoridades de Saúde da região que a situação na cidade do aço vai se agravar. “Vai ficar igual à Itália” teria dito.

Pelo sim, pelo não, Samuca disse o que pretende fazer: “Essa semana será essencial para que a gente possa manter essa sustentabilidade em nível municipal. Sou a favor da retomada gradual da economia, mas ainda não estamos no momento (de abrir as lojas). Qualquer ato agora é prematuro, já que nós estamos conseguindo estruturar o município”, pontuou. “Queremos o máximo de pessoas em casa na semana que vem”, explicou.

Proposta ao MP

Na live, Samuca falou que sua proposta para permitir a abertura gradual do comércio a partir do dia 28 de abril vai obedecer a critérios baseados no avanço ou não dos casos da Covid-19 em Volta Redonda. “São três os nossos pilares para que a reabertura possa acontecer: o primeiro pilar são os testes – a cada dois dias vamos apresentar o percentual da evolução da doença a partir dos casos notificados. O segundo pilar é a capacidade de leitos de UTI: se tivermos até 50% dos leitos de ocupados, teremos condições de reabrir o comércio, esse é o nosso limite. E o terceiro pilar é a ocupação do Hospital de Campanha, com um limite de até 70% dos leitos ocupados. Vamos monitorar esses três pilares na próxima semana”, prometeu.

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