Hiperativa

IPO de cimentos, aumento de preços e briga de família

Pollyanna Xavier

A CSN voltou ao noticiário dos principais jornais do país com três assuntos diferentes: o primeiro foi na terça, 18, quando Benjamin Steinbruch venceu, em segunda instância, o processo que move contra os primos Clarice e Léo, na ação de dissolução do patrimônio da família. A briga, que está longe do fim, tem tudo para desembarcar em Brasília e render novos capítulos no STJ. O segundo foi o pedido de abertura de capital da CSN Cimentos, que obteve resultados positivos no primeiro trimestre de 2021, além de ter fechado 2020 com aumento de 11,2% em relação a 2019. Excelente para um ano de pandemia.
O terceiro assunto foi a alta de 15% no preço do aço a partir de junho. “É uma questão estratégica”, disse a CSN, anunciando que o aumento será praticado em duas etapas: junho (7,5%) e julho (7,5%). Segundo Luiz Fernando Martinez, vice-presidente comercial, a CSN não fará mais contratos a longo prazo com as montadoras. Serão de apenas três meses, inclusive para o aço da linha branca.
Cimento
Caso o pedido de abertura do capital da CSN Cimentos seja aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários, a direção da siderúrgica pretende lançar uma oferta pública de distribuição primária de ações ainda em 2021, tanto para o mercado interno quanto para o exterior. O investidor que quiser participar da oferta das ações terá que desembolsar no mínimo R$ 3 mil e no máximo R$ 1 milhão. Só para efeito de comparação, em março, a CSN lançou IPO da Mineração, sob as mesmas condições, e conseguiu captar R$ 5,3 bilhões, ao preço médio unitário de R$ 8,50 por papel. Tem mais. No primeiro trimestre do ano, a CSN Cimentos registrou um lucro líquido de R$ 31 milhões e um Ebitda ajustado de R$ 68,8 milhões.
Vale lembrar que a CSN entrou no mercado de cimentos no início do ano 2000, com a inauguração da cimenteira instalada em Volta Redonda. Depois, inaugurou uma nova fábrica em Arcos (MG). As duas fábricas utilizam a escória produzida nos altos-fornos da UPV como matéria-prima. Em Arcos, a empresa produz ainda o clínquer – outro subproduto usado pelas cimenteiras. As duas unidades tornaram a CSN autossuficiente na produção do cimento, com capacidade instalada de 4,7 milhões de toneladas anuais.
Sociedade
A briga societária envolvendo Benjamin Steinbruch e seus primos, Clarice e Léo, filhos de Eliezer Steinbruch, tio de Benjamin, anda mais rígida do que concreto feito com o cimento da própria CSN. É que na quarta, 19, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de Léo e Clarice para dissolver as sociedades familiares existentes nas empresas do grupo. No rol, estão as holdings Companhia Têxtil Vicunha, Rio Purus Participação, CFL Participações S.A, Banco Fibra, entre outras. A briga entre os primos se arrasta desde a morte de Eliezer, em 2008.
Léo e Clarice exigiam direitos iguais aos de Benjamin e seus irmãos (Ricardo e Elizabeth) nos conselhos de Administração do grupo CSN. Como não conseguiram, pediram a dissolução das empresas. Em janeiro de 2018, tentaram desmembrar as holdings, chegando a propor a saída dos negócios da família, mas esbarraram num impasse quanto ao valor que cada um teria na participação societária. A fortuna inclui, além das empresas, inúmeros imóveis – inclusive em Volta Redonda – e ainda ações e incorporações comerciais.
O processo corre na 2ª Vara Empresarial de São Paulo. “A briga é entre os sócios, não entre familiares, apesar de serem primos”, explicou um advogado de São Paulo, ouvido pelo aQui e que atua no processo. “Apesar da decisão do Tribunal, as partes ainda podem interpor recursos. Provavelmente eles entrarão com um embargo de declaração ainda no Tribunal de São Paulo. Se perderem aqui, poderão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. É uma disputa longa, que obviamente não foi encerrada com a decisão desta semana”, comentou.
Turno
Há ainda um quarto assunto envolvendo a CSN. Trata-se da votação da proposta da empresa para a renovação dos acordos Coletivo, de Turno e do Banco de Horas 2021-2022, realizada na segunda, 17. As três propostas foram aprovadas pelos trabalhadores da UPV e da CSN Porto Real, sendo que as duas primeiras passaram raspando, com pequenas diferenças entre o sim e o não, enquanto que a proposta do acordo de turno da GalvaSud venceu com folga. O acordo já foi homologado e a CSN deve realizar o pagamento prometido já na próxima semana.
Pela proposta aprovada, cada um dos operários da UPV receberá um abono de R$ 4.300,00 em parcela única a ser paga na segunda, 24, e um crédito extra no cartão-alimentação de R$ 700, pagos em duas parcelas – a primeira na terça, 25, e a outra em dezembro. Quanto ao banco de horas, os operários concordaram com o pagamento das horas extras fora do período de apuração, exceto para as horas trabalhadas em feriados. O resultado da votação foi apurado da seguinte maneira:
Para a proposta do Banco de Horas (UPV e Galvasud) foram 3.348 votos favoráveis e 3.306 contrários; para o Turno de 8 horas na UPV, foram 1.913 votos a favor e 1.342 contra, e para o Turno de 12 horas na CSN Porto Real (Galvasud) o resultado foi 132 votos para manutenção da jornada contra 31 votos pela mudança.

 

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