“Golpe do cupim”

Estelionatários aplicam golpes oferecendo serviços de dedetização domiciliar

Embora o golpe não seja novo, os estelionatários estão deitando e rolando com a pandemia do novo coronavírus. E estão cada vez mais sofisticados, contando, é claro, com a desatenção de suas vítimas. Um golpe que vem se intensificando com a Covid-19 é o “Golpe do Cupim”, em que os espertalhões utilizam pessoas, sem o menor conhecimento técnico, para espalhar propaganda de combate a pragas, principalmente em condomínios. Ou colando panfletos em postes pelos bairros. Oferecem até orçamento grátis.
Quando acionados por síndicos ou moradores, atendem ao chamado em grupos de três ou quatro ‘técnicos’ e, no interior das casas e imóveis, sem que as pessoas notem, acabam “criando” focos de cupins, mesmo que o problema não exista. “Eles distraem o morador e colocam os cupins, que levam em frascos para forçar a contratação do serviço de combate às pragas. Por fim, passam a cobrar preços absurdos pela aplicação dos produtos químicos. Já vimos casos de consumidores lesados em até R$ 45 mil”, revelou o vice-presidente da Associação dos Controladores de Vetores de Pessoas Urbanas (Aprag), Sérgio Bocalini.
Apesar de não se saber um número exato de casos como este, a Aprag garante que ultimamente vem observando um grande aumento de denúncias de pessoas enganadas pelos criminosos. “Os riscos, além do prejuízo financeiro, incluem a própria saúde do contratante. Um produto químico mal administrado ou utilizado de forma equivocada pode gerar problemas graves. Como estamos em um momento onde as pessoas ficam mais em casa, temos esse agravante”, explicou Bocalini.

Ronaldo alerta moradores contra golpes de dedetização praticados por falsas empresas do ramo

Em Volta Redonda, segundo Ronaldo Machado, funcionário da Constru Service, uma das mais conceituadas empresas do ramo, o ‘golpe do cupim’ ainda é novidade. “Eu sinceramente nunca ouvi falar”, comentou, aproveitando para dar um conselho importante. “Eu acho que as pessoas, quando desconfiarem que uma empresa pode ser irregular, devem procurar informações junto ao Inea, ou se informar junto à Associação das Empresas de Dedetização. Elas informam quais empresas são registradas no Inea e podem trabalhar com esse produto”, explicou, lembrando que em Volta Redonda existem 15 empresas autorizadas pelo Inea. “Em Barra Mansa, são sete empresas cadastradas”, ressaltou.
Em relação aos custos dos serviços de descupinização, Ronaldo explicou que não existe um preço fixo. Pode variar de míseros R$ 10 a R$ 45 mil. “O preço varia muito, principalmente quando é para cupim. Não existe um preço certo. Vai depender das condições do imóvel e dos móveis da casa, se o problema está no madeiramento, ou se é no forro”, pontua, anunciando, desde já, que o serviço, “um bom serviço”, é relativamente caro. “Às vezes temos necessidade de fazer uma barreira química, temos que furar tudo em volta da casa, aí fica muito caro. Isso encarece muito o serviço. Cada casa é um caso, só olhando mesmo”, destacou.
Para que quem mora em Volta Redonda e Barra Mansa não caia no ‘golpe do cupim’, Ronaldo orienta que o consumidor verifique se há a presença daquele famoso ‘pó de madeira’. “A pessoa deve reparar se cai algum pozinho. Quando tem cupim, começa a cair aquele pó de madeira. Às vezes é broca, às vezes é cupim, são bem parecidos. Quando começa a cair é que está dando cupim. Às vezes acontece em uma área que choveu e o móvel já foi embora, às vezes cai por dentro e não dá para perceber”, alertou o empresário.
Além disso, é importante que o cliente verifique se a empresa conta com autorização para atuar no mercado, como a licença da vigilância sanitária, que pode ser checada pelo site da Aprag em http://www.aprag.org.br.
O que meio mundo deve estar se perguntando é se existem riscos à saúde das pessoas quando se dedetiza uma casa. De acordo com Ronaldo Machado, a resposta é ruim. Os riscos existem tanto para as pessoas quanto para os animais. “Nós estamos lidando com inseticida, com veneno”, disparou, garantindo, entretanto, que atualmente, a situação é diferente. “Já melhorou muito de uns anos pra cá. Antigamente, os produtos eram muito fortes. Com a tecnologia, eles já melhoraram muito”, completou, sugerindo algumas medidas: “Quem for contratado para fazer o serviço deve aplicar veneno que seja registrado na Anvisa, que tenha registro lá. E as empresas têm que ter registro no Inea”, detalhou. “Se a empresa for legalizada, ela vai usar os produtos certos e vai adotar o modo certo de fazer o serviço. Se aplicar corretamente o veneno, o risco é mínimo”, disparou. Sobre o que deve ser feito quanto aos animais e crianças, o empresário sugere que todos fiquem pelo menos quatro horas fora de casa, que deverá ser mantida com as janelas abertas para que o local seja arejado, destacou.
Apesar dos espertalhões, existe uma luz no fim do túnel. “A Aprag pode ser acionada em caso de atendimento inadequado e exigir que a empresa venha a ressarcir o consumidor em caso de prejuízo ou mal serviço realizado. Temos como punir a empresa e proteger os direitos do consumidor”, garantiu Sérgio Bocalini.

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