Falando com o coração

Rodrigo consegue convencer a Justiça a não fechar comércio e aproveita para defender que todos sejam responsáveis no combate à Covid-19

O prefeito Rodrigo Drable tem fama de explosivo, de falar sem pensar, o que não é comum a um político. Suas brigas com populares, internautas e autoridades já lhe renderam vários problemas, e processos. Drable e Samuca (ex-prefeito de Volta Redonda), por exemplo, quase saíram no tapa em algumas ocasiões. Só que na noite de terça, 6, em live nas redes sociais, ele deu detalhes de como conseguiu reverter a ordem da juíza Anna Carolinne de fechar o comércio não essencial de Barra Mansa por 7 dias, a contar de quarta, 7. Resultado: às 10 horas, todas as lojas funcionaram normalmente.
Mas não foi fácil. “Ontem, uma hora da manhã, eu estava conversando com as pessoas envolvidas no processo para que nós tivéssemos condições de promover uma conferência virtual com o MP, com a Defensoria Pública, com todo mundo, para que nós tivéssemos (com a juíza) uma conversa de ajustes, de encontro de ideias, entendendo que todos nós temos “prismas”, que é a forma como você enxerga o que acontece. Cada um tem uma; eu tenho a minha enquanto gestor, e já presenciei muita coisa triste nesse período”, revelou.
Drable foi além. “Eu gostaria de compartilhar o que aconteceu de ontem (segunda, 5) para hoje (terça, 6)”, completou. “De 27 de março para cá houve um avanço exponencial da contaminação, da ocupação de leitos de CTI, de enfermarias pelo estado do Rio. Nós enfrentamos o que até agora foi nosso ápice de ocupação de leitos, e isso fez com que houvesse uma decisão judicial para o fechamento das atividades comerciais na cidade, o chamado lockdown”, relembrou.
Segundo Drable, na reunião que varou a madrugada, chegou-se à conclusão que para impedir o mal maior – o fechamento das lojas – seria necessário convencer a juíza a antecipar o encontro marcado para a tarde de ontem, sexta, 9. E ele foi sincero ao confessar que os números da Covid-19 estavam extrapolando. “Em 29 de março nós alcançamos o ápice da ocupação de leitos em Barra Mansa. Chegou a 92%. Isso ultrapassou e muito o acordo que firmamos no ano passado que permitiu a retomada das atividades empresariais e comerciais depois daquela paralisação de quase 30 dias que enfrentamos no começo da pandemia”, disse.
Na época, segundo o prefeito, o acordo foi firmado quando Barra Mansa tinha um número bem reduzido de leitos ocupados. “De lá pra cá, trabalhamos na ampliação da capacidade da Santa Casa, da UPA Centro, do que nós chamamos de Centro de Triagem da Covid, na antiga UPA da Região Leste. Nossa capacidade de atendimento ampliou muito”, ponderou, talvez querendo rebater a crítica, da própria Justiça, de que a prefeitura teria feito pouca coisa para combater o aumento da Covid-19 a partir do acordo anterior.
Segundo Drable, o aumento dos casos de Covid não atingiu apenas Barra Mansa. “O estado e grande parte das cidades perderam totalmente sua capacidade de atendimento”, comparou, entendendo que tudo teria começado e piorado – em Manaus – “com aquela história da falta de oxigênio para as pessoas internadas, entubadas”, comparou.
Uma das providências que a prefeitura tomou, segundo Drable, foi decidida, garante, em março de 2020. “Nós identificamos que boa parte dos internados necessitavam de oxigênio. E, ao invés de adquirimos oxigênio em cilindro, como boa parte das cidades faz, nós investimos em pequenas usinas de oxigênio nas unidades”, afirmou, anunciando que a UPA Centro, o “Centro de Triagem da Covid”, o Hospital da Mulher e a Santa Casa passaram a contar com usinas de oxigênio.
Tem mais. Drable garantiu que, para evitar problemas de fornecimento do oxigênio, a prefeitura também teria instalado geradores de energia. “Temos geradores nas unidades para o caso de faltar energia. A luz não vai faltar na geração de oxigênio”, disparou.
Dengue
Além da Covid-19, a prefeitura de Barra Mansa passou a conviver com outro problema. “Na semana passada nós nos deparamos com uma situação que, em relação com a Covid, é nova. A dengue”, disse, para logo completar: “Vamos falar a verdade, as pessoas estavam voltadas para a Covid e esqueceram de cuidar do seu quintal. A prefeitura está sobrecarregada por causa da Covid, não dá conta de fazer tudo e a dengue virou uma realidade”, lamentou.
Segundo o prefeito, ele percebeu que os pacientes que buscavam atendimento para a Dengue estavam se encontrando com pacientes com Covid na recepção da UPA. Foi aí que ele decidiu criar uma estrutura ao lado da unidade, como um anexo, só para as pessoas que chegam com suspeitas de Covid. “Elas não se encontram mais na recepção”, justificou. “Criamos uma situação paralela com consultório, hidratação, testes para a pessoa saber se tem ou não Covid em uma sala de repouso, com recepção independente”, detalhou. “As pessoas continuam infartando, continuam com problemas, alguém fratura um braço e procura a UPA, sofre um acidente, vai pra UPA. Bem, a UPA continua sendo uma unidade de pronto atendimento 24 horas”, acrescentou.
A dor de uma perda
Na live, acompanhada por mais de 2.800 internautas, Rodrigo contou como é conviver com a morte de uma pessoa próxima. “Eu já tive a oportunidade de conversar com uma pessoa e logo depois saber que ela morreu. Quem vive isso tem uma sensibilidade diferente. Quem se depara com a morte e com as pessoas que saem do tratamento passa a ter uma sensibilidade diferente de tudo isso que nós estamos vivendo. Eu não tive a perda de um parente, graças a Deus e, é claro, que eu não quero que isso aconteça, mas todo mundo viveu alguma dificuldade nesse período”, ponderou. “A preocupação de todos tem que ser atender aqueles que venham a ficar doentes”, disse.
Logo a seguir, Drable voltou a falar sobre os esforços que vem desenvolvendo e que a maioria não avalia na hora de julgá-lo ou criticá-lo. “Temos dois esforços distintos. O primeiro envolve todos nós. Todos que estão em casa devem ter o cuidado de usar máscara, fazer a higiene, manter o distanciamento possível das pessoas que estão próximas a você. Você se preserva e, consequentemente, preserva quem está ao seu lado”, comentou.
O segundo esforço foi explicado a seguir: “É termos capacidade hospitalar para atendermos aqueles que venham a ficar doentes. Já vimos pelo Brasil muita gente morrer sem atendimento médico nas portas das unidades. Deus nos abençoou e até aqui nós não enfrentamos isso em Barra Mansa. Só que para que isso não aconteça aqui, depende de vários fatores, e o fundamental é que cada um faça sua parte no dia a dia e entenda que não tem ninguém isento, não tem ninguém afastado do risco e não tem quem não corra o risco de levar (a Covid) para casa”, pontuou.
Vacinação
Ao falar sobre a vacinação dos moradores de Barra Mansa, Drable comemorou o fato dela estar sendo pelo sistema drive-thru, “muito eficiente”, mas lamentou que a entrega das vacinas deixe a desejar. “Quando chegam, são menos do que nós gostaríamos”, disparou, informando que chegou a vacinar, em apenas um dia, 2.221 pessoas. “Se eu tivesse vacina assim todos os dias, em 130 dias nós vacinaríamos todo mundo”, afirmou, indo além. “Se considerarmos que já estamos vacinando há 70 dias, a gente estaria no meio do caminho pra isso acontecer (vacinação em massa). Pena que as vacinas que chegam são menos do que as que a gente precisa”, lamentou.
Em cima da realidade que enfrenta, Drable lamenta que cidades vizinhas não consigam acompanhar o que Barra Mansa faz. “A cada dia eu marco a vacinação de uma nova faixa etária. Ninguém chega ao Parque da Cidade e sai sem vacinar. Eu vejo isso acontecer em outras cidades. As pessoas vão para as filas e quando chega sua vez, não tem vacina. Isso nunca aconteceu em Barra Mansa. Não vou criticar os outros, vou falar aqui do nosso quintal. No nosso quintal isso não aconteceu”, salientou.
Reiterando o pedido para que os moradores não deixem de filmar o momento em que são vacinados, Drable faz uma ponderação interessante, que tem a ver com o comportamento das pessoas. “Eu tenho pedido para que filmem, filmem tudo, filmem todo mundo, me filmem também. É importante para a pessoa ter a tranquilidade de que (a vacina) foi feita de forma adequada. Eu costumo dizer que a pessoa que acordou de mau humor volte pra casa. Quem tá lá (no posto) tem que trabalhar com satisfação e com sorriso no rosto, porque quem procura a vacina está procurando a esperança. Tem que encontrar um sorriso no rosto e ser bem atendida”, ressaltou. “Eu começo às 5 da manhã e vou parar por volta das duas da madrugada. Isso cansa, desgasta, mas a gente faz porque é necessário, porque a gente se propôs, porque a gente se entrega pra isso”, salientou.
Estado
Na live, Drable abordou, é claro, o fato de o estado do Rio estar, em sua grande maioria, na faixa roxa, de grande risco de contágio. “Em várias cidades o risco de contaminação é muito grande para as pessoas estarem na rua. Barra Mansa, apesar do cenário regional, está na vermelha, que é muito ruim, mas ainda é melhor que nas outras cidades”, comparou, aproveitando para ligar o risco à decisão de concordar ou não com o lockdown proposto. “Estamos na primeira semana do mês, as pessoas recebem seus salários. Vamos imaginar um lockdown em Barra Mansa. A pessoa vai acabar saindo para consumir em outra cidade, que talvez esteja em uma situação pior que a nossa. Sai de uma cidade que está ruim e vai para uma péssima, isso nos preocupava muito”, comentou, certo de que manter o comércio aberto seria – “e é” – a saída.
“Barra Mansa vive do comércio, e grande parte dos pais de família ganha seu sustento do comércio. Outra parcela ganha seu sustento no dia. Tem gente que trabalha de dia para comer à noite. É aquela história de quase vender o almoço para comprar a janta. Isso nos causou um sentimento, quase desesperador, de imaginar a cidade fechada. A situação realmente não está boa, mas em volta está muito pior”, destacou.
“Alcançamos 92% de ocupação de leitos, mas ontem estava em 62% porque aquelas ações de restringir o horário tanto do comércio quanto de academias e restaurantes permitiram que o número caísse. Por outro lado, se nós fecharmos tudo de novo, as pessoas dos bairros não vão ficar em casa. Ninguém fica, e não temos capacidade de fiscalizar os 190 bairros de Barra Mansa. A nossa equipe de fiscalização é pequena. Na prática, fechar tudo não significa ter segurança epidemiológica maior”, pontuou, garantindo que foi isso que o levou a “buscar um entendimento com todo mundo”.
Segundo Drable, a conversa com todos os envolvidos durou quase três horas, “até chegarmos a um denominador comum”. “Lá não tem ninguém que queira perseguir comércio, fechar negócio, prejudicar ninguém. As pessoas estão pensando na manutenção da capacidade do atendimento, pois elas podem vir a precisar. O acordo é o seguinte: se a estrutura regional (leia-se Hospital Regional) alcançar 90% de ocupação e se a estrutura municipal alcançar 75% da sua capacidade por três dias consecutivos, nós teremos o lockdown em Barra Mansa”, detalhou. “Por enquanto, eu acho que é algo para comemorar: nós conseguimos segurar”, disse, satisfeito por ter virado o jogo, quando a derrota era inevitável. “Barra Mansa não vai fechar amanhã (quarta) e nem nos próximos dias, desde que sejam mantidas as condições”, destacou, fazendo um pedido. Mais um, é claro: “Eu estou sendo redundante, cansativo e chato. Mas, gente, por favor, usem o raio da máscara. Tem gente que está na rua sem máscara, não dá pra entender isso”, lamentou, contando um episódio recente. “Eu passei em frente às lojas e vi pessoas, que trabalham no comércio, sem máscara. São as que reclamam dizendo ‘Ah, o comércio vai fechar e eu vou ficar desempregado’. Mas essa pessoa, que eu vou chamar de infeliz, fica sentada em frente à loja sem a máscara, mexendo no telefone”, contou, decepcionado.
“São coisas simples, que talvez pareçam supérfluas, mas o conceito é necessário: coloque a máscara, mantenha distância, não fale no pé de ouvido de ninguém. Você expõe e se expõe. Lembra que na sua casa, por mais que seu avô e sua avó estejam vacinados, você vai ter uma pessoa jovem correndo riscos, você”, disse.
Jovens doentes
Aproveitando a live, Rodrigo revelou que os jovens de Barra Mansa estão sendo contaminados com muita frequência. “Temos um dado novo, um fenômeno resultado da vacinação. Começamos a vacinar os de 100 anos, 98, 97. E já estamos em 65 anos, sendo que os filhos (dos idosos) estão achando que está tudo bem. Estão indo para as ruas e se contaminando. O vírus mudou, está mais agressivo, está pegando os jovens”, contou, indo além.
“Muitos jovens estão morrendo. Amigos de 35, 36, 40 anos. Eu tenho 40 anos, não parece, mas tenho, e pessoas mais jovens do que eu estão morrendo. Atletas que têm uma vida saudável estão adoecendo, estão tendo comprometimento pulmonar, estão entrando no tubo. O jovem não sai do tubo igual ao idoso, por incrível que pareça. A Covid está sendo mais grave para o jovem. Então, independente da faixa etária, todos nós temos que manter os cuidados”, destacou.
Ao falar da situação que passou a enfrentar, Drable contou aos internautas que até mensagem desaforada já recebeu de amigos. “Amigos já me mandaram mensagens desaforadas. Amigos músicos. Eu cheguei até a ser deselegante com um deles, tamanha insistência com que exigia a volta da música noturna. Não é o momento. Eu entendo que isso sacrifica algumas classes e lamento profundamente, mas eu não tenho prazer nisso não, sabe? O que importa é que nós conseguimos passar de 92% para 62% com as medidas que foram impostas”, justificou. “Aí a gente se depara com uma situação de fechar tudo de novo. Ia fechar tudo por 7 dias. Mas construímos um acordo para manter o decreto que estava em vigor com as restrições de tudo fechar às 17 horas”, completou.
Certo de que está fazendo as coisas necessárias, Drable aposta até em uma reviravolta. “Se a gente conseguir diminuir isso (ocupação de leitos), a gente pode voltar progressivamente à vida normal, mas é fundamental que as pessoas entendam. É necessário que todos façam sua parte”, destacou revelando que, sem sono, chegou a ligar para a Upa para saber como estava a situação.
“Ontem (segunda) eu liguei à uma hora da manhã para a UPA. Tinha umas 20 pessoas na sala de espera, o que não é nada absurdo se compararmos com a Baixada Fluminense. Eu liguei para saber o que estava acontecendo. As pessoas estão exaustas, basicamente é isso. Tem necessidade de dormir, comer, descansar, se divertir, e está trabalhando incansavelmente para permitir que a vida de todos os outros continuem”, desabafou, com a voz embargada. “E aí? Me sinto até chato muita das vezes de ter que falar a mesma coisa, mas parece que entra em um ouvido e sai no outro, (as pessoas) não absorvem. O que a gente está vivendo é terrível”, disparou.
Ainda emocionado, Rodrigo Drable abordou a morte de uma amiga. “Essa semana eu perdi uma amiga querida, da Saúde. Se dedicava a enfrentar problemas e a contribuir com a qualidade de vida do cidadão barra-mansense. Ela morreu, e aí? Ela não vale o nosso esforço? Que a família dela me perdoe, me autorize a estar citando o nome da Eliana, mas é uma pessoa muito querida pra mim. A morte da Eliana não é para a gente pensar que todos nós temos uma parcela de responsabilidade no que vai vir aqui pra gente? Quem aqui não viveu uma história triste? E isso ocorre todos os dias”, lamentou.
A situação ‘poderia ser diferente’, destacou Drable. “A gente vive isso de uma forma diferente, porque a gente vê (as pessoas morrendo, grifo nosso). Eu vou na UPA da Região Leste, entro pela recepção, vou aos consultórios, tomo um cafezinho, vou na área das pessoas contaminadas, vou onde ficam os cadáveres e dói saber que tem um morto lá dentro. Alguém que poderia ter saído vivo, ou alguém que não precisava nem ter entrado, se não fosse o cuidado de cada um. Mas ao mesmo tempo, eu penso que existe o livre arbítrio”, filosofou.
Resultado: “Tem gente que me manda mensagem pedindo “FECHA TUDO”. Quem quer que feche tudo é porque pode ficar em casa, então fica no isolamento. Mas ao mesmo tempo, tem gente que depende daquele trabalho do dia para comer a janta. Essa pessoa tem que trabalhar, a gente não pode fechar tudo. Tem atividades que são essenciais para o futuro. Quando nós construímos aquele plano de retomada das aulas, nós projetamos um número de alunos. O plano foi desenhado para termos uma ocupação nas salas de aula”, argumentou, anunciando, no dia seguinte, o reinício das aulas presenciais para segunda. 12.
“Nessas quatro semanas que nós tivemos de retorno às aulas, 62% dos alunos retornaram. Ou seja, projetamos ‘x’ e só 62% retornaram. É óbvio que, se o número caiu, com os 62% é muito mais seguro. É necessário que as crianças voltem às aulas. Eu tenho filhos, de 10 anos e de 2 anos e meio. Minha filha de 10 anos tem uma dificuldade tremenda de estudar e os pais sabem o que eu estou dizendo. A experiência que nós tivemos em estar na sala de aula com as dificuldades que as crianças geralmente têm vai ser muito mais grave para uma criança que não está tendo oportunidade, isso compromete o futuro”, crê.
Para encerrar, Rodrigo falou sobre prazos para o fim da pandemia. “Quanto tempo vai durar? No ano passado falávamos em 30 dias, virou 45, 60, 90, e estamos em abril de 2021, mais de um ano convivendo com essa história. Por mais que a vacina esteja avançando, quando é que isso vai acabar efetivamente? Então temos que começar a adequar nossa vida a essa nova realidade. Tem gente achando que vacinou, vai poder tirar a máscara do rosto, não vai, não. Isso (Covid) vai fazer parte da nossa vida por muito tempo. E a gente vai ficar nesse vai-e-vem (de fechar lojas), mostrando que somos uma sociedade atrasada? A consciência da autopreservação faz parte da demonstração que evoluímos, que aprendemos com o nosso próprio erro”.
“Recebo mensagens de amigos dizendo ‘Poxa, fala pro meu pai, porque ele não quer vacinar’; cara, é inconcebível um negócio desses. Tanta gente sonhando com a vacina e alguns falando que não vão tomar porque não querem tomar. Poxa, eu tenho 40 anos e quero tomar, não tomei porque não chegou minha vez ainda. Meu pai já tomou a primeira dose e tô doido para chegar a 62 anos para a minha mãe tomar. Chegou a Páscoa e quem teve conforto de abraçar e beijar seus pais em casa? Eu não tive. Mantive distância, máscara, e olha, tem meses que não tenho contato com meu pai, e isso dói”, finalizou.

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