Esqueceram de mim

Crianças não têm espaços limpos e seguros onde brincar

Se Macaulay Culkin, ator de uma série de filmes de comédia envolvendo trapalhadas da sua família, fosse um voltarredondense, ele poderia muito bem pensar que os prefeitos da cidade do aço, como Neto e Samuca – só para citar os dois últimos – não gostam de crianças. Que esqueceram dele e das milhares que nascem anualmente em Volta Redonda. E que precisam de espaço para se desenvolver e brincar em locais limpos, seguros e com bons brinquedos para que ele e seus amiguinhos possam passar horas ao lado dos pais, dos avós e de suas babás, se for o caso, protegidos do sol e da chuva.
Só para ilustrar: o último investimento público – para crianças de zero a 6 anos, por exemplo – foi feito pelo governo Samuca na Ilha São João, onde se criou uma série de par-quinhos, com brinque-dos até para portadores de deficiência física, algo inédito. Pena que os brinquedos não protegem as crianças do sol quente do verão e da chuva. O fato é comum em 99,9% das pracinhas existentes em Volta Redonda (ver fotos). Em algumas, do sol ainda é possível fugir, pois os brinquedos – quase sempre os mesmos – estão ao lado de frondosas árvores, como ocorre nas praças dos bairros de Niterói e Jardim Normândia.
Só que a limpeza deixa a desejar. “Fui levar minha filha pra pracinha (Normândia) e demos de cara com um rato morto bem ao lado do escorrega. No dia seguinte, voltei e ele ainda estava lá”, contou, aborrecida, a professora Maria Ignes. “O pessoal da prefeitura deveria limpar, quando começa a trabalhar, os espaços das crianças, depois a praça em si e as ruas ao redor”, aconselhou. Ela vai além. “Eu ando à procura de uma boa pracinha para levar minha filha para brincar ao ar livre, em brinquedos limpos e que possam ser usados, e ainda para conhecer novas crianças. Pena que as pracinhas estão vazias. Sabem por quê? Porque estão abandonadas. Muitos brinquedos estão quebrados pela ação de vândalos. Só que a prefeitura não repõe”, relata, garantindo, entretanto, que o pior mesmo é que os brinquedos são colocados ao ar livre, sem cobertura. “Muitos espaços das academias da terceira idade são cobertos, como aqui no Jardim Normândia, no caminho do Vila Rica. Por que não fazem o mesmo para a criançada?”, pondera.
Ela está certa. Em recente levantamento feito pelo aQui, o jornal descobriu que a maioria dos espaços destinados aos pequenos voltarredondenses – futuros eleitores – realmente está abandonada. Vários brinquedos foram encontrados quebrados, alguns faltando peças. A sujeira predomina. Na Avenida 12 de outubro, no Aterrado, por exemplo, o balancinho está sendo tomado pelo mato.
Prova maior de que os prefeitos de Volta Redonda esquecem da garotada é que na Praça Brasil, que é gigantesca; na praça da Biblioteca Municipal, também imensa; e na própria Praça Sávio Gama, sede do Palácio 17 de Julho, com muito espaço livre, não existe nada, nada mesmo, para as crianças de pequena idade. Só encontram espaço para correr, e nada mais.

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