O prefeito Neto está em seu quinto mandato à frente do Palácio 17 de Julho. E, segundo ele próprio, nunca teve uma Câmara de Vereadores ‘tão parceira’ do seu governo. Não por menos. Dos 21 parlamentares, 18 fazem parte da sua base aliada e apenas três são da oposição (eles se dizem ‘independentes’, grifo nosso). Só que o ‘céu de brigadeiro’ está por um fio. É que apoiadores e adversários de Neto estão quase em pé de guerra. A situação é tão tensa que existem ameaças veladas de a briga ir parar nas redes sociais.
O quiproquó se acentuou na segunda, 27, durante a votação da Mensagem 064/23, enviada por Neto, que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2024. Essa é a norma que estima a receita (arrecadação) da cidade para o próximo ano e fixa as despesas (onde serão investidos os recursos). Como o aQui já antecipou, a cidade deverá ter uma receita recorde em 2024, algo próximo de R$ 1,7 bilhão.
Um artigo da LDO, entretanto, gerou o maior bate-boca entre os parlamentares da base e da oposição a Neto: é o que trata do percentual de remanejamento de verba, que é quanto de recursos do Orçamento o prefeito poderá tirar de uma secretaria e colocar em outra sem autorização dos vereadores. O prefeito pediu 40%, mas os da oposição queriam dar menos. Raone Ferreira (PSB), por exemplo, sugeriu 20%; Walmir Vitor (PT) propôs 30%. Os dois foram derrotados. Votaram a favor delas apenas os dois e Rodrigo Furtado (PSC), outro de oposição a Neto.
Ao justificar as emendas propondo a redução, os parlamentares de oposição disseram que a porcentagem concedida a Neto seria uma ‘carta em branco’. “Ele terá mais de R$ 500 milhões para remanejar sem precisar passar por essa Casa. Isso é falta de transparência e atrapalha nossa fiscalização, que é um dos nossos deveres”, bradou Rodrigo Furtado. “Neto está reconstruindo a cidade e está em seu quinto mandato, ele sabe administrar. Merece esse reconhecimento dos vereadores”, respondeu Jorginho Fuede, da base do prefeito.
Mas o discurso dos vereadores de oposição não agradou a base aliada. Um vereador experiente, que pediu para não ser identificado, explicou o motivo da irritação. “O Raone e o Furtado fazem discursos jogando a população contra os vereadores da base aliada. Eles falam como se só eles lutassem a favor da população, só eles fossem os defensores do povo, fiscalizadores etc”, completou.
Um dos mais exaltados com a oposição é o vereador Neném (PP), amigo pessoal do prefeito Neto. “Vou mudar o meu discurso aqui no ano que vem, que é ano de eleição. Vou fazer questão de mostrar quem são os três vereadores de oposição e quem são os de situação. A população precisa saber”, destacou, ressaltando que foi surpreendido com um secretário municipal do governo Neto atendendo a um vereador de oposição. “Parou a secretaria toda para atender. Eu até achei que era um vereador de situação. Não é possível. O cara é oposição, vota contra o governo e param uma secretaria inteira para atendê-lo? Não pode”, disparou.
Tem mais. Neném fez questão de nominar quem seriam os parlamentares adversários do atual governo. “A população precisa saber que tem três vereadores de oposição, o Walmir Vitor, que é do PT; o Raone , que é do PSB; e o Rodrigo, que foi líder do governo Samuca, um dos líderes”, completou, salientando que o prefeito Neto estaria tendo que reconstruir a cidade após o governo do ex-prefeito Samuca. “E as pessoas precisam saber quem são os vereadores da base que ajudam o prefeito nessa missão”, completou.
Raone não gostou. “Se alguém me expuser, eu vou expor a pessoa com o dobro da força. Eu não tenho medo de ninguém aqui dentro e nem em lugar nenhum”, disparou. “Agora outra coisa: serviço público, que eu entendo, é para a população. Se eu estou vereador, é obrigação do secretário me atender. Eu sou representante do povo. E se eu for numa secretaria e não for recebido, eu vou no Ministério Público. Eu tenho credibilidade onde eu piso, eu tenho coerência”, pontuou Raone, sendo respondido novamente por Neném. “Se eu fosse secretário, eu não te atenderia de jeito nenhum”, completou.
Walmir Vitor, do PT, também respondeu a Neném dizendo que seria um parlamentar independente, e que sempre apoia as medidas do prefeito Neto que julgue serem boas para a cidade. “Assinei, a pedido do próprio vereador Neném, vários documentos apoiando projetos do governo Neto”, disparou, referindo-se à assinatura de pedidos de urgência e preferência, que faz com que projetos sejam apresentados e votados no mesmo dia pelos parlamentares. Líder do governo, Vander Temponi (PTB) não ligou para o que foi dito por Walmir Vitor e atacou o petista. “Eu sempre deixei claro aqui nessa Casa que conversa minha não faz curva. Enquanto eu for líder de governo, você não assina mais uma urgência e preferência”, prometeu Temponi.
A intriga entre os grupos foi tanta que a base aliada de Neto, para provocar a oposição, aprovou uma redução da porcentagem que o prefeito poderá remanejar de verba no ano que vem. De 40% para 39%. Isso mesmo, apenas 1% de redução. A proposta, como não poderia deixar de ser, foi apresentada pelo provocador vereador Neném e aprovada por unanimidade pelos parlamentares. As próximas sessões prometem!
