De castigo

A briga de Marcelo Moreira pela cadeira de Paulinho do Raio-X, afastado da Câmara ao tentar, supostamente, extorquir Samuca Silva, ficou mais difícil. Para que isso ocorra, ele terá que recorrer da decisão de um juiz de plantão que negou seu pedido para ser empossado. Para piorar, o parlamentar envolvido no maior escândalo da Casa nos últimos tempos, para surpresa de muitos, está disposto a encarar a todos, amigos e inimigos, tanto que entrou com pedido para reassumir seu posto. O pedido de reintegração ao Parlamento foi feito pelos advogados Flávio Lerner Sadcovitz e Márcio Feijó e, conforme documentação a que o aQui teve acesso, eles tentam convencer o desembargador Cairo Ítalo França, relator do caso Paulinho e responsável pelo afastamento do vereador, de que, como o próprio magistrado apontou em seu despacho final,  ainda pairam grandes dúvidas sobre o flagrante que o levou à prisão em flagrante no último dia 7 de março. “Como já é do conhecimento de Vossa Excelência, a decisão liminar proferida pelo desembargador de plantão determinou a imediata liberdade do paciente, bem como impôs ao vereador Paulo César Lima da Silva o cumprimento de inúmeras medidas cautelares, dentre elas ‘o afastamento do exercício da função pública de vereador’. Importa resgatar ainda sobre o deferimento da medida libertária que o eminente magistrado de plantão não só rechaçou a presença das cláusulas autorizadoras da prisão preventiva, como destacou amplamente em sua decisão a existência de sérias dúvidas quanto à legalidade da ação policial, bem como a existências de inúmeras incertezas quanto ao relato dos fatos apresentados pelas testemunhas”, argumentam os advogados. Ainda de acordo com seus advogados de defesa, Paulinho do Raio-X pode, mesmo indo trabalhar na Câmara, manter distância do prefeito e dos vereadores Neném e Carlinhos Santana, apontados por Samuca em depoimento ao Ministério Público, como coautores do suposto golpe. Vale lembrar que o desembargador proibiu Paulinho de manter qualquer tipo de contato com essas pessoas justamente para não atrapalhar as investigações em curso. “No caso concreto, entre as medidas de maior destaque, Sua Excelência determinou que o paciente não estabelecesse contato com o Prefeito da Cidade de Volta Redonda e com os vereadores Nilson Alves de Faria (Neném) e Carlinho Santana, bem como o afastou, como já dito alhures, da sua função pública. (…) Essas medidas estariam respaldadas pelo cuidado de se evitar o contato do paciente com aqueles que seriam citados como parceiros beneficiários do, em tese, esquema criminoso relatado pelo Prefeito, enquanto o alcaide restaria protegido como testemunha. Todavia, Excelência, tais medidas podem ser alcançadas sem que se extirpe do paciente o gozo da vereança e, por consequência, o direito a representatividade cidadã de seus eleitores”, alegaram. Os advogados só não mencionaram em seu relato que os assessores parlamentares de Paulinho continuam trabalhando normalmente na Câmara e, segundo uma fonte do jornal que, por motivos óbvios pede para não ser identificada, mantém contato principalmente com Carlinhos Santana. “Os assessores acompanham de perto todas as sessões e vivem mostrando seus celulares para Carlinhos”, contou. Em resposta aos apelos dos advogados de Paulinho do Raio-X, o desembargador Carlos Ítalo diz que quer mais informações. “O paciente foi solto, como informam os impetrantes, que pretendem excluir das condições estabelecidas pelo Magistrado de primeiro grau, o afastamento das funções da vereança. Isto pode ser examinado quando da apreciação da liminar. Para tanto reputo necessária a vinda das informações cuja requisição deve ser reiterada encarecendo urgência na resposta”, sentenciou o magistrado, indo além. “Vindo as informações ou se elas não chegarem a nós em cinco dias, voltem-se os autos conclusos”, finalizou. Versão de Santana Apesar dos ataques gratuitos que sofreu de Carlinhos Santana, o aQui procurou o vereador para que ele pudesse explicar se, como denuncia a fonte, estaria mantendo contato com os assessores de Paulinho do Raio-X.  Aborrecido com o fato de seu nome ter sido envolvido mais uma vez no caso, Santana pediu que a imprensa o procure apenas para que possa falar de seus projetos. “Publica dois projetos que tentei colocar ontem em urgência, que só não entrou por falta de vereadores”, comentou referindo-se à sessão de quarta, 1, que teria, conforme denunciou, a presença de poucos parlamentares. “Um autoriza o governo a pagar 40% de abono de risco pra todos os profissionais de saúde e distribuição de cestas básicas para todas as pessoas que recebem menos de um salário mínimo ou que não tenha renda. Vamos voltar com eles na próxima semana. Também foi aprovado um requerimento pedindo várias explicações sobre o hospital de campanha. A população precisa saber e os jornais não publicam”, reclamou, questionando mais uma vez o noticiário político dos veículos de comunicação, como o aQui, um jornaleco na sua opinião. Caso Marcelo
O pedido de Marcelo Moreira para ocupar, temporariamente, a cadeira de Paulinho do Raio-X, afastado de suas funções por determinação judicial, foi negado pelo juiz Marcelo Costa Pereira, que estava à frente do plantão do TJ na tarde de segunda, 31. Ele se baseou na explicação do presidente da Câmara, Nilton Alves de Faria, o Neném, de que não haveria nada previsto no regimento interno da Casa, de a Câmara dar posse a um suplente em virtude do afastamento de um parlamentar por determinação da Justiça. O juiz de plantão entendeu ainda que a cassação de Paulinho do Raio-X pode ser determinada pela CPI que vai apurar o caso. Ou seja, por ele, Marcelo poderia esperar o resultado da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ou seja, se Paulinho do Raio-X for cassado, Marcelo será chamado. Se a CPI terminar em pizza, Marcelo continuará como suplente. Procurado pelo aQui, Marcelo Moreira disse apenas que seus advogados vão recorrer da decisão do juiz de plantão. E que espera uma solução para os próximos dias.

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