Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro preparam ofensiva para tomar territórios em VR

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O leitor ainda deve se lembrar que no último dia 23 de janeiro, em plena luz do dia, houve um assassinato em Volta Redonda. Daqueles que passam nas séries de TV. O crime aconteceu em Niterói, perto da Secretaria de Saúde e a poucos metros do Batalhão do Aço da Polícia Militar. A cena foi gravada por câmeras de monitoramento de agências pardais – que compram e vendem automóveis –, e as imagens mostram quando cinco homens, em um carro não identificado, cercam o
veículo da vítima. Eles desceram armados e dispararam mais de 30 vezes no motorista, que, em tese, estava querendo trocar de carro. A vítima morreu na hora.
O assassinato – assim como a grande maioria dos homicídios que acontece na cidade do aço – estaria ligado à guerra do tráfico de drogas. O homem assassinado foi identificado como sendo Warlei Luiz Gonzaga Machado, de 37 anos, conhecido por Cabeça, Beça ou WL. Ele seria um dos chefes do tráfico de drogas no Morro da Conquista, no Santo Agostinho, área do- minada pelo Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do Rio de Janeiro.
A morte teria sido cometida por criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção rival do Comando Vermelho. Um dos suspeitos de ter cometido o assassinato foi preso quase um mês depois – em 19 de fevereiro –, no Coqueiros, de onde seria o gerente do tráfico de drogas. Identificado apenas como ‘Pitu’, ele foi detido pela Polícia Militar na Travessa Veneza, após os agentes receberem denúncias de que elementos estariam vendendo drogas no local.

Na hora, Pitu estaria acompanhado por outro suspeito, e com a dupla foram apreendidos uma pistola Taurus, 15 munições, mais de 100 pinos de cocaína, entre outras.
A morte de Warlei (o Cabeça, do Morro da Conquista) gerou reações. Resultado: desde então, diversas comunidades estão em estado de alerta por conta do acirramento da ‘guerra’ entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro. “A morte do ‘Cabeça’ deflagrou uma guerra entre eles. Como o TCP matou uma liderança do CV, eles não deixariam isso passar batido e agora querem mostrar força”, disparou um policial militar que conversou com a reportagem sob a exigência de ter seu nome preservado.

Ao aQui, o PM ainda enviou um vídeo – gravado no dia 27 de janeiro – mostrando a escalada da guerra. Nas imagens, gravadas de uma câmera localizada na Rua Maurílio Gomes da Silveira, no Monte Castelo, dá para perceber quando quatro homens
chegam ao bairro durante a madrugada. Eles descem do veículo na Praça Maria de Lourdes Severino, armados – dois com fuzis –, e se dirigem ao ponto alto da localidade. “O Comando Vermelho esteve no Monte Castelo tentando dar um golpe, querendo pegar aquele ponto de venda de droga do TCP. Os ‘meninos’ do Castelo foram para a área de mata, mas ainda continuam no controle do bairro”, disse.
Segundo o policial militar, o Monte Castelo seria um dos pontos mais visados pelo Comando Vermelho, por conta de diversas mortes que teriam sido feitas por traficantes do local. “Ali (Castelo) tem muita gente de outras cidades, principalmente do Rio e Angra, no tráfico. O ‘dono’ da boca está preso, e estão com esse pessoal lá. O Monte Castelo, por ser Terceiro Comando, tem sido muito visado pelo pessoal da outra facção”, destacou.
Ele foi além. Garante que o Monte Castelo é alvo do Comando Vermelho por conta de
crimes que estariam sendo cometidos pelos trafican- tes do local. “Recente- mente, por exemplo, eles mataram um consultor esportivo a golpes de pá (em novembro de 2023). Anteriormente, na São Geraldo, já haviam executado um outro rapaz. Eles têm rixa também com uns traficantes da Sessenta”, alertou.
Como fonte, o policial disse que a tendência é de que a ‘guerra’ entre as duas facções fique mais bélica. “Há uns anos, a gente não via tantas armas de alto calibre na cidade. No próprio vídeo do Monte Castelo a gente vê que estavam usando fuzis. Já houve apreensões de metralhadoras e outros armamentos pesados”, completou, exemplificando que os bairros da cidade estão divididos entre as duas facções. “Todo o complexo do Vila Brasília até a Candelária é do Terceiro Comando. O Comando Vermelho pega muito a área do Jardim Belmonte, Padre Josimo, Siderlândia, São Lucas, Santa Rosa, em Barra Mansa, e alguns morros da região do Santo Agostinho”, declarou, ressaltando que os condomínios ‘Minha Casa, Minha Vida’ do Santa Cruz também ‘seriam’ do Comando Vermelho.

NOTA DA REDAÇÃO: O aQui procurou o setor de assessoria de imprensa do Comando Geral da Polícia Militar solicitando uma entrevista com o coronel Ronaldo Martins Gomes da Silva, comandante do 28o Batalhão de Polícia Militar. A resposta foi: “Agrade- cemos a oportunidade, mas não será possível realizar a entrevista”, disse a assessoria da PM. Uma pena!
Morte em Barra Mansa
Não é só em Volta Redonda que o crime organizado tem gerado cenas dignas de cinema. Em Barra Mansa, no sábado, 24, seis homens encapuzados invadiram uma casa na Rua Wilson Rodrigues do Carmo, no 9 de Abril, e arrastaram Luís Felipe dos Santos Porto, 19, para a rua. Durante as agressões, testemunhas chegaram a ligar para a Polícia Militar, mas durante a chamada a vítima foi assassinada a tiros.
Luís chegou a ser socorrido em estado gravê pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade médica. No local do crime, a perícia apreendeu nove estojos calibre 9 milímetros.

Saidinha de Natal’
Em dois dias, foram presos em Volta Redonda dois foragidos do sistema prisional que foram beneficiados pela polêmica ‘saidinha de Natal’. O primeiro foi preso na segunda, 26, no Belo Horizonte. Detalhe: segundo divulgado pela Polícia, o homem seria o gerente do tráfico de drogas na localidade. A ação só foi possível após denúncias de moradores através do disque- denúncia. Ele já tinha sido condenado por violência doméstica e associação para o tráfico, e em dezembro foi beneficiado com a Visita Periódica ao Lar (VPL), no indulto de Natal, mas não retornou à unidade prisional.
Outro foragido foi preso na Vila Brasília, na terça, 27. Ele também havia sido beneficiado
pela ‘saidinha de Natal’ e não retornou ao sistema prisional. Com ajuda do disque-denúncia, ele foi encontrado na localidade onde é acusado de integrar uma quadrilha de tráfico de drogas por agentes da Recap (Divisão de Recapturas), da Secretaria de Admi- nistração Penitenciária.

Encapuzados no Atacadão
Um crime bem planejado e executado sem deixar rastros, como se filme fosse. Assim foi o assalto ao supermer- cado Atacadão, localizado no Vila Rica/Tiradentes, em Volta Redonda. O crime ocorreu na madru- gada de domingo, 25. Por volta da meia-noite, cinco homens encapuzados e armados entraram pelos fundos do supermercado e permaneceram por quatro horas no local.
A quadrilha rendeu a gerente e duas funcio- nárias em uma sala e ainda obrigou as funcionárias a acionarem pelo rádio o vigilante que estava em serviço, que também foi rendido. Eles ficaram presos em uma sala enquanto a quadrilha saqueava o cofre e o mercado.
Os bandidos ainda tentaram arrombar um segundo cofre, mas não conseguiram. Eles, entretanto, conseguiram levar o equipamento que grava as imagens e danificaram as câmeras de monitoramento. Antes de irem embora, saquearam a sala de bebidas e de cigarros. O prejuízo do Atacadão com o roubo ainda não foi revelado. Até o fechamento desta edição, nenhum dos cinco criminosos havia sido preso pelo assalto.