Por Mateus Gusmão
A noite nem tinha começado na sexta, 23, quando a notícia divulgada pelo aQui caiu como uma bomba em Volta Redonda. Bastou a capa da edição passada ser divulgada nas redes sociais – e os assinantes receberem o arquivo do jornal em seus celulares – para que mudanças começassem a ocorrer na política volta-redondense. É que a reportagem exclusiva dava conta de que caciques do Partido Liberal (PL) almoçaram, naquele mesmo dia, na casa do prefeito Neto.
Até aí, pode parecer normal, afinal o chefe do Executivo sempre recebe políticos em sua casa, onde oferece como banquete um almoço de comida árabe. O ‘xis’ da questão é que não era apenas um encontro entre amigos, entre políticos. No cardápio, estava a pré- candidatura do empresário Mauro Campos Pereira, o Maurinho, que até então era o presidente do diretório municipal do PL.
Ao saber da notícia, Maurinho ficou nervoso. Chegou a duvidar que ela fosse verdade. Mas era. Depois, gravou um vídeo dizendo que ‘Adélios’ estiveram na cidade – fazendo alusão ao homem que esfaqueou o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, que se chama Adélio.
Mauro chegou a dizer que, mesmo tendo sido surpreendido por deputados do PL almoçando com Neto, continuaria na legenda para ser candidato ao Palácio 17 de Julho. Tem mais. No domingo, 25, foi de ônibus para São Paulo, mais precisamente para a Avenida Paulista, onde Jair Bolsonaro promovia uma manifestação a seu favor. Líderes do PL, seu partido, obviamente estavam lá. Mas nem isso ajudou a sensibilizar a direção do partido a favor do empresário volta-redondense.
Tanto que na segunda, 26, Maurinho anunciou que estava deixando o partido. “Eu acabei de anunciar meu desligamento do diretório municipal e consequentemente minha desfiliação do PL. Apesar de toda minha admiração ao bolsonarismo, que é o que me norteia nessa pré-campanha, o partido infelizmente não condiz com a luta do nosso presidente (ex-presidente Bolsonaro)”, disparou Maurinho, confessando que o motivo que o levou a tomar tal decisão seria a reunião do prefeito Neto com deputados do PL.
“Nós que lutamos pela reeleição do nosso presidente não concordamos e não aceitamos ver o partido estar com conversas com o atual mandatário de Volta Redonda. É uma administração (a de Neto) antiga, retrógrada. Mas principalmente por terem apoiado a eleição do atual presidente (Lula)”, completou, em vídeo postado em suas redes sociais. “Além da sensação que tivemos de traição… Não fomos comunicados, nem sequer uma ligação, de que essas pessoas estariam em Volta Redonda. Isso não é comportamento de bolsonarista. Portanto, estamos nos desligando”, pontuou.
Tem mais. Maurinho jura que, mes- mo longe do PL, não vai desistir de ven- cer seu inimigo Neto nas eleições de ou- tubro. “Nós fomos convidados para ir ao Partido Novo. Aceitamos o convite e vamos disputar a eleição por esse par- tido, uma legenda nova, sem passado maculado, sem pessoas que venham de passado que não acreditamos. Essa tran- sição será bem-feita, com calma. E esta- mos rumo à vitória e a salvação de nossa cidade, para que volte a ser protagonista na nossa região”, completou.
O prefeito Neto – que, para debochar ou não de Mauro, chegou a postar foto do banquete árabe oferecido aos caciques do PL – confirmou que a legenda agora faz parte do seu grupo político. O prefeito ainda confirmou que o PL voltará a ser comandado pelo empresário Antônio Cardoso, que ficou à frente do partido desde a década de 80, até ser destituído primeiro por Granato, ex-vereador, e depois por Mauro Campos. Detalhe: Neto e Cardoso já até posaram para foto juntos no Palácio 17 de Julho durante a semana. “Sou amigo do Cardoso, que era e agora voltou a ser o presidente do partido. Uma covardia o que tentaram fazer com ele”, pontuou, fazendo alusão de Maurinho ter entrado no partido como presidente, tirando a liderança da legenda do empresário volta-redondense.
NOTA DA REDAÇÃO- O aQui tentou uma entrevista com o empresário Mauro Campos para tratar do assunto. Entre outras, a reportagem queria saber o que será feito da sede do PL, no Aterrado, inaugurado por ele. E, como foi para o Novo, – partido com poucos recursos financeiros – quem irá bancar sua campanha eleitoral. Até o fechamento desta edição, entretanto, não houve retorno.
