Comandando a FOA

Eduardo Prado assume presidência da Fundação Oswaldo Aranha e fala de seus projetos

Desde que o primeiro caso de Covid-19 foi detectado no estado do Rio, as atividades do UniFOA só ficaram paralisadas durante 15 dias. A informação foi revelada pelo advogado Eduardo Prado, hoje presidente da Fundação Oswaldo Aranha, alçado ao cargo mais importante do meio universitário da região com a morte de Dauro Aragão, de quem Prado era vice-presidente. Em entrevista exclusiva ao aQui, ele se revela um defensor do sistema híbrido, apresenta seus planos e entende que muitas instituições de ensino superior vão fechar por conta da Covid-19. Aborda ainda a ligação da FOA com o governo Neto, que se prepara para assumir o anexo que a instituição construiu ao lado do Hospital do Retiro.
Acostumado a trabalhar nos bastidores da vida universitária, Eduardo Prado terá um novo desafio: conviver com a política.
Veja abaixo a íntegra da entrevista concedida por Eduardo Prado ao aQui:

aQui: Em entrevistas, o senhor contou que Dauro Aragão desde 2012 vinha trabalhando para indicá-lo como seu sucessor. Então o senhor está mais do que preparado para o desafio de ser presidente da FOA, não? Pensa em modificar alguma coisa na estrutura da entidade?
Eduardo Prado: O Presidente Dauro Aragão nutria este projeto desde 2012 e durante esse tempo, ele sempre conversou com diversos Participantes da FOA e membros dos seus Conselhos, bem como empresários e representantes de entidades civis organizadas de Volta Redonda. Durante estes anos, ele foi me concedendo diversas atividades no setor acadêmico e institucional. Tive Dauro Aragão e Jairo Jogaib como meus mentores, oportunidade ímpar de aprendizagem.
Participo da gestão universitária desde 2003 e da gestão institucional desde 2006. As mudanças em uma universidade acontecem a todo momento. Os projetos pedagógicos e seus currículos acadêmicos estão sempre em mutação, fruto da regulação do Ministério da Educação (MEC), ou do setor produtivo e, monitorar essas mudanças, garante ao UniFOA a oferta de um currículo atual e flexível ao aprendizado. As modificações que acontecem já foram planejadas em anos anteriores pelo nosso Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que vigora por cinco anos. Assim, o desafio não começou agora e nem terminará.

aQui: Hoje, a FOA vive um dilema: voltar ou não com as aulas presenciais. Qual é a opinião do senhor? E o que será feito?
Eduardo Prado: O dilema é mundial, não é um fato apenas no UniFOA. Há muito tempo defendo a implantação do ensino híbrido. Entendo que essa é a modalidade mais adequada para o processo de ensino-aprendizagem que deve ser centrado no estudante, tornando-o protagonista de sua jornada acadêmica.
A hibridez permite, inclusive, conjugar que o conteúdo curricular possa ser apresentado em tempo real, de forma síncrona, durante o horário da aula, diretamente com o professor, por meio de tecnologias, promovendo a interação com o aluno e também com atividades presenciais no UniFOA. Esse modelo é diferenciado do EaD tradicional, que tem por característica o formato assíncrono de ensino.
Com o início da pandemia e a imposição do afastamento social, várias instituições de ensino paralisaram suas atividades, enquanto o UniFOA ficou sem atividades por apenas 15 dias, tempo necessário para capacitar nossos professores e colocar em curso uma gama muito grande de informações em plataforma intermediada por tecnologia digital. Essa ferramenta pode ser utilizada tanto no ensino presencial como no ensino a distância, proporcionando segurança das informações e conforto ao estudante que pode participar das atividades acadêmicas de qualquer lugar do mundo, bastando ter acesso à internet em seus dispositivos.
Neste momento, retornar com o ensino 100% presencial representaria uma perda do avanço obtido com a tecnologia, além da insegurança das pessoas em relação à Covid-19, embora existam protocolos de biossegurança em todo o complexo acadêmico. Tanto no ensino presencial quanto naquele intermediado por tecnologia, o mais importante ainda é o professor, que necessita acompanhar as necessidades particulares de aprendizagem de cada um de seus estudantes. Vamos continuar este semestre avançando nas atividades acadêmicas, porém sempre em constante observação e avaliação do estado da pandemia. Durante este período, nos adequamos para realizar nossas atividades práticas presenciais, necessárias à conclusão do curso eleito pelo estudante, obrigação esta assumida pelo UniFOA.

aQui: Existe algum plano de expansão, algum novo curso em vista?
Eduardo Prado: O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) de nossa Instituição foi concebido em 2017 com vigência até 2021, constantemente atualizado, enviado ao MEC conforme preconizado pelas normas educacionais vigentes. Posso adiantar que existem novidades que estão em fase de aprovação no UniFOA e no MEC, e serão anunciadas em breve, sobre novos cursos, em novo formato acadêmico, nas modalidades de graduação, pós-graduação lato e stricto sensu, técnicos e cursos livres.

aQui: A pandemia mudou completamente o cenário das escolas de ensino. O que fica de aprendizado disso tudo? E quais as previsões de mercado para os próximos anos?
Eduardo Prado: O setor educacional sofrerá muitas transformações até o final desta década. Muitas instituições de ensino irão desaparecer em função da redução no quantitativo de estudantes, uma realidade atual, principalmente pela falta de financiamento estudantil adequado, bem como por aquisições dos grandes grupos educacionais. Neste momento de pandemia, o ensino a distância assíncrono cresceu muito, enquanto o presencial, amarga retração. Qualquer que seja o empreendimento, se não houver adequação do modelo de negócio ao cenário atual, respeitando sempre as necessidades da sociedade, a tendência é ficar obsoleto e desaparecer do mercado. Contudo, não se pode deixar de destacar o grande aprendizado envolvendo o processo transformador do ensino, ou seja, os nossos estudantes passaram a desenvolver competências com uso de novas tecnologias e docentes inovaram suas práticas, no sentido de alcançar resultados extraordinários no processo de ensino/aprendizagem, isso tudo de forma otimizar o tempo de todos. Portanto, o sucesso depende do esforço conjunto entre professores e estudantes na melhor formação profissional.

aQui: A FOA, com sua escola de medicina, sempre atraiu centenas de universitários. O que falta para que eles, em termos de cidade, possam se sentir em casa?
Eduardo Prado: Volta Redonda tem papel fundamental na história do desenvolvimento industrial do Brasil e aqui foi construída a maior usina siderúrgica da América Latina por cidadãos de todo o país. Essa característica faz com que nossa cidade seja sempre muito acolhedora e, por isso, nossos alunos que vêm de outros Estados, têm oportunidade de se adaptarem em todos os aspectos de suas necessidades. Assim, entendo que a cidade agrega características às já presenciadas pelos novos discentes em seu cotidiano.

aQui: A FOA sempre manteve bom relacionamento com o Neto, atual prefeito, tanto que antes mesmo de ser empossado, ele já falava em retomar as obras do Anexo da entidade ao lado do Hospital do Retiro. Por que esse anexo ficou com as obras paradas por tanto tempo?
Eduardo Prado: A FOA construiu com recursos próprios um prédio de 4 andares e, através de Convênio com o município de Volta Redonda, cedeu 3 andares para a Prefeitura. O segundo andar é utilizado exclusivamente pela FOA, sendo os demais pavimentos objetos da cessão realizada em 2012. O município, pelas suas políticas de saúde, escolhe como melhor atender à população, estamos apenas, como sempre fizemos, apoiando a saúde na medida que a Universidade pode atender com seus professores e alunos. É fato que o município de Volta Redonda utiliza o primeiro pavimento desde aquela data.

aQui: A parceria para a prefeitura utilizar o anexo da FOA vai dar algum retorno financeiro para a entidade? A prefeitura vai pagar aluguel, manutenção? Ou vai oferecer apenas estágios para os estudantes dos mais diversos cursos da FOA?
Eduardo Prado: O único retorno que o UniFOA busca é a aprendizagem, a retenção do conhecimento para que nosso estudante seja um profissional bem-sucedido. A FOA se mantém, exclusivamente, do valor de suas mensalidades e aplica seus recursos, integralmente, no Ensino Superior. Quanto ao estágio, o hospital universitário faz a diferença para os estudantes de diversos cursos, principalmente da área de saúde. Nos orgulhamos de construir uma história na região, iniciada em cima de um posto de gasolina em 1967 no bairro Aterrado e, hoje, somente nos últimos 23 anos, ter realizado gratuitamente mais de 1.700.000 atendimentos através de seus cursos. O convênio entre a FOA e o município não prevê pagamento entre as partes, se tratando de instrumento de esforços unilaterais em prol de um bem comum, a saúde da população e o aprendizado dos estudantes.

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