Com gás

Secretária de Saúde pede que MP investigue Samuca por miniusina de oxigênio do Hospital do Retiro

Os corredores do Palácio 17 de Julho estão pegando fogo. Não é para menos. A secretária de Saúde, Conceição Souza, continua sua cruzada contra o ex-prefeito Samuca Silva, envolvendo ainda, dependendo da denúncia, dois dos seus ex-titulares da pasta, Alfredo Peixoto e Erica Pitzel. A última cartada foi apresentar mais uma denúncia ao Ministério Público do Estado pedindo providências contra Samuca e Alfredo por colocarem a vida de muitos voltarredondenses em perigo.
Nos documentos enviados ao MP, a que o aQui teve acesso, Conceição diz, entre outras, que a usina de oxigênio do Hospital do Retiro, instalada durante o governo passado, quando a unidade era administrada por uma OS, a Mahatma Gandhi, teve que ser trocada por estar gerando apenas 15% das necessidades das pessoas em tratamento contra a Covid-19. Ou seja, a falta de oxigênio, que agora começa a ser sentida em vários municípios da região, já era comum em Volta Redonda. “(Estava) ‘comprometendo a vida dos pacientes’”, diz um dos trechos da denúncia feita por Conceição.
Para embasar sua denúncia, Conceição encaminhou vários documentos ao MP. “Nossa Usina Geradora de Oxigênio não está gerando Oxigênio suficiente para atender nossas necessidades, com isso a fisioterapia não tem qualidade para ventilar pacientes com COVID-19, comprometendo a vida dos pacientes. Venho constantemente fora do horário de meu expediente para atender chamados do CTI pela baixa pressão devido a usina gerar apenas 15 metros cúbicos, quando nossa necessidade seria três vezes essa quantidade”, escreveu o responsável pelo setor de manutenção do Hospital do Retiro.
“Já informei o problema anteriormente (ao ex-prefeito Samuca, grifo nosso). Mas não tive sucesso. Peço urgência pelos nossos pacientes, outro lado técnico será enviado pelo responsável técnico de emergência clínica com explicação técnica sobre esse assunto”, acrescentou em memorando enviado já ao prefeito Neto, com data de 21 de janeiro último.
Conceição anexou outro relatório, elaborado pela Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Retiro sobre o atual funcionamento da rede de oxigênio da UTI, e ele mostra que, além da quantidade, a miniusina não fornecia oxigênio de qualidade aos pacientes da sala vermelha do HR, onde ficam os que contraíram a Covid. “Atualmente a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Dr. Munir Rafful, assim como os demais setores de internação, são supridos com uma rede de oxigênio insuficiente em relação ao volume visto relatório técnico após análise do funcionamento da atual usina de oxigênio medicinal”, revela a coordenadora.
Ela vai além. “A capacidade da atual usina é de gerar 15 metros cúbicos por hora sendo que o ideal para o funciona-mento do hospital seria de 40 metros cúbicos por hora conforme previsto pela norma ABNTNBR12188:2016/RDC50. Outro agravante se dá pela qualidade do ar da rede de oxigênio ser muito inferior ao que se prevê pela norma”.
Para piorar a situação dos envolvidos no ‘x’ da questão, o relatório garante que a saúde dos pacientes foi colocada em risco. “A atual insuficiência da rede de oxigênio pode ter contribuído de maneira negativa para o desfecho da doença de alguns pacientes que lá estiveram internados nos últimos tempos”, afirma a coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva. A afirmação corrobora a denúncia que Conceição fez, inclusive, a vários vereadores de Volta Redonda, de que não descartava terem ocorrido óbitos por falta de oxigênio no HR.
Na época, de acordo com os documentos obtidos pelo aQui, e “por conta da inadequação do funcionamento da atual usina geradora de oxigênio do Hospital Dr. Munir Rafful foram tomadas medidas para fazer a manutenção da segurança do paciente lá internado e garantir suficiência em seu tratamento” detalhou, confirmando a seguir a informação do aQui de que o Hospital do Retiro estaria transferindo pacientes para o Hospital Regional. “Optamos por manter o funcionamento com menos de 50% dos leitos de UTI visto tamanha gravidade do problema. Hoje o paciente que necessita de terapia de suplementação de oxigênio corre um grande risco podendo levar a desfechos muito graves ou até mesmo a morte”, detalhou a coordenadora.
“Portanto faz-se necessária, de maneira urgente, a adequação da rede de oxigênio do Hospital Dr. Munir Rafful para o retorno da capacidade total da atividade da Unidade de Terapia Intensiva com qualidade e segurança a nossa população”, finalizou.
A denúncia
O ofício (0129/2021) ao MP foi enviado em 19 de fevereiro e assinado por Conceição Souza. Nele, ela dá conta da existência de um Processo Administrativo (00162/2021/FMS) que dispõe sobre o estado de funcionamento da Usina de Oxigênio do Hospital Municipal Munir Rafful. “Esse encaminhamento se deve em razão da necessidade de instauração de procedimento adequado para apuração de responsabilidade, tendo em vista que (houve, grifo nosso) a necessidade de reduzir a capacidade de atendimento da referida unidade para não colocar em risco a vida dos pacientes”, justificou.
Conceição fez mais. “É público e notório o caos que foi encontrado o sistema de saúde municipal, exigindo medidas emergenciais em todos os sentidos a fim de evitar descontinuidade de serviços para resguardar a segurança da população, especialmente nesse momento de pandemia que passa o país”, disse, anunciando que já teria deflagrado “processo de contratação emergencial de tanque de Oxigênio para atendimento adequado” na unidade.

Hospital do Retiro ganha 10 novos leitos

Na quarta, 24, já com o fornecimento de oxigênio garantido, a prefeitura de Volta Redonda, liberou 10 leitos de UTI para uso no Hospital do Retiro. Serão usados no tratamento de pacientes internados com a Covid-19. Além disso, retomou o uso de 14 leitos destinados à clínica médica. “Agora temos uma rede segura, com oxigênio de qualidade e em quantidade suficiente. Com isso, vamos ampliar e melhorar o atendimento”, destacou Márcia Cury, diretora-geral do HR.
Além dos 10 leitos de UTI abertos, em breve, a prefeitura poderá abrir mais 10 vagas para pacientes em estado grave pela Covid-19. Isso será possível quando o governo receber os equipamentos necessários para montagem dos novos leitos de UTI, através de uma doação da Federação Paulista de Futebol.
Os novos leitos serão usados no anexo da FOA junto ao Hospital do Retiro. As obras físicas no local já terminaram e correram graças a uma campanha de arrecadação junto a comerciantes e empresários locais, além de pessoas físicas e até mesmo igrejas. Da mesma forma, a rede de gás já foi instalada e, com os equipamentos chegando, será possível inaugurar a primeira ala da nova unidade. O local tem capacidade para abrigar até 20 leitos de UTI e 12 de UI (Unidade Intermediária).

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