domingo, maio 3, 2026
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Efeito colateral

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O leitor do aQui ficou sabendo na edição 1029, de 21 de janeiro, que os blocos clandestinos, conhecidos como ‘Isoporzinhos’, voltaram a agitar as tardes de Volta Redonda. Organizados pelas redes sociais, sem lideranças identificadas, os blocos levaram milhares de jovens, por dois finais de semana seguidos, à Praça da Colina, na São Geraldo, e ainda na Vila Mury. Sem estrutura, os ‘foliões’ faziam suas necessidades em qualquer árvore ou parede de casas, e os bares tiveram que fechar as portas, pois os clientes sumiram, com medo, é claro. Os próprios moradores não conseguiam sair de carro, pois as ruas estavam fechadas. Isso sem falar no funk, na maior altura, nas brigas e bebedeiras. Resultado final: a chiadeira ecoou por toda a cidade.

 

Foi tanta que bateu no Palácio 17 de Julho que, diante da reclamação de moradores e comerciantes, decidiu montar uma Força Tarefa para evitar que o Isoporzinho ocupasse a Colina no sábado, 25. A Guarda Municipal, por exemplo, fechou as ruas para evitar o acesso dos carros dos foliões, permitindo apenas que moradores usassem seus veículos. Um ônibus do Ciosp ficou estacionado na praça e até uma faixa, alertando que vender bebidas alcoólicas para adolescentes é crime e pode levar à prisão, foi colocada em vários pontos da pracinha do bairro. A operação foi um sucesso. Nem sequer um desavisado apareceu com bolsa térmica em busca do bloco, fato comemorado pelo prefeito Samuca Silva.

 

Mas nem tudo pode ser visto como confete e serpentina. Inviabilizado na Colina, o Isoporzinho foi parar em diversos bairros, três para ser exato e no mesmo horário. “Esse ‘Bloco do Isopor-zinho’ não tem hora para acabar, incomoda moradores, há venda de bebidas alcoólicas para menores. Então precisamos unir forças para coibir esse tipo de evento. Conseguimos desarticular o bloco que acontecia na Colina, mas como efeito colateral ele foi para outros bairros, como Aero Clube, Vila Mury e Vila Rica”, comentou o prefeito Samuca Silva (PV). Ele tem razão. Tanto que para ontem, sexta, 4, estava marcado para acontecer no Água Limpa.

 

O comentário de Samuca foi feito na terça, 31, depois de uma reunião marcada justamente para criar uma Força Tarefa para ajustar a conduta dos blocos. E para evitar que adolescentes consumam bebidas alcoólicas e que os eventos não tirem o sossego dos moradores. Participaram do encontro representantes da Vara da Infância e Juventude, do Ministério Público Estadual, Câmara de Vereadores, Conselho Tutelar, Guarda Municipal e polícias Militar e Civil. O prefeito Samuca e o juiz da Infância e Juventude, Alberto Pontes, sugeriram que a força tarefa se preocupasse principalmente com os menores de idade. “São ambientes degradantes e maléficos aos menores. Esses jovens e crianças não devem estar lá e sim num local protegido”, disse Pontes, que colocou a sua equipe à disposição da Força Tarefa para combater o ‘Isoporzinho’.

 

O comandante da Guarda Municipal, Paulo Henrique Dalboni, lembrou que o movimento já existiu em outros anos. Porém, em 2017, os blocos do Isoporzinho estão se proliferando. “Tem encontros que reúnem mais de dois mil jovens. É uma perturbação da ordem pública que precisa do apoio de todos para evitar as ações criminosas dentro desse movimento, como o consumo e venda de entorpecentes”, esclareceu Dalboni. “Isso já aconteceu há alguns anos e a maioria é criança e adolescente. Eles buscam lugares onde há venda de bebida alcoólica, bares e mercados”, destacou.

 

Tem mais. Uma equipe de inteligência da Polícia Civil, segundo o delegado da 93ª DP Eliezer Lourenço, já está identificando os organizadores desse movimento para que sejam chamados a prestar esclarecimentos. “Nossos homens estão empenhados em descobrir cada líder desse movimento. E punir aqueles que estão infringindo a lei”, afirmou o delegado. O comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Damião Luiz Portella, sugeriu que o trabalho em conjunto seja permanente. “Acredito que esse movimento cresceu por conta da proximidade do Carnaval. Porém, temos que ter atenção durante o ano inteiro”, ressaltou o comandante do 28º BPM, que foi acompanhado por um representante da 5ª Risp (Região Integrada de Segurança Pública). O presidente da Câmara, Sidney Dinho, e a promotora da Infância e Juventude, Luciana Menezes, também participaram do encontro.

De Bloco Gay ao Que Merda é Essa

A Folia de Momo – autorizada pelo Palácio 17 de Julho – vai começar, oficialmente, amanhã, domingo, 5, em Volta Redonda. O ‘Bloquinho Universitário’ desfilará pela Rua Jayme Pantaleão, no Aterrado, a partir das 13 horas. Ele é um dos 21, entre 42, que conseguiram autorização da secretaria de Cultura para sair nas ruas da cidade do aço. Detalhe: terá até bloco LGBT – trata-se do ‘Tô no Brilho’, que vai desfilar no domingo, 12. O único bloco que receberá subsídio do governo é o Bloco da Vida, voltado à terceira idade, que desfilará no dia 24, abrindo o Carnaval da Família. Os demais receberão apoios logísticos para que façam um carnaval organizado e ordeiro – sem custo para a prefeitura. E sem isoporzinho.

A estimativa é que mais de 30 mil pessoas acompanhem os blocos de Volta Redonda, segundo a secretária de Cultura, Márcia Fernandes. Para o ano que vem, a intenção é que seja criada uma Liga Carnavalesca para reunir os blocos carnavalescos e escolas de samba. “Desta forma, Volta Redonda entra oficialmente no circuito do Carnaval do estado do Rio. Assim, eles poderão buscar patrocínios da iniciativa privada”, salientou Márcia Fernandes.

Confira a lista dos blocos autorizados pela prefeitura

5/02: domingo

Bloquinho Universitário – Aterrado

 

11/02: sábado

Vai que Cola -Vila Mury

Que Merda é Essa – Conforto

 

12/02: domingo

 Tô no Brilho (primeiro bloco LGTB da cidade) – Centro

 Meninos do Batuque – Belmonte

 

17/02: sexta

 Bloco da Orla – Volta Grande III

 Bloco do Cabecinha – Limite entre Conforto/Eucaliptal

 

18/02: sábado

Alegria Alegria – Parque das Ilhas

Os Caretas – Sessenta

Camisolas – Limoeiro

Loucos Pela Arte – Vila Americana

Piranhas da São Geraldo

 

19/02: domingo

De Volta na Redonda – Vila

Bloco do Lençol – Aterrado

Em Cima da Hora – Bom Jesus

 

23/02: quinta

Bloco do Créu – S. Rita do Zarur

 

24/02: sexta

Bloco da Vida – Vila 

 

26/02: domingo

Pé de Galinha – Vila Rica

 

28/02: terça

Nóis Trupica, Mas Não Cai, – Morro da Conquista (Santo Agostinho)

Emoxonados – Siderópolis

 

5/03: domingo

Bloco Galo Vermelho – Aterrado

Quem tem direito?

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Pollyanna Xavier

Na edição passada, o aQui mostrou o resultado da primeira fase do processo movido pelo Sindicato dos Engenheiros contra a CSN, na questão do plano de saúde para os aposentados. E apenas 11 engenheiros, que se aposentaram na empresa antes dela ser privatizada,  tiveram direito ao plano de saúde. Como o número foi muito pequeno, o presidente do Senge, João Thomaz, ajuizou novas ações na Justiça do Trabalho para garantir o benefício a um número maior de aposentados. E parece estar conseguindo. “Temos uma média de 300 processos represados”, avisa.

 

O processo que beneficiou apenas 11 engenheiros era de 1998. Em 2014, João Thomaz recorreu, novamente, à Justiça para garantir o plano de saúde a um número ainda maior de aposentados da CSN. Só que desta vez vários processos individuais foram montados e ele chegou a propor ao Sindicato dos Metalúrgicos que fizesse o mesmo para os seus associados. “Na época eles não quiseram”, revelou João Thomaz, acrescentando que os processos individuais teriam caído em varas distintas Uns eram deferidos, outros não.

 

“Não entendíamos os critérios que a Justiça usava. Quando vimos que uns ganhavam e outros não, recorremos e pedimos ao Tribunal que unificasse todos os processos, uma vez que a demanda era a mesma para todos. A decisão saiu agora na segunda instância (TRT-Rio) e favoreceu os aposentados que foram admitidos antes do edital de privatização da empresa, que se aposentaram na empresa e que entraram com processo na Justiça do Trabalho até dois anos após a aposentadoria. Estes três requisitos são importantíssimos. Quem estiver enquadrado nestes três requisitos vai ganhar”, esclarece.

 

De acordo com João Thomaz, com a decisão do TRT-Rio, dada em dezembro ano passado, ficou impossível para que juízes de varas distintas decidam diferentemente um do outro. “Agora não tem como julgar de forma separada. Os processos foram todos unificados. Ou ganham todos ou não ganha ninguém. Por enquanto estamos ganhando”, comemora, acrescentando que ainda não ocorreu o trânsito em julgado. Ou seja, a CSN poderá recorrer da sentença, levando a questão para ser discutida e decidida em Brasília.

 

Situação Atual

 João Thomaz esclareceu ainda que, embora a ação tenha sido ajuizada pelo Sindicato dos Engenheiros, ela envolve todos os aposentados ‘qualificados’ da CSN, FEM, CBS, Fugemss e Apservi, engenheiros ou não. “Não são apenas os nossos associados engenheiros. Isto precisa ficar claro. A decisão é para aposentados, independente da profissão exercida na CSN. O que se discute não é a classe do trabalhador e sim se ele estava na empresa antes do edital de privatização e se ele se aposentou na empresa depois do edital”, reforçou.  

 

Ainda de acordo com João Thomaz, a decisão de Brasília resultará em Jurisprudência, beneficiando os aposentados que entrarem com novos processos.

Novidade

A ação que garante o benefício do plano de saúde aos aposentados da CSN esbarra num impasse legal: trata-se da prescrição para ajuizar a ação. Segundo João Thomaz, a CLT estabelece um prazo de dois anos da rescisão contratual para que o empregado (celetista) exerça o direito da ação na Justiça. Se este prazo passar e a pessoa não ajuizar nenhuma ação, ela perde o prazo para reivindicar algum direito. Por conta deste impedimento, muitos aposentados que entraram na CSN antes da privatização e se aposentaram na empresa perderam a chance de se beneficiar com o plano de saúde.

 

A novidade é que o Sindicato dos Engenheiros (Senge) vai entrar na Justiça para tentar derrubar a prescrição de dois anos. Se conseguir, um número muito maior de aposentados da CSN poderá ser beneficiado com as ações do Plano de Saúde. A informação foi divulgada no boletim do Senge, que está convocando os interessados para uma reunião de esclarecimento na segunda, 6, na sede da Associação dos Engenheiros de Volta Redonda. “O Senge vai entrar com novas ações judiciais relativas ao Plano de Saúde dos Aposentados da CSN, mesmo para quem já se desligou há mais de dois anos, que tenha trabalhado antes da Privatização e aposentado antes do eventual desligamento e não entrou com a ação”, esclarece. Ainda de acordo com a publicação, o Senge fará atendimento jurídico todas as segundas e quartas, das 14 às 18 horas. Mais informações em (24) 3353-1606 ou 3342-4320.

Alarmante

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Mateus Gusmão

Desde que a crise econômica começou a assolar o Brasil – especialmente o estado do Rio – a segurança pública entrou em colapso. E os casos de criminalidade, que estavam diminuindo, voltaram a aumentar assustadoramente. Só para se ter uma ideia de como é grave a crise, no ano passado foram registrados mais de 1.300 furtos e roubos em Volta Redonda e Barra Mansa. Fora os que as vítimas não quiseram registrar. O número corresponde a cerca de quatro casos por dia. O levantamento foi feito pelo aQui junto ao Instituto de Segurança Público do Rio e corresponde ao período de janeiro a dezembro de 2016 (confira a tabela abaixo).

 

Em Volta Redonda, os casos de roubos a pedestres aumentaram em mais de 500%, quando se compara com o ano passado. Foram, ao todo, 373 casos. Os homicídios também aumentaram, de 50, em 2015, para 64 em 2016. Para o tenente-coronel Damião Luiz Portella, comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar, a crise econômica tem tudo a ver. 

 

“Volta Redonda é o centro comercial de todo o Sul Fluminense. Isso causa um impacto na segurança pública, na guerra ao tráfico, ao roubo e furto de veículos. A crise atingiu todo o Brasil e o desemprego, especialmente em Volta Redonda, é um dos fatores”, disse o militar, ressaltando que outro fator que fez aumentar, nas estatísticas, o número de furtos e roubos é que as vítimas estão passando a fazer os BOs (Boletins de Ocorrência). “Hoje há uma facilidade para as pessoas fazerem registro. Naturalmente os números foram se corrigindo de um ano para outro”, pondera.

 

Sobre os homicídios, que em Volta Redonda foram 64 – contra 34 em Barra Mansa –, o tenente-coronel Portella destacou que a maioria estaria ligada ao tráfico de drogas. “Uma pequena parcela é crime passional, como traição ou algo parecido. A maioria é ligada ao tráfico, muito raro acontece um caso diferente disso. Às vezes não são pessoas que são do tráfico, mas são pessoas que estão devendo ao tráfico de drogas. Então é difícil. Tem que ter prevenção às drogas, ao álcool”, opina, ressaltando que a crise que assola a Polícia Militar também atrapalha a questão da segurança. “A Polícia Militar está nas ruas. A demanda aumentou muito e os meios que temos diminuíram devido à crise do Estado. A gente conta com o apoio da prefeitura, por exemplo, para que nossas viaturas tenham manutenção”, explicou.

 

Outro policial procurado pelo aQui foi o delegado da 93ª Delegacia de Polícia, Eliezer Lourenço. Ele fez questão de explicar, por exemplo, que os roubos de rua aumentaram em todo o Estado. “Não é só em Volta Redonda que isso está acontecendo. No Rio, Niterói, São Gonçalo, aumentou muito. Estamos em um patamar ainda, digamos, aceitável. Colocando números de habitantes, quase 300 mil, e em comparação com a Baixada Fluminense, os números estão ainda aceitáveis. Está bom? Meu Deus, claro que não. Queremos diminuir”, bradou, salientando que a Polícia não está em todo lugar para impedir os crimes de rua. “E os vagabundos sabem disso. Eles passam por um lugar e quando veem a Polícia, vão assaltar em outro. A nossa mancha criminal, por exemplo, é diferente, porque os crimes são pulverizados. Se os crimes fossem só em um bairro, a gente atacava lá”, disparou.

 

“A Polícia está trabalhando para minimizar isso (os crimes de rua). Acabar a gente nunca vai acabar, temos que dizer isso. Se fosse perfeito, nos EUA não tinha roubo nem tráfico. Então imagina no nosso País ainda em fase de crescimento?”, comparou. “Nós estamos também em uma fase muito ruim em relação ao Estado. Policiais civis sem receber salários, alguns agentes em greve. Tudo isso traz uma preocupação para gente ainda maior”, concluiu.

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