domingo, novembro 8, 2026
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Viva!

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O aQui na edição passada noticiou, com exclusividade, a abertura oficial do Hospital Regional para o dia 28 de março. Erramos por pouco. É que a inauguração, confirmada pela secretaria estadual de Saúde, será no dia seguinte, 29 de março. De acordo com as informações da secretaria, a unidade vai abrir as portas oferecendo 30 leitos para pacientes da UTI adulta e 10 para da UTI pediátrica – uma das maiores carências da região –, além de 30 leitos de enfermaria adulta e 10 pediátrica.

 

Neste primeiro momento, também irá funcionar uma central de imagens, com exames de tomografia computadoizada, mamografia, ressonância, ultrassonografia e ecocardiograma. O Hospital Regional não receberá pacientes de emergências – acidentes, por exemplo, que ocorrerem na Via Dutra – no chamado regime de “portas abertas”. A unidade só atenderá pacientes que sejam encaminhados pelo Sistema Estadual de Regulação.

 

A secretaria de Estado de Saúde confirmou ainda que será responsável pelo custeio da unidade – o valor não foi informado – na fase inicial, mas que a estratégia é conseguir a contrapartida de recursos federais para a ampliação de serviços.

 

A dúvida é se o hospital terá outra inauguração, com a presença do governador Luiz Fernando Pezão e do secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior, assim como foi feito em dezembro de 2016, quando estiveram ao lado do ex-prefeito Neto – e de vários outros da região – para a cerimônia de entrega das obras civis da unidade.  

 

Dia D

A secretaria estadual de Saúde realiza neste sábado, 3, um novo Dia D de vacinação contra a febre amarela em todos os 92 municípios do estado. Essa é a terceira grande mobilização realizada pela SES desde a entrada do vírus da febre amarela no território fluminense e tem como objetivo ampliar ainda mais a cobertura vacinal contra a doença. A expectativa é vacinar cerca de 500 mil pessoas. “A vacinação em massa é a única forma de contermos o avanço da febre amarela no estado. Já vacinamos mais de dez milhões de pessoas, mas ainda precisamos imunizar cerca de quatro milhões de cidadãos. Saímos de um percentual de 3% da população vacinada para mais de 71%. Nosso objetivo é imunizar 14 milhões de pessoas e vamos continuar a campanha até que todo nosso público alvo esteja vacinado”, afirmou o titular da pasta, Luiz Antonio.

 

Barra Mansa

A secretaria de Saúde de Barra Mansa recebeu na quinta, 1º, o laudo do Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels da secretaria Estadual de Saúde confirmando a morte por febre amarela de um idoso de 63 anos morto – na terça, 27 – em um hospital particular do município. A ocorrência não entra para o Boletim Epidemiológico da secretaria de Saúde do Estado do Rio por se tratar de um caso importado de Minas Gerais. O local da provável infecção teria sido em Bom Jardim de Minas (MG), área com transmissão ativa da doença.

 

Caminhoneiro aposentado, o morador residia na Vila Independência, mas ajudava na construção de sua casa na cidade de Bom Jardim de Minas durante a semana. No último dia 20, ele foi atendido na cidade mineira com suspeita de febre amarela, apresentando os sintomas de dor abdominal, sinal de Faget e aumento de transaminases. Ele foi admitido no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) de um hospital particular de Barra Mansa no dia 21, vindo a falecer no dia 27.

‘Nas coxas, não!’

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Vinícius de Oliveira

Desde que a Educação de Barra Mansa passou a ser regida pela batuta do maestro Vantoil de Souza, o ritmo, vira e mexe, perde o compasso, gerando ruídos polêmicos. Desta vez, o secretário – autor da ordem que obrigava professores e alunos a rezarem o Pai Nosso e a entoarem hinos cívicos dentro da escola – assina um projeto de educação em tempo integral que vem chamando a atenção da população. Embora o município não seja o primeiro a oferecer essa modalidade de ensino na região (Volta Redonda, por exemplo, já o faz, ainda em modo experimental, desde 2015), um reboliço tão grande nunca foi visto em nenhum outro lugar.

Durante a última semana, pais e professores foram às ruas protestar contra a escola em tempo integral de Vantoil. Se vestiram de preto, escreveram cartazes com palavras de ordem e fizeram passeatas, criticando a iniciativa. Segundo os responsáveis pelas manifestações, tudo teria sido feito ‘nas coxas’, de modo que a população não tivesse sequer direito de escolha. “Não seríamos contra o ensino integral se houvesse estrutura nas escolas para abrigar nossas crianças”, pontuou um dos presentes.

 

Isa Maria, uma das diretoras do Sindicato dos Profissionais da Educação de Barra Mansa (Sepe-BM), concorda. Diz que as adaptações feitas em uma das escolas são sofríveis. “Eu estive visitando as escolas na Vista Alegre contempladas com o horário integral, junto com os manifestantes. Tive vontade de chorar quando vi a Escola Eliete de Oliveira Ferreira. Vi barracões que funcionarão como salas de aula. O material é  de Madeirite e o telhado é de Brasilit. É como se quisessem enfiar qualquer coisa ali, menos um ser humano”, desabafou Isa, desmentindo a propaganda de Vantoil de que tudo teria sido “feito para garantir o total conforto dos estudantes”.

 

Segundo Isa, na escola (Eliete de Oliveira Ferreira) a emenda foi pior que o soneto. “Parece que a construção das salas foi feita em uma rua que a prefeitura desativara. Isso é um problema porque, quando chove, a água da enxurrada passa por lá. Quando o Rio Paraíba sobe também é por lá que as águas escoam”, comentou a sindicalista, preocupada.

 

Pais e sindicato também reclamam da falta de diálogo do governo Rodrigo Drable (PMDB). Tal como faz em uma orquestra, Vantoil gira a batuta e manda ‘seguir o baile’. “Alguns alunos fazem curso fora da escola, são bolsistas no Senai, por exemplo, mas a orientação que tivemos é que eles vão ter que procurar outro colégio para estudar se quiserem manter as duas coisas. Fomos apenas comunicados sobre a mudança; não houve diálogo. As coisas não podem ser assim; deveria ser op-cional”, reclamou outro manifestante.

 

Para Isa, a falta de transparência pôs em xeque o projeto para a Educação barramansense. “O que a gente questiona é a falta de discussão com a comunidade escolar (pais, professores e alunos), porque a infraestrutura do ensino regular já é péssima: falta material didático, professores, merenda, enfim, uma série de situações. Imagina se tudo isso acontecer em uma escola integral? Seria complicado”, avaliou, ressaltando que nem mesmo o Sepe foi procurado para discutir a questão e dar opiniões. “Não foi discutido em momento nenhum, em lugar nenhum, faço parte do Conselho de Educação e só vim a saber mesmo na semana passada quando os pais foram reclamar. Aí o secretário fez uma exposição muito friamente para os conselheiros”, completou.

 

Vantoil desmente. Segundo ele, o espaço das escolas foi readequado e, diferente do que denuncia Isa, não foram utilizados contêineres ou barracões. “Foram construídos módulos, com excelente qualidade, com isolamento termo-acústico e climatizados com ar-condicionado. O município adquiriu mobiliário escolar para suprir a demanda e o material adquirido segue os padrões estabelecidos pelo FNDE (Fundo Nacional de Educação). Além disso, o aluno não passará o dia todo sentado em uma carteira escolar. O projeto prevê atividades diversas, interativas e dinâmicas, incluindo prática de esportes, informática e outras oficinas atrativas”, defende-se.

 

Com relação à falta de diálogo, o maestro foi incisivo. Disse que não precisava ouvir mais ninguém, pois sua pasta contaria com ‘funcionários de expertise inquestionável’. “A secretaria possui um departamento pedagógico com profissionais de excelente qualidade, com larga experiência. São funcionários concursados, professores e pedagogos, que prepararam a proposta. Houve estudo e planejamento. Recentemente o Conselho Municipal de Educação visitou as instalações das escolas e ficou satisfeito com o que viu”, crê o secretário.

 

A ideia do maestro não é despropositada, inclusive está prevista no Plano Nacional de Educação cuja meta número 6 estabelece que “no mínimo, 50% das escolas públicas do Brasil ofereça horário integral de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica”. O problema é que oferecer um projeto pedagógico realmente integral para desenvolver os conteúdos básicos previstos nas diretrizes curriculares, aprovadas pelo Ministério da Educação e complementadas pelos demais sistemas de ensino, além de outras atividades (artísticas, culturais, esportivas, sociais), não é tarefa fácil.

 

Só que Vantoil garante que o município terá condições de dar conta do recado. Para tanto, de acordo com ele, foi feita praticamente uma revolução dentro da Educação de Barra Mansa. O maestro garante até que a prefeitura construiu novas salas e módulos educacionais, tendo comprado móveis novinhos em folha e equipamentos de toda ordem. Esclareceu ainda que, para garantir o desenvolvimento de projetos pedagógicos para suas escolas em tempo integral, que funcionarão por 10 horas diárias, chegou a contratar professores que ensinarão desde xadrez a alemão, bem como artesanato, robótica e empreendedorismo.

 

Outro tema importante é a alimentação dos alunos. Passar o dia inteiro dentro da escola dá fome, e não é de saber apenas. Vantoil explicou como pretende resolver a questão: “eles (alunos) receberão cinco refeições diárias, com café da manhã, colação, almoço, lanche da tarde e jantar. As escolas foram adaptadas para que os alunos tomem banhos após a prática de atividades físicas. Apesar das adequações que já foram realizadas, se houverem outras necessárias, serão tratadas como prioridade pela secretaria de Educação”, avisou.

 

Para bancar os custos com uma folha de pagamento elevada, suprir a carência de professores capacitados e garantir um projeto diferenciado e múltiplo de educação funcionando dez horas diárias, Vantoil espera ajuda do governo Federal e não descarta a hipótese de fazer parcerias com empresas privadas. “A manutenção de atividades de tempo integral possibilita o aumento do recurso recebido pelo município vindo do governo Federal. Está em estudo a possibilidade de participação da iniciativa privada como incentivadora da Escola”, explicou, frisando que o município está iniciando a implantação redirecionando as despesas. “Como no caso da Merenda, que a redução chegou a valores altos, sem mudar a qualidade da alimentação. Com isso, foi possível fazer a implantação (do horário integral), sem que houvesse impacto muito grande”, garantiu.

 

Para tudo isso dar certo é preciso, segundo o pedagogo Wellington Soares, que os princípios pedagógicos sejam de fato aplicados e condições ideais de aprendizagem são fundamentais. “E elas requerem investimentos pesados. O primeiro item da planilha de custos é o dinheiro para fornecer a infraestrutura adequada. As instituições que possuímos hoje estão preparadas – em sua maioria – para atender a alunos em dois ou três turnos. Com a passagem para um único período, é necessário espaço suficiente para que todos estejam ali ao mesmo tempo, desenvolvendo atividades que não se restrinjam à sala de aula”, explicou.

 

Ainda de acordo com Wellington, isso significa ampliar as unidades já existentes. “É preciso criar classes, bibliotecas, quadras e salas de informática, entre outros. Para as instituições que possuem equipamentos públicos nos arredores – infelizmente uma parcela pequena -, parte desses recursos pode ser reduzida com a articulação de parcerias. Isso não quer dizer que a opção seja isenta de custos. Ela exige investimentos em transporte e na manutenção dos espaços”, comentou.

 

Wellington ressaltou ainda que o dinheiro nunca será demais para garantir o funcionamento de uma rede de escolas em tempo integral. “Feitas essas adaptações iniciais, é preciso recursos para manter os estudantes por um período de tempo maior no ambiente escolar e viabilizar as atividades. O programa ‘Mais Educação’, por exemplo, disponibiliza apenas 4 mil reais por ano para uma escola com 500 alunos custear a aquisição de materiais permanentes e de consumo e contratar os serviços necessários”, pontuou.

 

Cidade sem lei (II)

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Na edição n° 1085, o aQui publicou uma dúzia de flagrantes no trânsito, cometidos por motoristas em diversas avenidas e ruas de Volta Redonda, incluindo a foto de um veículo da Guarda Municipal estacionado em ponto de táxi. Essa semana, aproveitando que a prefeitura local noticiou estar próxima de implantar uma série de mudanças no estacionamento rotativo, que será entregue a uma empresa terceirizada, voltamos ao assunto (ver fotos). Com um novo enfoque: do individualismo dos motoristas infratores, que se acham acima de todos. E que são os primeiros – como na Lava Jato – a criticar, exigindo que sejam multados os que abusam de uma ‘terra sem lei’. Desde que não seja ele o autuado.    

O aQui aproveita ainda para repercutir uma recente pesquisa sobre velocidade excessiva, desobediência ao sinal vermelho e desleixo no uso do cinto de segurança. Embora bastante debatidos, os riscos por trás dessas condutas não foram suficientes para retirá-las do ranking das dez infrações de trânsito mais comuns no estado do Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2017. O cenário plural e de excessos não se restringe à capital carioca. Na cidade de São Paulo, entre janeiro e dezembro de 2016, foram registradas 15.455.669 infrações de trânsito, 78% delas captadas eletronicamente. Dessas, as mais frequentes foram, respectivamente: transitar em velocidade superior à máxima em até 20%; circular em local ou horário não permitido pelo rodízio; e transitar em faixa ou via exclusiva de transporte público.

Conforme o especialista em trânsito e diretor da Perkons, empresa especializada em gestão de trânsito, Luiz Gustavo Campos, um dos caminhos para mudar esse panorama é desconstruir a cultura da individualidade, infeliz e erroneamente vinculada ao trânsito. “É necessário ter a consciência de que fazemos parte de um todo, maior e mais complexo, e que o trânsito é o conjunto de todas as ações desse sistema. O que é melhor para todos deve ser mais importante do que o objetivo perseguido por apenas um indivíduo”, salienta.

Para a conselheira do Conselho Estadual de Trânsito do Paraná (Cetran), professora Iara Thielen, a falta desse senso de coletividade no trânsito dá os primeiros indícios no desrespeito e na pouca cordialidade das relações firmadas nele. “No trânsito, cada um se acha no direito de cometer pequenos deslizes, enquanto o outro é sempre visto como inimigo. As pessoas não se dão conta que estão inseri-das em um espaço democrático e que nele não existe ação individual sem repercussão coletiva”, sintetiza.

Uma das ocasiões que mais evoca a percepção de si mesmo como sendo superior dentro do contexto é a autuação. “É comum vermos nas análises de recursos de multas um conjunto de argumentos inconsistentes, como ‘só bebi um pouquinho’. A minimização dos atos mostra que as pessoas não acreditam que as posturas tomadas no trânsito são danosas”, esclarece Iara. O resultado disso são condutores que não apenas questionam, mas depositam a culpa da infração no outro, na legislação e na fiscalização. “São mecanismos recorrentes de um infrator para não se perceber como ator – uma vez que não é apensas um coadjuvante – no trânsito”, lembra a conselheira.

Condutas do motorista
Segundo o mestre em antropologia social Marcelo Camargo, além do individualismo, uma série de outras variáveis precisam ser consideradas na relação entre motoristas e infrações cometidas. “Alguém que desrespeita regras de trânsito pode fazê-lo porque se sente mais ‘dono da rua’ do que os outros, e aí precisaríamos pensar de que maneira e o que, no Brasil, forma a ideia sobre quem é ou não mais importante, inclusive em espaços públicos. Ideias que passam por classe social, gênero, raça, origem regional, e outros eixos”, acrescenta.

Por um olhar mais amplo, Camargo entrelaça as infrações de trânsito a uma desconexão entre as demandas reais da vida na cidade e o planejamento urbano atual no país.

“Casos recorrentes de desrespeito ao espaço do pedestre, por exemplo, resultam com frequência de uma relação má construída entre o ambiente destinado a ele e ao motorista, com calçadas inadequadas, zonas de engarrafamento que estimulam a pressa e o estresse e ruas esburacadas, que impossibilitam a circulação organizada tanto de automóveis como de pedestres”, exemplifica.

É justamente sobre a administração da cidade que recai, do ponto de vista de Camargo, uma das possibilidades de desmistificar a visão negativa que se tem das infrações. “Se o objetivo é uma melhor relação entre o cidadão e as leis de trânsito, o primeiro passo é reconhecer plenamente o cidadão enquanto tal. Isto significa repensar as malhas de transportes públicos; abrir os mecanismos do planejamento público para a participação popular efetiva; garantir mais segurança no trânsito e nas ruas através da atenção efetiva às causas da insegurança; e por aí vai”, conclui.

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