sábado, maio 2, 2026
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Sem (a)gente!

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A cidade do aço já não é mais pacata há muito tempo. Pior. A população está se  acostumando a ver cenas dignas de municípios da Baixada Fluminense. Ou de faroeste, bem ao estilo dos filmes americanos. Um dos exemplos foi o tiroteio no coração da Vila Santa Cecília na manhã de terça, 25. O quiproquó começou com uma dupla de bandidos tentando assaltar a loja da Cacau Show, na Rua 31. A tentativa frustrada terminou com os dois suspeitos presos – sendo que um deles foi baleado nas nádegas e levado ao Hospital São João Batista.

 

Tudo começou quando Policiais Militares, que faziam ronda nas proximidades do Memorial Zumbi, na Vila, avistaram a dupla em atitude suspeita. Ao se aproximarem, Yan Luis da Silva Souza, 19, e David Amaral Fidélis, 26, teriam tentado fugir. Yan entrou em um ônibus, mas o coletivo foi interceptado próximo ao posto de gasolina Vila 2000. O suspeito, ao descer do veículo, teria tentado sacar um revólver calibre 38, que estava em sua cintura, mas foi baleado nas nádegas. David, por sua vez, foi preso na Rua 18, perto do Jardim dos Inocentes.

 

A cena, é claro, assustou quem passava ou estava trabalhando na Vila. O problema é que casos de crimes nos principais centros comerciais já estão virando rotina. Prova disso é que o prefeito Samuca Silva (PV) convocou uma reunião com as forças de segurança para tratar do tema (ver box). E uma das sugestões que saiu do encontro foi a de colocar agentes da Guarda Municipal para ajudar na segurança pública nos principais centros comerciais da cidade do aço. O ‘x’ da questão é que o efetivo da GM está abaixo do necessário. Pior. Para muitos, os GMs sumiram das ruas.

 

Em entrevista exclusiva ao aQui, o comandante da GM, Paulo Dalboni, revelou que a corporação está realmente com efetivo reduzido. “Nós herdamos, da gestão anterior, uma guarda com uma defasagem muito grande. Nosso efetivo, quando eu entrei na corporação há 27 anos, era de 280 guardas e hoje nós temos 160. Isso dá um problema, pois temos escalas, férias e licenças”, comentou, ressaltando que Samuca teria prometido realizar um concurso público para aumentar o efetivo da GM.

 

Dalboni, entretanto, salienta que a corporação tenta, na medida do possível, atender todas as ocorrências, quando é chamada. “Também nos foi deixada uma herança, a de falta de viaturas, de viaturas quebradas, enfim, todo um cenário de dificuldades. Em algum momento a gente vai deixar de atender alguma coisa, mas estamos trabalhando ao máximo para atender a todas as solicitações”, ponderou.

 

Dalboni destaca ainda que, quando assumiu o comando da corporação, havia uma herança psicológica da antiga gestão do major PM Luiz Henrique, conhecido pela repressão até para com os próprios GMs. “A gente está fazendo um trabalho motivacional, já tivemos alguns recursos. Conseguimos o retorno de alguns guardas que estavam de licença. Meu perfil de comando é trazer o agente para dentro da comunidade, ter uma guarda mais comunitária do que repressiva. Há momentos que ocorre algo mais áspero, o que é normal”, destacou, sublinhando que a prefeitura vai deixar um psicólogo à disposição dos agentes da GM.

 

Questionado sobre os ‘flanelinhas’, que voltaram a ocupar a Vila Santa Cecília, por exemplo, Dalboni explicou a necessidade de alguém fazer queixa na delegacia de polícia. “A questão do ‘flanela’ é uma questão antiga. É uma questão desde quando era criança. Para ele (flanelinha) ser detido é preciso que o denunciante vá com o guarda na delegacia dar queixa, dizer que o flanela o está coagindo. O cidadão tem que ir junto. O que queremos fazer, e estamos conversando com o prefeito, porque assim que realizarmos o concurso vamos ter efetivo, é deixar uma equipe na Vila, que é um local crítico de flanelinhas, para afugentá-los”, pontuou.

 

Mas se o cidadão não quiser correr riscos indo à delegacia denunciar o flanelinha, Dalboni explicou que a GM poderá tirar o infrator do local. “A gente vai lá e tira ele, é o que podemos fazer”, disse. Já sobre os ambulantes, o comandante destacou que a corporação continua reprimindo a venda irregular de produtos. “Existe uma lei que permite o ambulante, mas ele tem que ir ao Banco da Cidadania, se cadastrar… O que estiver irregular, continuamos coibindo”, pontuou, desmentindo os boatos de que a GM estaria sendo pressionada a não coibir este tipo de atividade.

 

GM na segurança pública

 

“Quando damos as mãos, nos unimos e dividimos as responsabilidades”. Foi assim que o prefeito Samuca Silva definiu como deve ser a atuação das forças de segurança na cidade do aço. Em encontro com representantes da área de segurança, no Palácio 17 de Julho, Samuca disse que vai integrar a Guarda Municipal no combate à criminalidade, principalmente nos centros comerciais. O encontro foi para tratar de ações conjuntas para diminuir o número de furtos e roubos no comércio. “Eu sou muito cobrado nas ruas por conta da segurança na cidade. Sabemos que é de responsabilidade do estado, mas não podemos ser omissos”, avaliou.  

 

Participaram do encontro os representantes das polícias Federal, Militar, Civil e Rodoviária Federal, além da GM e entidades empresariais (o que não é novidade no governo Samuca). Na reunião, saíram algumas propostas: a primeira é firmar uma parceria entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar para aumentar os números de rondas nos cinco principais centros comerciais da cidade (Amaral Peixoto, Aterrado, Vila Santa Cecília, Retiro e Santo Agostinho) e também com pontos fixos de policiamento nessas localidades. Outra seria a criação de um Ciosp Móvel (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública). Para que isso ocorra, a ideia é buscar apoio financeiro junto aos empresários locais. 

 

Os representantes das forças de segurança também se comprometeram a realizar uma campanha massiva para o uso da Delegacia On-line, que permite aos cidadãos registrar ocorrências sem a necessidade de ir à Delegacia. “Precisamos da participação de todos para desvendar os crimes. Dos comerciantes, dos cidadãos e do poder público. Devemos incentivar o registro policial para sabermos onde estão ocorrendo e, assim, traçarmos as estratégicas para combater o crime”, afirmou o delegado Eliezer Lourenço.

 

Já o comandante da GM, Paulo Dalboni, se mostrou preocupado com a presença de marginais da capital em Volta Redonda. “Já está tendo armamento pesado nas mãos de marginais. Eles vêm migrando para Volta Redonda. Isso é preocupante”, afirmou Dalboni, lembrando que, atualmente, a GM tem porte de arma, mas a autorização – que é dada pela Polícia Federal – termina em setembro. O chefe da delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda, delegado Pedro Paulo Simão, afirmou que o processo de renovação do porte de arma da Guarda Municipal está na AGU (Advocacia Geral da União). “Mas, garanto que até setembro a licença será renovada”, prometeu o delegado da Polícia Federal. 

Subindo a serra

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Na quarta, 26, os voltarredondenses estavam sendo chamados, pelas redes sociais e por outdoors espalhados pela cidade do aço, a participar no dia seguinte (quinta, 27) da 1ª Conferência da Mobilidade Urbana Sustentável. Tudo muito verde. Só que, a milhares de quilômetros, três prefeitos da região, mais o deputado federal Deley de Oliveira, que não são filiados ao PV e nem devem ser simpatizantes da legenda, tratavam de algo do gênero. Que se sair do papel – e pode sair, é bom que se diga – vai deixar Samuca Silva morrendo de inveja. Nada mais, nada menos, que a construção de uma ciclovia ambiental de 120 kms de extensão, ligando Barra Mansa, Rio Claro e Angra Reis. 

 

“Essa área poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, pontuou Rodrigo Drable, de Brasília, onde estava acompanhado do vereador Daniel Maciel. Ele estava se referindo à área da antiga linha férrea da FCA que ligava Barra Mansa a Angra dos Reis, passando por Rio Claro, e que hoje está abandonada. “Nós nos associamos para negociarmos com o Dnit a concessão da área da ferrovia que liga Barra Mansa a Angra, passando por Rio Claro”, explicou o prefeito de Barra Mansa. 

 

Rodrigo Drable, Fernando Jordão (prefeito de Angra) e Zé Osmar (prefeito de Rio Claro) estiveram na sede do Dnit na tarde de quarta, 26, acompanhados de Daniel Maciel e ainda Vinícius Corrêa, secretário de governo de Angra dos Reis. Foram levados pelo deputado federal Deley de Oliveira (ver foto), e saíram animados da reunião que mantiveram com Charles Magno Beniz, que é diretor de ferrovias do Dnit, e Dinarte Vaz, diretor da secretaria de Patrimônio da União (SPU). “A ferrovia foi abandonada pela VLI (antiga FCA) e esta empresa já manifestou interesse em devolver à União o trecho de Barra Mansa a Angra dos Reis. Como existe a MP 572 (ver box) nós estamos pleiteando essa área para o consórcio que criamos”, justificou Rodrigo.      

 

O prefeito de Barra Mansa vai além: lembra que no trecho da antiga ferrovia existem quatro estações em estado de abandono, sendo duas em seu próprio domínio. As outras estão em Rio Claro. Já as de Angra dos Reis, segundo Rodrigo, estão em uso, sendo mantidas e conservadas pela prefeitura local já há vários anos. “Esse trecho poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, diz, sem falsa modéstia. “São aproximadamente 120 km com inclinação mínima, passando pela maior reserva preservada de Mata Atlântica”, acrescenta.

 

Ele tem razão. “A expectativa é que a ciclovia gere mais de 500 empregos diretos e indiretos nas três cidades e movimente o comércio, com a instalação de lojas e restaurantes, além da rede hoteleira, que certamente terá interesse em se instalar no trecho da ciclovia”, pontua. “A pista será de uso compartilhado”, acrescenta, garantindo ainda, de forma exclusiva, que, além da ciclovia ambiental, o consórcio formado pelos três municípios poderá incluir no projeto áreas para caminhadas. “Só não vamos permitir o uso de veículos a combustão. Teremos áreas de caminhadas, corridas, etc.”, pontua, concordando que até mesmo torneios rurais terão espaço na área. “Serão alvo de projeto de captação de recursos através de leis de incentivos para que as áreas sejam retomadas”, explicou, referindo-se à MP 752. 

 

Como o projeto ainda é embrionário, os três prefeitos  não fazem ideia do volume de recursos que serão necessários para tocar um projeto tão ambicioso como o da construção da maior ciclovia ambiental do mundo. “Na verdade, ainda não há estimativa de custos, pois o primeiro passo é conseguirmos a área”, disse. “Nós contamos com o apoio do Deley para nos ajudar a realizar esse sonho”, disparou. Que assim seja!

 

MP 572

A Medida Provisória 752/16 autoriza a prorrogação e a relicitação de contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário. As regras são restritas aos empreendimentos federais que fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pela Lei 13.334/16. O objetivo da MP, segundo o governo, é viabilizar a realização de novos investimentos em concessões existentes no setor de transporte. A prorrogação será usada nas concessões que estão funcionando. Já a relicitação será aplicada quando houver problemas na execução dos contratos de parceria.

 

Ciclovia gigante  

No final do ano passado, a Alemanha liberou para uso um trecho de quase cinco quilômetros de uma nova rodovia gigante e exclusiva para bicicletas, a Radschnellweg. Quando finalizada, a ciclovia terá 100 quilômetros e conectará 10 cidades e quatro universidades localizadas no distrito de Ruhr, no noroeste da Alemanha. Com isso, o governo espera tirar 50 mil carros das vias da região diariamente e incentivar ainda mais pessoas a adotarem a bicicleta como meio de transporte.

Segundo estudos, cerca de dois milhões de alemães vivem até 1,5 km distantes da nova ciclovia. E para finalizar a construção da rodovia para bicicleta, serão necessários cerca de R$ 780 milhões.

A maior do mundo

Prestes a completar o seu 150º aniversário, o Canadá pretende inaugurar ainda este ano uma ciclovia que corta o país de ponta a ponta. A construção começou em 1992 e já conta com 12.905 milhas de comprimento (20.768 quilômetros, aproximadamente), ou seja, 208 vezes mais do que a ciclovia alemã, a Radschnellweg. Na verdade, é a mais longa/maior rede de trilhas recreativas do mundo. Até agora, mais de 87% da trilha está completa, e já se conecta às principais cidades do Canadá. Embora não seja uma ciclovia no sentido tradicional, é exclusivamente designada para fins recreativos e só permite bicicletas e pedestres no verão, sendo que no inverno é usada para cross country skiing e snowmobile. É mole?

Ciclovia aérea

No início de 2017, o governo chinês inaugurou na cidade de Xiamen, no sudeste da China, a primeira ciclovia aérea do país e a maior do mundo em extensão. A via é composta por quatro pistas de 4,8 metros de largura, que se estendem por 7,6 quilômetros, cobrindo as principais áreas residenciais da cidade e três grandes zonas comerciais. Para facilitar os deslocamentos, a ciclovia é conectada a 11 estações de ônibus e outras duas dão acesso ao metrô.

Para quem não tem uma bicicleta, o sistema dispõe de 355 magrelas para alugar e 253 vagas para estacionamento, em sete plataformas. E grande parte do caminho passa por baixo da via elevada usada pela linha de ônibus de transporte rápido da cidade (semelhante ao famoso fura-fila de São Paulo), o que garante proteção nos dias chuvosos. A ciclovia, que ainda está em fase de testes, deverá comportar até 2 mil viagens de bicicleta por hora.

 

Ferrovia Barra Mansa – Angra dos Reis

A linha férrea entre Barra Mansa e Angra dos Reis foi inaugurada no final da década de 1920, para levar produtos até o porto de Angra, e já foi uma das mais movimentadas do país. Era também a via utilizada pela CSN, em Volta Redonda, para escoar os seus produtos através do porto de Angra dos Reis.  

Em 2015, as prefeituras de Barra Mansa, Rio Claro e Angra dos Reis pediram à ANTT o fim da concessão para a FCA (Ferrovia Centro Atlântica). O trecho está desativado desde 2009 e a proposta era integrar a linha férrea – hoje deteriorada, com trilhos arrancados e estações abandonadas – à malha urbana, já que a ferrovia corta alguns bairros de Barra Mansa e Rio Claro, e o fim da estrada de ferro poderia melhorar as condições da mobilidade urbana.     

No total, o trecho entre Angra e Barra Mansa tem 108 quilômetros. As estações são: Angra dos Reis, Jussaral, Lídice, Rio Claro, Getulândia, Antônio Rocha e Barra Mansa.

Histórico

A estação de Angra dos Reis foi inaugurada em abril de 1928, como parte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom). O prédio original era um barracão de zinco, na Praia do Anil. O atual – em alvenaria – foi inaugurado em 1956. O tráfego de passageiros até Angra foi extinto em 1980, mas alguns trens turísticos  (Trem da Mata Atlântica)  continuaram operando entre Angra e Lídice de 1992 a 1996, quando a linha foi privatizada, passando a transportar só cargas.

Em dezembro de 2002, fortes chuvas causaram um deslizamento de terras e a via foi interrompida. Os trens de carga pararam de circular até 2005, quando a linha foi reparada e voltou a funcionar até 2009. Atualmente é inoperante.

 

Jussaral (Angra dos Reis) – A estação de Jussaral foi inaugurada em 1925, tendo sido ponta de linha até a inauguração da estação de Angra dos Reis, três anos depois. A estação está hoje em ruínas. Na época, era a única estação com linha dupla para cruzamento dos trens.

 

Lídice (Rio Claro) – A estação de Capivary foi inaugurada em 1910, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Alto da Serra, onze anos depois. Antes do nome Capivary teve o nome de Vila Parado e nos anos 1940 passou a se chamar Lídice. Atualmente a estação está abandonada.

 

Getulândia – A estação de Capelinha foi inaugurada em 1924, e teve o nome alterado para Getulândia nos anos 1930. O prédio da estação vem sendo utilizado como moradia.

 

Alto da Serra (Rio Claro) – A estação de Alto da Serra foi inaugurada em 1921. Funcionou inicialmente em um vagão e depois foi construído um prédio em alvenaria. Atualmente está abandonada e foi depredada, perdendo o madeiramento das portas e janelas.

 

Rio Claro – A estação de Rio Claro foi inaugurada em 1897, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Lídice, 13 anos depois. Chamou-se, por um tempo, Itaverá. O local – o prédio não é o original de 1897 – está abandonado.

 

 

Antônio Rocha – A estação de Antônio Rocha foi inaugurada em 1897. Atualmente está abandonada.

 

Barra Mansa – A estação de Barra Mansa foi aberta em 1897. O prédio atual da estação foi construído em 1975. Foi uma estação de grande movimento de passageiros e cargas e dali parte um ramal para a CSN, em Volta Redonda.

 

 

Sem negócios

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De acordo com o Indicador de Demanda por Crédito do Micro e Pequeno Empresário de Varejo e Serviços, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 85% desses empresários não pretendem tomar crédito nos próximos três meses, enquanto 7% não sabem e apenas 6% têm interesse. O indicador registrou 13,2 pontos em março, com um recuo de 3,0 pontos na comparação com o mês anterior (16,2 pontos). O número varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário por crédito.

 

A maioria dos que não pretendem contratar diz que consegue se manter com recursos próprios (39%). Em seguida, aparecem os MPEs que justificam a decisão devido às altas taxas de juros (28%) e também em virtude da insegurança com as condições econômicas do país (18%).

 

Desde o início da série, o indicador de demanda por crédito se mantém baixo. “A crise econômica constitui um fator a mais no baixo apetite tanto pelo crédito como por investimento, pois tomar dívidas de longo prazo ou promover a melhoria dos negócios requer que as expectativas sobre o futuro sejam boas”, afirma Honório Pinheiro, presidente da CNDL, que completa: “Políticas que instruam o micro e pequeno empresário a respeito da importância do crédito e que ampliem as modalidades ao seu alcance podem resultar em maior demanda por recursos”.

 

Entre os empresários que consideram contratar crédito, algo difícil (37%), os principais motivos são o excesso de burocracia e exigências dos bancos (48%) e as altas taxas de juros (39%). Já entre os que consideram a contratação algo fácil (18%), as justificativas mais citadas são o bom relacionamento com o banco (33%), estar com as contas em dia (24%), estar com a documentação regularizada (13%) e tempo de existência da empresa (10%).

Sem investir nos próximos 90 dias

Em março de 2017, o Indicador de Propensão a Investir do Micro e Pequeno Empresário de Varejo e Serviços também ficou abaixo do mês anterior: 28,4 pontos ante 34,3 pontos em fevereiro, quando alcançou o maior valor da série histórica. Neste mês, o indicador registrou a mesma pontuação que em março do ano passado, também 28,4 pontos, apontando que a propensão dos MPEs a investir ainda é baixa: o indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo a 100, maior é demanda do empresário ao investimento.

 

Dentre os empresários que não pretendem investir (66%), a maioria justifica dizendo que não vê necessidade (43%). Em seguida aparece a crise econômica (30%) e também a falta de recursos e/ou crédito (12%). Já entre os MPEs que pretendem realizar investimentos nos próximos três meses (22%), a maior parte tem a intenção de aumentar as vendas (49%), além da adaptação da empresa a uma nova tecnologia (16%) e da necessidade de atender a uma demanda que aumentou (16%).

 

“O investimento é uma variável crucial para o crescimento de uma economia. No entanto, a crise que se arrasta por mais de dois anos leva muitas empresas a operarem com capacidade ociosa e, em alguns casos, até a redução do quadro de funcionários”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “Nesse ambiente de crise, os projetos de expansão e melhoria do negócio são colocados em segundo plano e a preocupação de grande parte dos empresários passa a ser, então, lidar com a queda do faturamento e o aumento da inadimplência”, finaliza.

 

O indicador também mostra que, entre aqueles empresários que planejam investir, a maior parte irá recorrer ao capital próprio guardado na forma de aplicações ou investimentos (60%) ou resultante da venda de algum bem (18%), principalmente pelos altos juros bancários. Ainda assim, 21% mencionam o empréstimo em bancos e financeiras.

 

Com relação aos destinos dos investimentos, os mais citados foram ampliação dos estoques (38%), reforma da empresa (28%), compra de máquinas e equipamentos (24%), ampliação de portfólio (22%) e mídia e propaganda (14%).

Metodologia

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário calculados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. As micro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresas brasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

 

Empréstimos para negativados

A promessa é famosa: empréstimos concedidos rapidamente, sem muita burocracia, mesmo que o consumidor já esteja negativado. Muitas pessoas, sem conhecimento das elevadas taxas de juros, acabam aceitando esse tipo crédito como última saída para conseguir pagar dívidas e honrar os compromissos financeiros. Pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL mostra que 15% dos brasileiros atualmente inadimplentes ou que estiveram nessa situação há no máximo 12 meses já fizeram empréstimo com financeiras que fornecem crédito a negativados – número que aumenta entre quem possui 55 anos ou mais (23%).

 

Considerando os entrevistados que já fizeram esse empréstimo, o conhecimento sobre as empresas se deu principalmente pela distribuição de panfletos (27%), pela internet (20%) e por anúncios em TV, jornais e revistas (18%). Sete em cada dez entrevistados fizeram o empréstimo pessoalmente nas financeiras (73%) e 23% pela internet; e os principais motivos para a contratação são o fato de não ter conseguido crédito em outro banco (30%) e por ser a única forma encontrada para quitar as dívidas (25%).

 

A pesquisa mostra um fato alarmante: apenas 55% analisaram as taxas de juros cobradas e as demais características de outras linhas de crédito existentes antes da contratação. O objetivo do empréstimo, para 29% dos entrevistados, é o pagamento total de dívidas e para 18% foi para o pagamento total das pendências atrasadas e também comprar itens que precisava. Quanto à facilidade de se conseguir esses empréstimos, os entrevistados dividem-se: 35% consideraram fácil e outros 35% consideraram difícil.

 

“Em momentos de estresse é fácil tomar decisões apressadas, mas nem sempre a solução que parece ser mais fácil é a melhor”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Muitos consumidores acreditam que o empréstimo é o único caminho que resta para sair do endividamento e limpar o nome; porém, a pesquisa mostra que as taxas de juros podem agravar ainda mais o problema. Em alguns casos, elas chegam a ser maiores até mesmo do que aquelas cobradas pelo atraso no pagamento de outras modalidades de empréstimo como o cartão de crédito e o cheque especial”, explica.

 

O estudo do SPC Brasil e da CNDL mostra que as informações passadas pelo atendente no momento da contratação do empréstimo são mais voltadas ao valor total com os juros embutidos (81%), o valor máximo possível para as prestações (74%) e formas de pagamento (74%). Já as informações sobre o valor dos juros cobrados foram dadas somente em 60% dos casos.

 

Caos financeiro

De acordo com o levantamento, as principais formas de pagamento das parcelas dos empréstimos são o desconto em folha (28%), prestações em carnês ou crediário (25%) e parcelas no débito automático (25%). Em 72% dos casos, os entrevistados afirmaram estar com o pagamento do empréstimo em dia e 25% em atraso, sobretudo porque a renda da família diminuiu (44% dos que atrasaram).

 

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, alerta: “O consumidor deve evitar a todo custo o empréstimo para negativados, sob o risco de se afundar ainda mais em dívidas impagáveis. Desfazer-se de um bem, ir em busca de trabalhos extras e rever os hábitos de consumo podem ser medidas mais eficazes, ainda que exijam certa dose de sacrifício.”

 

O estudo revela que sete em cada dez consumidores (75%) que optaram por este tipo de crédito admitem não ter resolvido a situação financeira. “Percebe-se que a maior parte dos consumidores entende que o empréstimo terminou por ser prejudicial”, afirma Vignoli. Cerca de 26% continuam com o nome sujo e ainda precisam pagar as parcelas – aumentando para 37% entre as mulheres.

Metodologia

A pesquisa entrevistou 602 consumidores residentes em todas as regiões brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais, atuais inadimplentes ou ex-inadimplentes há no máximo 12 meses. A margem de erro é de 3,99 pontos percentuais para uma confiança de 95%.

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