Sem (a)gente!

samuca guardasite

A cidade do aço já não é mais pacata há muito tempo. Pior. A população está se  acostumando a ver cenas dignas de municípios da Baixada Fluminense. Ou de faroeste, bem ao estilo dos filmes americanos. Um dos exemplos foi o tiroteio no coração da Vila Santa Cecília na manhã de terça, 25. O quiproquó começou com uma dupla de bandidos tentando assaltar a loja da Cacau Show, na Rua 31. A tentativa frustrada terminou com os dois suspeitos presos – sendo que um deles foi baleado nas nádegas e levado ao Hospital São João Batista.

 

Tudo começou quando Policiais Militares, que faziam ronda nas proximidades do Memorial Zumbi, na Vila, avistaram a dupla em atitude suspeita. Ao se aproximarem, Yan Luis da Silva Souza, 19, e David Amaral Fidélis, 26, teriam tentado fugir. Yan entrou em um ônibus, mas o coletivo foi interceptado próximo ao posto de gasolina Vila 2000. O suspeito, ao descer do veículo, teria tentado sacar um revólver calibre 38, que estava em sua cintura, mas foi baleado nas nádegas. David, por sua vez, foi preso na Rua 18, perto do Jardim dos Inocentes.

 

A cena, é claro, assustou quem passava ou estava trabalhando na Vila. O problema é que casos de crimes nos principais centros comerciais já estão virando rotina. Prova disso é que o prefeito Samuca Silva (PV) convocou uma reunião com as forças de segurança para tratar do tema (ver box). E uma das sugestões que saiu do encontro foi a de colocar agentes da Guarda Municipal para ajudar na segurança pública nos principais centros comerciais da cidade do aço. O ‘x’ da questão é que o efetivo da GM está abaixo do necessário. Pior. Para muitos, os GMs sumiram das ruas.

 

Em entrevista exclusiva ao aQui, o comandante da GM, Paulo Dalboni, revelou que a corporação está realmente com efetivo reduzido. “Nós herdamos, da gestão anterior, uma guarda com uma defasagem muito grande. Nosso efetivo, quando eu entrei na corporação há 27 anos, era de 280 guardas e hoje nós temos 160. Isso dá um problema, pois temos escalas, férias e licenças”, comentou, ressaltando que Samuca teria prometido realizar um concurso público para aumentar o efetivo da GM.

 

Dalboni, entretanto, salienta que a corporação tenta, na medida do possível, atender todas as ocorrências, quando é chamada. “Também nos foi deixada uma herança, a de falta de viaturas, de viaturas quebradas, enfim, todo um cenário de dificuldades. Em algum momento a gente vai deixar de atender alguma coisa, mas estamos trabalhando ao máximo para atender a todas as solicitações”, ponderou.

 

Dalboni destaca ainda que, quando assumiu o comando da corporação, havia uma herança psicológica da antiga gestão do major PM Luiz Henrique, conhecido pela repressão até para com os próprios GMs. “A gente está fazendo um trabalho motivacional, já tivemos alguns recursos. Conseguimos o retorno de alguns guardas que estavam de licença. Meu perfil de comando é trazer o agente para dentro da comunidade, ter uma guarda mais comunitária do que repressiva. Há momentos que ocorre algo mais áspero, o que é normal”, destacou, sublinhando que a prefeitura vai deixar um psicólogo à disposição dos agentes da GM.

 

Questionado sobre os ‘flanelinhas’, que voltaram a ocupar a Vila Santa Cecília, por exemplo, Dalboni explicou a necessidade de alguém fazer queixa na delegacia de polícia. “A questão do ‘flanela’ é uma questão antiga. É uma questão desde quando era criança. Para ele (flanelinha) ser detido é preciso que o denunciante vá com o guarda na delegacia dar queixa, dizer que o flanela o está coagindo. O cidadão tem que ir junto. O que queremos fazer, e estamos conversando com o prefeito, porque assim que realizarmos o concurso vamos ter efetivo, é deixar uma equipe na Vila, que é um local crítico de flanelinhas, para afugentá-los”, pontuou.

 

Mas se o cidadão não quiser correr riscos indo à delegacia denunciar o flanelinha, Dalboni explicou que a GM poderá tirar o infrator do local. “A gente vai lá e tira ele, é o que podemos fazer”, disse. Já sobre os ambulantes, o comandante destacou que a corporação continua reprimindo a venda irregular de produtos. “Existe uma lei que permite o ambulante, mas ele tem que ir ao Banco da Cidadania, se cadastrar… O que estiver irregular, continuamos coibindo”, pontuou, desmentindo os boatos de que a GM estaria sendo pressionada a não coibir este tipo de atividade.

 

GM na segurança pública

 

“Quando damos as mãos, nos unimos e dividimos as responsabilidades”. Foi assim que o prefeito Samuca Silva definiu como deve ser a atuação das forças de segurança na cidade do aço. Em encontro com representantes da área de segurança, no Palácio 17 de Julho, Samuca disse que vai integrar a Guarda Municipal no combate à criminalidade, principalmente nos centros comerciais. O encontro foi para tratar de ações conjuntas para diminuir o número de furtos e roubos no comércio. “Eu sou muito cobrado nas ruas por conta da segurança na cidade. Sabemos que é de responsabilidade do estado, mas não podemos ser omissos”, avaliou.  

 

Participaram do encontro os representantes das polícias Federal, Militar, Civil e Rodoviária Federal, além da GM e entidades empresariais (o que não é novidade no governo Samuca). Na reunião, saíram algumas propostas: a primeira é firmar uma parceria entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar para aumentar os números de rondas nos cinco principais centros comerciais da cidade (Amaral Peixoto, Aterrado, Vila Santa Cecília, Retiro e Santo Agostinho) e também com pontos fixos de policiamento nessas localidades. Outra seria a criação de um Ciosp Móvel (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública). Para que isso ocorra, a ideia é buscar apoio financeiro junto aos empresários locais. 

 

Os representantes das forças de segurança também se comprometeram a realizar uma campanha massiva para o uso da Delegacia On-line, que permite aos cidadãos registrar ocorrências sem a necessidade de ir à Delegacia. “Precisamos da participação de todos para desvendar os crimes. Dos comerciantes, dos cidadãos e do poder público. Devemos incentivar o registro policial para sabermos onde estão ocorrendo e, assim, traçarmos as estratégicas para combater o crime”, afirmou o delegado Eliezer Lourenço.

 

Já o comandante da GM, Paulo Dalboni, se mostrou preocupado com a presença de marginais da capital em Volta Redonda. “Já está tendo armamento pesado nas mãos de marginais. Eles vêm migrando para Volta Redonda. Isso é preocupante”, afirmou Dalboni, lembrando que, atualmente, a GM tem porte de arma, mas a autorização – que é dada pela Polícia Federal – termina em setembro. O chefe da delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda, delegado Pedro Paulo Simão, afirmou que o processo de renovação do porte de arma da Guarda Municipal está na AGU (Advocacia Geral da União). “Mas, garanto que até setembro a licença será renovada”, prometeu o delegado da Polícia Federal. 

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