segunda-feira, maio 4, 2026
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Pé no acelerador

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A indústria automobilística do Sul Fluminense, que há quase dois anos andou em ponto morto, finalmente pisou no acelerador. As empresas deste segmento estão contratando e podem ofertar até quase mil novos postos de trabalho. De um modo geral, o setor é um dos que mais crescem no país registrando – de janeiro a agosto – mais de 4 mil vagas abertas. Na região, a Nissan, a MAN e a Peugeot estão com processo seletivo para contratar, juntas, cerca de 400 trabalhadores. Só na MAN existem 300 vagas. O anúncio de empregos na fábrica de caminhões e ônibus de Resende foi feito na quinta, 14, durante o lançamento da nova linha de veículos desenvolvida no Centro de Engenharia da MAN.

 

A nova família de caminhões, batizada de Delivery, chega ao mercado com versões de 3,5 a 13 toneladas de capacidade de carga, usadas para a distribuição urbana de produtos. Para desenvolver a nova linha, a MAN vai contratar 300 operários e poderá abrir um novo turno de produção. Segundo a assessoria de imprensa da marca, dos 300 novos contratados, 200 atenderão a demanda das linhas de produção de caminhões e ônibus, enquanto os outros 100 irão para o recém-criado Customer Forum – um centro de atendimento para clientes das marcas MAN e Volks Caminhões e Ônibus.

 

Durante o lançamento da linha Delivery, o presidente e CEO da MAN, Roberto Cortes, disse que a fábrica de Resende, cuja jornada em um turno completo já demanda horas extras em três sábados por mês até dezembro, não terá férias coletivas este ano. A empresa também deu início a uma negociação com o Sindicato, para o pagamento de horas extras na unidade fabril. “Estamos confiantes de que as economias do Brasil e da América Latina continuarão a sua curva de retomada para os próximos meses e anos. Mantivemos nossos investimentos, que culminaram agora com o lançamento da nova família Delivery, nos levando a novos segmentos de mercado. E já iniciamos um novo ciclo de aportes, que somarão mais R$ 1,5 bilhão até 2021”, afirmou Roberto Cortes.

 

A decisão de aumentar o efetivo em quase 10% vem da constatação, pela direção da companhia, de que há um crescimento de vendas sustentável no mercado doméstico de caminhões desde o início do ano. “A média diária de vendas de caminhões estava em 150 em janeiro e hoje já chega a 280. Quando percebemos essa tendência de crescimento há alguns meses, decidimos: vamos contratar”, disse Cortes, que confessou que gostaria de contar com os operários na fábrica nos quatro sábados de cada mês. “Mas me pediram pelo menos um de folga”, contou, demonstrando pressa em acelerar a produção da nova linha Delivery. As novas contratações na MAN seguem até o final de outubro.

 

Outra que também está contratando é a Peugeot Citröen. A montadora francesa abriu 60 vagas para moradores de Porto Real, inclusive com vagas para portadores de deficiência. A seleção está prevista para acontecer na segunda, 18, no Horto Municipal. Segundo a empresa, as novas vagas são para operador de produção para ambos os sexos, com ensino médio completo e disponibilidade para trabalhar em regime de turno. O processo seletivo será realizado com o apoio e a parceria da prefeitura de Porto Real.

 

Em julho foi a vez da Nissan passar a operar em dois turnos, o que levou à contratação de 600 operários. Desde a inauguração, há três anos, a fábrica em Resende só havia funcionado com uma única turma. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, finalmente o setor automotivo está reagindo e sinalizando uma tímida melhora da economia brasileira. “Agora sim a gente pode falar em retomada do crescimento no setor automotivo”, comemorou Silvio. 

Manter salário

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Samuca Silva

Cerca de 140 aposentadorias e 29 pensões já foram concedidas este ano  pelo Fundo de Assistência e Previdência Social dos Funcionários Públicos Municipais de Volta Redonda (VR Previdência). Isso graças à reestruturação que está sendo feita pela gestão Samuca. Ao todo, 2.611 pessoas, além de 561 pensionistas já estão aposentadas pelo VR Previdência. 

 

O VR Previdência é o órgão responsável pela concessão de benefícios previdenciários aos servidores municipais, efetivos e estatutários. Criado através da Lei 4963/13, o fundo tem por objetivo garantir o pagamento dos benefícios aos seus segurados e dependentes. “A principal vantagem do VR Previdência para o servidor é que ele consegue manter o mesmo salário da ativa quando se aposenta. Já as pessoas que se aposentam pelo INSS recebem um piso ou um teto salarial, dependendo do valor da sua contribuição”, avalia o secretário de Administração de Volta Redonda, Carlos Roberto Baia.

 

A coordenadora do VR Previdência, Adriana Faria Martins Beraldo, explicou que todos os funcionários estatutários têm direito a se aposentar pelo Fundo. “Quando os funcionários entram para o quadro de estatutários da prefeitura, eles automaticamente começam a contribuir com o Fundo”, contou a coordenadora. Atualmente, segundo ela, o Fundo de Assistência e Previdência Social dos Funcionários Públicos Municipais de Volta Redonda é ligado à secretaria de Administração, mas a partir de setembro do ano que vem o VR Previdência vai ser transformado em autarquia para poder garantir mais autonomia ao fundo.

 

Além do pagamento dos aposentados e pensionistas, o VR Previdência também é responsável pelo Comprev (Compensação Previdenciária). Em 2017 o VR Previdência já resgatou do INSS R$12,7 milhões. “Todo servidor que trabalhou no regime geral, depois foi servidor municipal e se aposentou pelo regime próprio, o Fundo resgata o valor que ele contribuiu para o INSS para efetuar a aposentadoria pelo VR Previdência”, explicou o secretário, Carlos Roberto Baia.

 

Um dos pontos altos da reestruturação do VR Previdência é a criação dos conselhos Fiscal e Administrativo, que serão presididos pelo secretário de Administração e o Comitê de Investimento. Desde 2015, o Fundo está sem esses conselhos. “A criação desses conselhos é uma parte fundamental dessa nova fase do VR Previdência. Eles estão previstos em Lei e são essenciais para fiscalizar as ações do Fundo”, justificou Samuca Silva.

Era segredo

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Deley-Antonio Carlos Rodrigues1

Pollyanna Xavier

Um ofício enviado pelo ICMBio ao gabinete do deputado federal Deley de Oliveira, em Brasília, revelou uma negociação, em estágio avançado, entre a CSN e o Instituto Chico Mendes para gerirem, em  conjunto, a Floresta da Cicuta. A informação, divulgada pelo deputado, caiu como uma bomba entre os ambientalistas de plantão e soou um alerta vermelho no Ministério Público Federal. A grande questão é que, ainda que a CSN não consiga avançar na questão da recategorização da Cicuta, mas obtenha êxito na gestão compartilhada, o destino da Floresta é incerto.

 

A informação só veio à tona porque Deley – que há cerca de 15 dias teceu duras críticas a Benjamin Steinbruch, no programa Fato Popular, da Rádio 88 FM, resolveu enviar um ofício ao ICMBio, pedindo esclarecimentos sobre o processo administrativo da CSN para a recategorização da Cicuta. Em resposta, o ICMBio disse “que a CSN chegou a enviar um parecer jurídico concordando com a recategorização, mas que em seguida não chegou a formalizar o pedido de mudança”. Com isto, o processo estava parado. Ao final do documento, o Instituto de Biodiversidade revelou a existência de uma tratativa para a gestão compartilhada da Floresta.

 

Segundo Deley, o ICMBio teria justificado a gestão  compartilhada. “Por fim, informo que estamos construindo, conjuntamente com a CSN, termo de gestão compartilhada para Arie Floresta da Cicuta de maneira que possamos aprimorar o processo de gestão e consolidação da unidade”, assinou o presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski.  Com a informação em mãos, Deley e o procurador do MPF, Júlio Araújo, estiveram na sede do Instituto, em Brasília, para manifestar não apenas o descontentamento sobre as tratativas (sigilosas) com a CSN, como também o fato de elas serem debatidas sem a participação da população do Sul Fluminense.

 

“A Cicuta é uma incógnita e o ICMBio negocia com uma empresa que não tem tradição de cumprir integralmente os acordos ambientais que sela na Justiça Há sempre um recurso, uma postergação, algo do tipo”, denunciou Deley, acrescentando que teme que a CSN tome a Cicuta como vem fazendo com vários imóveis em poder de clubes ou associações. “O que vemos hoje é o senhor Benjamin Steinbruch tomar e fechar”, criticou.

 

MPF

De volta à cidade do aço, o procurador Julio Araújo expediu uma recomendação ao Instituto Chico Mendes para que suspenda, imediatamente, qualquer tratativa em curso que tenha por objetivo alterar o regime jurídico da Arie da Cicuta, ou provocar alterações na gestão atualmente adotada e no regime protetivo em vigor. Se o ICMBio acatar a recomendação, ele terá o “prazo de cinco dias para dar publicidade aos processos administrativos e à discussão acerca do dominado termo de gestão compartilhada com a CSN para Arie ao Conselho da Unidade, expondo seus objetivos, destacando os pontos positivos e negativos atinentes à proteção ambiental da Cicuta”.

 

O MPF quer também que o ICMBio e a CSN realizem uma audiência pública e submetam o assunto à crítica e a discussão da sociedade. Esta audiência deverá ser realizada em até 60 dias da data da recomendação. A empresa não comentou a questão.

Arie

 A Área de Relevante Interesse Ecológico da Floresta da Cicuta, localizada na Fazenda Santa Cecília, foi criada no dia 9 de janeiro de 1985 por força de um decreto federal. A unidade de conservação está situada em área cuja titularidade é objeto de disputa judicial, tendo em vista os termos da Ação Popular nº 2005.51.04.003240-8, atualmente em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Esta ação trata da destinação do patrimônio da CSN não afetado às suas atividades industriais e contesta a sua incorporação à empresa após sua privatização, ocorrida em 1993.

 

O MPF sustenta que houve desvio de finalidade nas desapropriações de bens não-operacionais equivocadamente atribuídos à CSN e se manifesta pelo reconhecimento da titularidade desses bens em favor da União. Dentre estes bens não-operacionais está a Fazenda Santa Cecília, local que abriga a Floresta da Cicuta. Atualmente, a gestão da reserva é de responsabilidade do ICMBio, que tem por obrigação fomentar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade local. Cabe ao ICMBio também o papel de polícia ambiental para a proteção da Cicuta.

 

Vale lembrar que, por determinação da Justiça, a CSN não pode impor restrições aos poderes de fiscalização, gestão, monitoramento e proteção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A decisão é da 3ª Vara Federal de Volta Redonda, em julgamento da Ação Civil Pública nº 0141096-97.2015.4.02.5104. 

Nota da Redação: A CSN foi procurada para falar a respeito, mas preferiu não se manifestar.

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