sexta-feira, maio 1, 2026
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MEC suspende abertura de cursos de Medicina

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a abertura de cursos de Medicina sem autorização do Ministério da Educação (MEC) recoloca no centro do debate um tema sensível: a expansão do ensino médico no Brasil. O ministro Alexandre de Moraes derrubou uma autorização judicial que permitia a oferta de vagas sem análise técnica prévia, reforçando o entendimento já consolidado pela Corte na ADC 81. Na prática, o recado é claro: não há espaço para flexibilizações quando se trata da formação de profissionais da saúde.

O caso teve origem em uma decisão de primeira instância que havia liberado, de forma provisória, a atuação de uma instituição de ensino em cidades do interior paulista. A justificativa foi a suposta demora da União na análise do pedido administrativo. O Judiciário, nesse cenário, teria atuado para evitar prejuízos à instituição. O problema, segundo o STF, é que essa intervenção ultrapassou limites constitucionais.

Ao analisar o recurso, Moraes foi direto ao ponto: decisões judiciais não podem substituir o papel técnico do MEC. Isso porque a abertura de cursos de Medicina envolve critérios complexos, que vão desde infraestrutura hospitalar até a capacidade de formação prática dos alunos. Ignorar essas etapas, segundo o ministro, compromete a qualidade do ensino e, por consequência, a segurança da população.

A decisão também reafirma que não existe direito automático à criação de cursos superiores na área da saúde. Mesmo quando há decisão judicial determinando o prosseguimento de um processo administrativo, isso não significa aprovação garantida. Cada pedido precisa passar por uma análise criteriosa, baseada em parâmetros técnicos definidos pela legislação.

Para Marco Túlio Elias Alves, advogado e doutor em Direito, o julgamento reforça um princípio fundamental da administração pública. “O STF deixa evidente que o controle judicial não pode substituir a expertise técnica dos órgãos reguladores. No caso da Medicina, isso é ainda mais crítico, porque estamos falando de uma atividade diretamente ligada à vida humana”, afirma.

Na avaliação do especialista, decisões que flexibilizam esse tipo de exigência podem gerar um efeito cascata perigoso. Instituições poderiam buscar o Judiciário como atalho, criando um ambiente de insegurança regulatória. “A decisão do Supremo traz estabilidade ao sistema e evita a banalização da abertura de cursos”, completa.

Outro ponto relevante é o impacto sobre os estudantes. A autorização provisória de cursos sem reconhecimento pode gerar incertezas quanto à validade do diploma. Isso significa que alunos poderiam investir anos de estudo e recursos financeiros em uma formação que, ao final, não teria respaldo oficial.

A posição do STF também dialoga com um debate mais amplo sobre a qualidade do ensino superior no Brasil. Nos últimos anos, houve uma expansão significativa de cursos de Medicina, muitas vezes criticada por especialistas que apontam falta de estrutura adequada em algumas instituições.

Ao final, a decisão reafirma um equilíbrio delicado entre acesso à educação e garantia de qualidade. Expandir vagas é importante, mas não pode ocorrer à custa de critérios técnicos. O Supremo, ao intervir, sinaliza que o crescimento do setor precisa seguir regras claras e, sobretudo, responsáveis.

Expansão de cursos de Medicina reacende debate sobre qualidade e regulação no ensino superior

A discussão sobre a abertura de novos cursos de Medicina no Brasil vai muito além de decisões judiciais. Trata-se de um tema estratégico, que envolve desde políticas públicas de saúde até o futuro da formação profissional no país. Nos últimos anos, o aumento no número de vagas foi visto como uma solução para a falta de médicos em determinadas regiões, mas também levantou preocupações sobre a qualidade do ensino.

O principal desafio está em equilibrar quantidade e excelência. Abrir novos cursos pode ampliar o acesso, especialmente em áreas mais afastadas dos grandes centros. No entanto, a formação médica exige uma estrutura robusta, incluindo hospitais conveniados, laboratórios equipados e corpo docente qualificado – requisitos que nem sempre são atendidos.

Segundo Marco Túlio Elias Alves, advogado e doutor em Direito, a regulação rigorosa é essencial para evitar distorções. “A expansão sem controle pode comprometer não apenas o ensino, mas também a prestação de serviços de saúde. Médicos mal formados representam um risco direto à população”, explica.

Outro fator importante é o papel do MEC como órgão regulador. Cabe ao ministério avaliar criteriosamente cada proposta de novo curso, considerando aspectos técnicos e regionais. Essa análise não pode ser substituída por decisões judiciais, justamente porque envolve conhecimento especializado.

Além disso, há um impacto econômico significativo. Cursos de Medicina estão entre os mais caros do país, o que cria um mercado altamente competitivo. Sem uma regulação firme, existe o risco de que interesses comerciais se sobreponham à qualidade acadêmica.

O debate também passa pela distribuição geográfica dos profissionais. Embora haja um aumento no número de médicos formados, muitos ainda se concentram em grandes centros urbanos. A simples abertura de cursos em regiões específicas não garante, por si só, a fixação desses profissionais no interior.

Outro ponto crítico é a experiência prática dos estudantes. A formação médica depende muito do contato com pacientes e da vivência em ambientes hospitalares. Sem essa estrutura, o aprendizado fica incompleto, comprometendo a preparação do futuro profissional.

A recente decisão do STF, nesse contexto, funciona como um freio institucional. Ela reforça que a expansão do ensino deve ocorrer de forma planejada e responsável, evitando soluções rápidas que possam gerar problemas estruturais a longo prazo.

Para especialistas, o caminho ideal envolve políticas integradas, que combinem abertura de vagas com investimentos em infraestrutura e incentivos à fixação de médicos em áreas carentes. Não se trata apenas de formar mais profissionais, mas de garantir que eles estejam preparados para atender às demandas da população.

No fim das contas, o debate sobre cursos de Medicina reflete um dilema maior: como crescer sem perder qualidade. A resposta, ao que tudo indica, passa por respeitar critérios técnicos e fortalecer o papel das instituições responsáveis pela regulação do ensino superior no país.

Análise do advogado e doutor em Direito Marco Túlio Elias Alves

Aos políticos que desonram o Parlamento
O parlamentar brasileiro não deveria tratar com molecagem o mandato político. O povo, principal agente da democracia, merece respeito. O eleitor precisa rejeitar nas urnas os políticos que trocam de partidos, buscam reeleição, disputam outros cargos ou não cumprem integralmente seus mandatos. 
A política não pode ser concebida como cabide de emprego, instrumento de benefício pessoal ou negócio para vantagens privadas. Deve ser exercício transitório de prestação de serviços à nação. Encerrado o mandato, o retorno à profissão de origem seria o caminho correto dos parlamentares honrados, oxigenando a vida pública e fortalecendo a democracia. 
Mandato não é carreira ou profissão, mas serviço cívico. Aos que se julgam imprescindíveis: no cemitério repousa uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país. 
Temos consciência de que tais observações pouco importam às caricatas excelências, que riem dos eleitores. Mas o dia 4 de outubro de 2026 será a oportunidade para que a sociedade varra nas urnas os nomes dos políticos indecorosos que desonram o Parlamento. 

Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado

Resultados que preocupam

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O Volta Redonda vem de dois resultados que fazem acender o sinal de alerta entre os torcedores. O primeiro foi a derrota para a Chapecoense, por 1 a 0, na estreia na Série C, no sábado, 4. Pior: jogando em casa. Quem pretende voltar a disputar a Série B não pode se dar ao luxo de perder pontos em casa. Já pela Copa Sul-Sudeste, o tricolor de aço foi a Saquarema e empatou com o Sampaio Corrêa em 1 a 1.

Tomou um gol logo no início, em uma falha da zaga e conseguiu empatar na segunda etapa, graças à cobrança de um pênalti, convertido por Luciano Naninho. O empate não foi de todo ruim, até porque o Volta Redonda manteve a liderança do grupo B, com sete pontos ganhos. E deve seguir na liderança até a próxima rodada, quando enfrentará o Tombense, na quarta, 15, às 20 horas, no Raulino. Mas fica o alerta: não se pode perder pontos dentro dos seus domínios. Até porque disputar duas competições ao mesmo tempo não é nada fácil. Piora quando entrega a rapadura… Tem mais é que cantar de galo no terreiro. Quem viver verá!

Jogos do Voltaço na Copa Sul-Sudeste
Dia 14, terça, 19h30min contra o Tombense no Raulino; dia 30, pega o Caxias no estádio Centenário; e dia 6 de maio, joga contra o Novorizontino no Raulino de Oliveira.

Reforços
O Voltaço não para de contratar jogadores e acertou a vinda do atacante Wendel, 22 anos, que estava no Ivinhema F.C. Quem está de volta é o goleiro Yago Oliveira, 25 anos, que retorna por empréstimo ao North E.C. Vamos ver no que vai dar esse monte de contratações. Tomara que acertem a mão, pois têm aparecido alguns reforços que são verdadeiros refugos. 

Padel 

O Clube dos Funcionários está sediando, desde ontem, sexta, 10, a segunda etapa do Circuito Carioca de Padel de 2026. O evento, que também marca as comemorações pelos 84 anos do tradicional clube de Volta Redonda, é organizado pela Federação de Padel do Estado do Rio, conta ao todo com 75 duplas, distribuídas em 10 categorias – cinco masculinas (2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª) e cinco femininas (3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª). 


História
Quem contava era o saudoso ponteiro esquerdo Sivaldo, que atuou pelo Voltaço no início dos anos 80. O craque e o também saudoso Wilton Xavier fizeram uma excursão a Paris quando jogavam pelo Vitória-BA. Depois de um dos jogos, os dois caíram na noite e, quando voltaram, a cozinha do hotel já estava fechada. Preocupado, Sivaldo pensou em ligar e pedir um sanduíche. Mas não sabia falar francês. Só que Wilton não se apertou e mandou: “Deixa comigo. Eu falo francês”. Pegou o telefone, discou para a portaria e mandou a pérola: “Pêr fêver, miciê podê mê trazê doês sanduichês de queijuntê ê presuntê, em mê quartê?”. É claro que o recepcionista não entendeu nada. Os ‘sandubês’ dos dois ‘freguesês’ nunca chegaram no ‘quartê’ das duas figuraças, que foram dormir de barriga vazia. É mole?

Tabela
Aqui estão os jogos do Voltaço até a sexta rodada da Série C de 2026. Amanhã, domingo, 12, às 18h30min, enfrenta o Guarani, em Campinas. No dia 18 pega o Caxias-RS no Raulino. Dia 25 vai a São Luiz enfrentar o Maranhão. No dia 3 de maio, recebe o Brusque no Raulino; dia 5 encara a Ferroviária-SP. 

Bola fora
Para o atual futebol brasileiro, cuja qualidade vai de mal a pior. Os caneludos e valentes imperam. Querem a todo custo apitar os jogos, pressionando os árbitros. Se acham craques, cheios de mi-mi-mi. Ganham um dinheirão em troco de nada. O pior é que são acobertados por dirigentes despreparados e mal-intencionados. 

Bola dentro
Para STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva -, que resolveu acordar e punir os indisciplinados. Puniu o nervosinho técnico Abel Ferreira com oito jogos de suspensão. As expulsões foram nos jogos contra o São Paulo e Fluminense. A Justiça precisa agora mirar jogadores que andam abusando.

Varandão da Saudade

Aí está o time do Rodoviário A.C., bicampeão da LDVR- Liga de Desportos de Volta Redonda, em 1955. A foto pertence ao acervo do saudoso Walter Andrade.

Em pé, da esquerda para a direita: Pé de Lata, Marinho, Zezé, Walter, Sucuri e Lula. Agachados: Telmo, Alcino, Loló, Niraldo e Tarzan.

Vai vendo…

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VOLTA REDONDA: Neto veta tombamento do Náutico, e Câmara deve votar, a pedido do clube, para local não ser tombado

Por Mateus Gusmão 

Na política acontece coisa que até Deus duvida, já diz o ditado. E em Volta Redonda não seria diferente. Como o aQui revelou na edição 1498, a Câmara de Vereadores aprovou a Lei Municipal 035/2026 apenas para inglês ver. Ou seja, uma norma sem efeito prático. A proposta, do vereador e advogado Rodrigo Furtado (PL), previa o tombamento do Clube Náutico como patrimônio histórico municipal. O objetivo, na prática, era impedir o despejo do clube de lazer e evitar que o espaço retornasse às mãos da CSN, que havia cedido o imóvel em comodato e agora o reivindica de volta. Vale lembrar que a siderúrgica já venceu a disputa em primeira instância.

Aprovado pelo Legislativo, o projeto seguiu para o prefeito Neto (PP), que decidiu vetá-lo. O motivo: a proposta não estaria em conformidade com a legislação municipal que regula o tombamento de imóveis, conforme consta da Lei 5.662/2019. A norma, ainda em vigor, estabelece que qualquer processo de tombamento deve passar por uma Comissão Técnica do Patrimônio Cultural Edificado, sob coordenação do IPPU-VR (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Volta Redonda), o que não ocorreu.

O veto do Executivo foi encaminhado à Câmara na terça, 7. Agora, caberá aos vereadores mantê-lo ou derrubá-lo. Detalhe: existe uma praxe dos parlamentares de que não se vota contra projetos aprovados na própria Casa e, mesmo quando há veto do Executivo, a tendência costuma ser pela derrubada. Mas, desta vez – vejam só –, isso não deve acontecer com o projeto de Rodrigo Furtado. O motivo é simples: existe um pedido da direção do próprio Clube Náutico, que teme que o tombamento possa atrapalhar suas atividades enquanto o processo de despejo tramitar na Justiça.

Um dos vereadores que se manifestou foi Betinho Albertassi (Republicanos). Ele reconhece que a proposta tem, em tese, uma boa intenção. “Mas a minha preocupação é que já houve uma decisão em primeira instância, restando ainda segunda e terceira instâncias. Ou seja, esse processo pode se arrastar por uns 15 anos. Se a gente tombar o clube agora, a diretoria pode ficar impedida de fazer benfeitorias, entre outros problemas”, justificou.

O presidente da Câmara, Nilton Alves de Faria, o Neném (PP), unha e carne do prefeito Neto, adotou a mesma linha. Disse que não tinha conhecimento, na época da votação, de que a disputa judicial ainda estava em primeira instância. “Fiquei sabendo disso apenas depois. Eu queria pedir ao Rodrigo (Furtado) a gentileza de a gente votar isso mais à frente. O próprio Toninho Oreste, presidente do clube, acha melhor aguardar um momento mais próximo da decisão judicial para tratar do tombamento”, afirmou, ressaltando que o Náutico é contrário à medida neste momento.

Nos bastidores, parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que a tendência é pela manutenção do veto do prefeito Neto. A análise deve ocorrer ainda em abril.

Tombamento pode beneficiar CSN 

Criada com o intuito de dificultar a vida da CSN no seu desejo de reintegração de posse do imóvel ocupado pelo Náutico, a Lei 035/2026 – agora vetada – poderia acabar beneficiando justamente a empresa de Benjamin Steinbruch. Isso porque a legislação municipal prevê incentivos fiscais para imóveis reconhecidos como patrimônio cultural. A Lei nº 5.662/2019, que trata da proteção do patrimônio cultural de Volta Redonda, estabelece mecanismos de incentivo à preservação. A norma foi proposta pelo então vereador Carlinhos Santana e sancionada pelo ex-prefeito Samuca Silva.

O artigo 38 é claro ao garantir benefícios aos proprietários de imóveis tombados, com o objetivo de assegurar sua conservação. Entre os incentivos, estão: redução do IPTU, parcerias com o poder público e a iniciativa privada, enquadramento em leis de incentivo à cultura e até incentivos construtivos. Na prática, isso significa que, ao aprovar o tombamento do Clube Náutico, a Câmara poderia abrir caminho para que a CSN solicitasse esses benefícios fiscais – sem qualquer garantia de reabertura ou utilização do espaço.

O histórico recente reforça essa preocupação. No caso do antigo Clube Umuarama, o imóvel retornou à CSN após o despejo e permanece sem uso até hoje. O espaço chegou a despertar interesse de grupos empresariais – entre eles, uma rede de supermercados –, mas as negociações não avançaram. Pesaram o alto valor pedido pela CSN e o fato de o imóvel ser tombado, o que impede modificações estruturais.

A contradição entre os casos escancara uma fragilidade já conhecida nos bastidores do Legislativo. Como revelou o aQui, vereadores admitem que o projeto teria mais peso político do que efeito prático. “É um posicionamento da Câmara, mas não resolve. Todo mundo sabe disso”, afirmou um parlamentar, sob anonimato. O histórico recente reforça o ceticismo: clubes tradicionais, como Recreio do Trabalhador e Umuarama, também foram tombados por leis municipais, mas seguem fechados, sob controle da CSN.

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