quarta-feira, maio 25, 2022
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Bate bola – Sergio Luiz

Olha aí a seleção da LDVR – Liga de Desportos de Volta Redonda em 1961. A foto foi tirada no Raulino de Oliveira e pertence ao acervo do Cid. Em pé da esquerda para a direita: Raul, Eli, Romero, Marreta, Cid e Murtha. Agachados: Coração, Neném, Alan, Waltinho Maleco e Loló.

 

Isso é que é paixão

Na edição passada comentei o rebaixamento do Voltaço em 1985. Citei o ‘Mutirão do Voltaço’, que mostrou a força, a união e a paixão do torcedor que culminou com a volta do clube à elite do futebol carioca, depois de conquistar o título de campeão da segunda divisão em 1987. Talvez os mais novos não saibam, ou não lembram, que o Volta Redonda conviveu com mais dois rebaixamentos. O segundo foi em 1988, o que lhe custou dois anos fora da primeira divisão.
Na época, a diretoria, que tinha o Celso do Carmo como presidente, a torcida, o Conselho Deliberativo e a imprensa, se uniram, promoveram várias campanhas de arrecadação de recursos para bancar as despesas do time. Foi mais uma demonstração de paixão pelo clube, que levaram o tricolor de aço de volta a divisão principal do estado em 1990. Como diria o prefeito Neto, o Voltaço enverga, mas não quebra. Até quando não sei. Em 1999 chegou a cair novamente, mas reverteu no tapetão e se manteve na primeira divisão.
Em 2003, nova decepção e mais um rebaixamento. O presidente era Rogério Loureiro, e nem mesmo a astúcia do presidente da Federação, Eduardo Viana, o Caixa D’água, conseguiu salvar o Voltaço da degola. Para tentar ajudar, o polêmico dirigente inventou uma repescagem, reunindo os dois rebaixados contra os dois promovidos da segundona no mesmo ano. Só que, em um jogo muito estranho, o Volta Redonda foi eliminado pelo Madureira, em Conselheiro Galvão. Foi eliminado e acabou tendo que disputar a segunda divisão de 2004.
E, como nos anteriores, o rebaixamento voltou a mexer com os brios dos volta-redondenses. Prova foi que a decisão, contra o Boavista, mais de 23 mil torcedores lotaram o Estádio Raulino de Oliveira. Outros três mil ficaram de fora. Foi uma das mais belas e emocionantes festas, e com um empate (0 a 0) o Voltaço foi campeão. Detalhe: Aos 44 minutos do segundo tempo, uma bola na trave quase pôs tudo a perder. Quase matou os cardíacos que assistiam à partida.
A volta, em 2005, foi maravilhosa. Com coragem, a diretoria investiu e conquistou o seu mais importante título, o de campeão da Taça Guanabara e, em seguida, o de vice-campeão carioca, quando uma ‘Febre Amarela’ invadiu o Maracanã tanto na decisão da Taça Guanabara quanto nas finais do campeonato. Mostrou a força da torcida do Voltaço e só não atingiu seu objetivo por causa da má fé de um árbitro tendencioso, que meteu a mão na taça do tricolor de aço.
Agora, temos o quarto rebaixamento. E aproveito para mostrar a diferença dos rebaixamentos anteriores para o deste ano. Antes, havia credibilidade dos dirigentes envolvidos, sem contar o ótimo relacionamento do clube com a torcida e a imprensa. Hoje, isso não existe. Falta credibilidade e até transparência. Pior: O Voltaço terá que disputar duas competições importantíssimas. Será que vai ter time para tanto? Vou pagar pra ver. Quem viver, verá!

Treinador
A A diretoria do Voltaço apresentou o treinador Rogério Corrêa, 40 anos, que estava no 4 de Julho, do Piauí. Chega animado com o desafio que terá de levar o Volta Redonda para a série B do brasileiro e retornar para a elite do futebol carioca. E ainda tentar uma vaga na Copa do Brasil, disputando a Copa Rio. Ele foi jogador e começou a carreira de auxiliar técnico na Portuguesa, em 2017. Dirigiu o Artsul e a Cabofriense. Deixou o 4 de Julho na vice-liderança invicta do estadual piauiense. Tem um currículo que não dá para empolgar, né? Mas prefiro esperar para ver o trabalho do novo treinador, que teria um padrinho forte: o famoso empresário Reinaldo Pita. Boa sorte.

Barca
Como de praxe, a diretoria do Voltaço dispensou quase que um time inteiro: o goleiro Luiz Felipe; os zagueiros Dilsinho e Grasson; os volantes Muniz e Tinga; o meia Filipe Ribeiro; e os atacantes Hugo Cabral e Mattos. E ainda o preparador físico Paulo César Fagundes e o analista Paulo Henrique Freitas, o Grilo.

História
Meu amigo e radialista Paulo César Alves, hoje na Rádio Mix, é um figuraço. Certa vez, lá pelos idos de 1980, fomos transmitir um Fla x Flu no Maracanã. Chegamos cedo ao estádio e, como ainda não tínhamos cabine fixa, nos posicionamos na tribuna de imprensa, nas arquibancadas. De repente, procuramos pelo PC e, quando vimos, ele estava numa rampa acima das cabines ao lado do ex-jogador Flávio, o peito de aço. Cheguei perto do nosso herói e vimos que estava com os olhos fixos em direção ao gol à direita das cabines de rádio. Detalhe: estava chorando. Perguntei: “O que aconteceu?”. E, sob o olhar atento do velho artilheiro, Paulo César saiu com essa: “É muita emoção”. Concordei com ele, pois, realmente, ver o estádio cheio e estar ao lado do ídolo era emocionante. Porém, não era nada disso. PC explicou: “Foi ali, naquele gol, que deixei a marca da bola, no travessão, num chute que dei atuando pela seleção da Marinha, numa preliminar de um Fla x Flu”. O peito de aço virou o rosto e, debochadamente, deu um sorriso, como se dissesse: “Esse cara é maluco”. Paulo César enxugou as suas lágrimas de crocodilo e foi comentar o clássico. É mole?

Reforços (I)
O torcedor do Voltaço anda querendo saber que mágica os dirigentes vão usar para montar um bom time daqui em diante. Afinal, o clube estaria sem dinheiro.

Reforços (II)
Apesar da falta de grana, o Voltaço corre atrás para montar o time e estaria querendo contratar alguns ‘reforços’, como Jair Diego Atlético-PR, Matheus Alexandre, do Boavista; o atacante Igor Catatau, do Madureira; o zagueiro Iran, do Atlético de Alagoinhas-BA; e um lateral do Atlético-MG, assim como os atacantes Jefinho e Bold, do Resende. Detalhe: o Voltaço estreia na série A2, no dia 4 de maio, contra o Friburguense, em Friburgo. No dia 10 de abril, o tricolor de aço estreia contra o Figueirense, no Raulino. Será pauleira, irmão!

LDVR
O Campeonato amador da LDVR começa hoje, sábado, 26, com os seguintes jogos. Às 15 horas – Inter Califórnia x Ajax FC, na Califórnia; Santos x CMA, na Água Limpa. E às 16 horas – Juventude x Delta, na Vila Americana. Amanhã, domingo, 27, às 11 horas, Eldorado e Talento Jovem jogam no Vale Verde e Interclube x Meninos da Vila, na Vila Americana.

Bola fora
Para a violência que impera no futebol brasileiro. Os caras estão entrando para quebrar e agora querem apitar os jogos, ameaçando os árbitros a cada lance, certo ou errado, pressionando-os para que consultem o VAR. Fora de campo, a coisa está pior, com brigas e mortes de torcedores. Alguém tem que dar um jeito nisso. Acabar com a violência e com as reclamações.

Bola dentro
Para a semifinal do Carioca, que voltou a mexer com o torcedor, fazendo reavivar a rivalidade entre os quatro grandes. Isso mostra que os estaduais não morreram. O que precisa é ser mais organizado.

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