As trapalhadas de Conceição

Número de mortes em 2021 já é maior que em 2020; falta de vacinas assusta população de Volta Redonda

Mateus Gusmão

O quinto mandato de Neto à frente do Palácio 17 de Julho começou sob uma nuvem preta, sinal de tempestade a caminho, ou melhor, risco de ter sua diplomação cassada pelo TSE por inelegibilidade. Entretanto, apoiando-se em um enorme guarda-chuva, o prefeito eleito superou as intempéries, os boatos, e convenceu os ministros do TSE de que era inocente. Que não existia dolo nas suas contas rejeitadas.
Ficando no cargo, Neto completou – em 10 de abril – 100 dias à frente da prefeitura. Com discurso de “reconstruir” a cidade, os primeiros meses foram dedicados a enfrentar a segunda onda da Covid-19. Detalhe: em 100 dias, as mortes provocadas pela pandemia superaram as que aconteceram em todo o ano de 2020. Enquanto isso, a secretária de Saúde, Conceição Souza, importada da pequena Piraí, patina para comandar uma campanha de vacinação (ver quadro demonstrativo).
Diante das centenas de reclamações, Conceição liberou uma nota técnica para tentar tranquilizar a população. “O fim do prazo constante no cartão de vacinação não traz risco de perda dos efeitos da primeira dose em relação à segunda. O prazo estipulado inicialmente para segunda dose previa condições que não se confirmaram da produção das vacinas no Brasil”, disse na nota, ressaltando que o problema da falta de vacina foi o atraso da chegada de insumos vindos do exterior. “Tão logo novas remessas de Coronavac cheguem a Volta Redonda, todo seu estoque será disponibilizado para completar as segundas doses”, prometeu.
A falta da segunda dose também ocorre em outros municípios. Mas os problemas com a vacinação na cidade do aço já ocorrem desde o início da imunização. Entre os motivos, a imunização de jovens profissionais de educação física, administrativos de farmácias e hospitais, entre outros.
O fato, que gerou muita reclamação na cidade, fez com que o prefeito Neto fosse as redes sociais falar sobre a vacinação. E fez um mea culpa sobre os casos. “Erramos também em momentos da vacinação. Vacinamos pessoas que merecem e precisam, como qualquer um, mas que poderiam ter esperado um pouco mais (como público prioritário de baixa idade) para que os idosos fossem imunizados”, disse.
Já a secretária de Saúde, Conceição Souza, não apareceu em público em nenhum momento falar sobre as trapalhadas da sua pasta. Nem nas transmissões online de Neto ela participou. “Está em Piraí?”, indagava uma senhora de um grupo que foi até a sede da secretaria para protestar contra a falta da segunda dose da Coronavac.
Outras denúncias também foram feitas a respeito da vacinação. É o caso de pessoas de outras cidades estarem procurando a rede local para se vacinarem. Motivo: as unidades de saúde de Volta Redonda não solicitavam comprovante de residência para vacinar ninguém. “Agora, vemos que pessoas de outras cidades estão vindo para Volta Redonda. Isso tudo está sendo revisto”, disparou Neto. Ele prometeu e fez. Após sua postagem, a secretaria de Saúde passou a cobrar a comprovação de moradia das pessoas que iriam ser imunizadas.
Outra polêmica criada pela secretária de Saúde, Conceição Souza, foi a suspensão do tratamento precoce da Covid-19. Ainda no antigo governo, quando um paciente era diagnosticado com suspeita de estar com a Covid-19, ele iniciava o tratamento com a Nitazoxanida, uma conduta do médico infectologista Edmilson Migowski. A SMS decidiu encerrar o tal tratamento.
Após muita chiadeira, Volta Redonda voltou a adotar o chamado tratamento precoce. Mas com uma diferença: o medicamento usado é o que for indicado pelo médico. Segundo a prefeitura, 330 pessoas receberam tais medicamentos em casa ou retiraram em postos de saúde. A cidade também adotou um novo protocolo de atendimento, através da Teleconsulta. Sem sair de casa, o paciente consegue atendimento com um médico. Mais de mil pessoas já foram consultadas.
“A grande vantagem dessas ações é que a pessoa que estiver com sintomas não precisa sair de casa. Ela tem as orientações de um médico através da Teleconsulta e recebe os remédios prescritos em casa”, comentou o prefeito Neto, acrescentando: “Estamos em uma verdadeira guerra. Sabemos que temos muita coisa para fazer e os desafios são grandes. No entanto, a vontade de fazer o melhor pela população é maior. Estamos trabalhando muito, principalmente para superar o coronavírus. Esperamos contar com a colaboração da população nas medidas de prevenção à Covid-19”, destacou o prefeito.
Leitos
Enquanto a pandemia avança, o número de leitos hospitalares em Volta Redonda também está crescendo. Isso, é bom que se destaque, não ocorre por conta de Conceição Souza. Muito pelo contrário. Deve-se ao gabinete do prefeito Neto. Prova disso é que, mesmo contra parte da opinião pública, Neto liberou dois jogos no Estádio Raulino de Oliveira para o campeonato paulista. Em troca, a cidade vai receber 10 respiradores e 10 monitores cardíacos.
Desde que assumiu o mandato, Neto abriu doze leitos de UTI, 46 de Clínica Médica e quatro de Unidade Intermediária. Além disso, mais dois leitos de UTI foram abertos no Hospital São João Batista no mesmo período, informou a prefeitura. Já no último final de semana, chegaram à cidade 30 camas hospitalares, 10 monitores cardíacos e cinco respiradores para equipar a rede pública de saúde no tratamento de pacientes com Covid-19. Todos serão instalados no anexo da FOA no Hospital do Retiro.
Os cinco respiradores que chegaram foram enviados pelo Ministério da Saúde, com apoio do deputado federal Felício Laterça e do vereador Temponi. Conseguimos garantir nesse fim de semana, equipamentos para mais 15 novos leitos de UTI em nossa cidade. Tudo ficará de legado para Volta Redonda”, afirmou o prefeito.

Mais 10 respiradores

Finalmente a prefeitura de Volta Redonda recebeu os 10 respiradores prometidos pela Federação Paulista de Futebol para que a cidade do aço permitisse a realização de dois jogos do campeonato paulista. Os equipamentos já estão instalados no anexo da FOA no Hospital do Retiro. A rede pública municipal de saúde também foi reforçada por uma remessa do chamado ‘kit intubação’, enviada pelo Ministério da Saúde, para atender casos graves de problemas respiratórios.
“É importante cuidar de quem precisa neste momento e ter uma rede de saúde com capacidade para atender a população. Esse reforço de equipamentos e medicações mostra a importância das parcerias e, em breve, teremos mais leitos intermediários e para casos graves”, explicou o prefeito Neto, que visitou na manhã de ontem, sexta, 23, as instalações onde funcionarão os leitos no anexo do Hospital do Retiro e conferiu de perto os novos equipamentos.
“Já temos 10 leitos de UTI prontos no anexo e 15 sendo montados. As obras ficaram prontas em tempo recorde e mesmo no pior momento da pandemia, conseguimos os equipamentos. Trocamos pneu com o carro andando”, comentou a diretora do Hospital do Retiro, Márcia Cury.
Remédios – Em relação ao “kit intubação”, fazem parte os medicamentos: cisatracurio 10mg – frasco/ampola; fentanila (lista a1) 0,05 mg/ml – 10 ml – frasco/ampola; midazolan (lista b1) 5mg/ml – ampola 2 ml; propofol (lista c1) 10 mg/ml – ampola 20 ml; morfina, sulfato (lista a1) 10 mg/ml – ampola 1 ml; suxametonio (pó liofilizado) 100 mg – frasco/ampola.

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