Xeque!

Tendo que se preocupar em cuidar da saúde da população de Barra Mansa por conta da Covid-19, o prefeito Rodrigo Drable deu mole e dificilmente terá condições para mudar o placar de uma partida indigesta, que terminou na semana passada. A goleada –  7 a 0 para a oposição – terá que ser confirmada no tapetão já na próxima semana e, se não conseguir driblar seus adversários, Rodrigo corre o risco de ficar inelegível para as eleições de 4 de outubro. 

Para quem não acompanha o desenrolar das partidas que estão sendo disputadas entre Rodrigo Drable, o Tribunal de Contas do Estado e os 19 vereadores de Barra Mansa, a explicação é simples: as contas de 2019 do governo Drable já foram rejeitadas três vezes pelos burocratas do TCE, sempre pelo placar de 7 a 0, ou seja de forma  unânime. Assim, a única chance de o prefeito reverter o quadro que lhe é desfavorável é que a Câmara de Barra Mansa por maioria simples aprove as contas, rejeitando o parecer contrário do TCE.

Parece fácil, mas não é. É que dos 19 parlamentares qe vão apreciar o parecer contrário do TCE, o prefeito já não conta mais com o apoio da maioria. “Se a votação fosse hoje, ele perderia de 10 a 9”, avalia uma fonte ouvida pelo aQui.  “O vírus da Covid-19 vai matá-lo politicamente”, aposta, passando a detalhar a posição dos vereadores pró e contra Rodrigo.

“A Câmara está dividida atualmente em três grupos. Tem um ligado ao Tiago Valério, que é pré-candidato a prefeito. Ele conta com apoio do Marcel Castro, do Sabino e do Lélis. São os quatro da oposição e vão votar pela rejeição das contas“, sinaliza a fonte, pedindo anonimato.“Eles possivelmente terão o voto do Vicentinho contra Rodrigo”, acrescenta. “Aí já são 5 votos de oposição”, contabiliza.

Ela vai além. Revela que mais cinco parlamentares estariam ligados a Bruno Marini, também pré-candidato a prefeito, o que daria o total de 10 votos contra Rodrigo. “O Bruno está com eles na mão”, pontua. “É o caso do Wellington Pires, do Gustavo Gomes, do pastor Jaime, do Zélio Show e da Maria Lucia”, relaciona, garantindo que esses parlamentares podem até trair o dono da água mineral Mineralli. “Traição é possível, mas foi o Bruno quem montou a nominata para eles no PSD, PL,Republicanos e no PRTB. Se votarem pela aprovação das contas do prefeito, podem não concorrer”, revela.

“Mas como?”, indaga o repórter. Segundo a fonte, que já foi ligada ao prefeito e hoje está mais para a oposição do que nunca, Bruno teria conseguido filiar de 8 a 9 mulheres em cada legenda. “Elas vão se candidatar a pedido do Bruno. Se ele pedir para que elas não sejam candidatas, a legenda fica sem número suficiente de mulheres para lançar uma nominata completa. Aí, todo mundo dança”, brinca.

“O Bruno montou um harém dentro das legendas para ajudar os vereadores. Se eles votarem com o prefeito, elas não serão candidatas”, resumiu, negando-se a revelar os nomes das pré-candidatas. “Os vereadores dependem dele”, destaca, apostando que todos vão votar pela rejeição das contas de Rodrigo Drable. O que tornaria o prefeito inelegível de acordo com a lei da Ficha Limpa.

A versão de Rodrigo Drable

aQui: Há quem aposte que suas contas de 2018 – rejeitadas pelo TCE – também serão rejeitadas na Câmara de Barra Mansa, já que a oposição teria 10 votos e a situação, apenas 9. Esses cálculos estão certos?

Rodrigo Drable: Apenas cinco vereadores se declaram de oposição. Temos outros vereadores que manifestam discordâncias pontuais, naturais do debate democrático.

aQui: Por que o TCE rejeitou as contas de 2018?

Rodrigo: O TCE alega que foi informado pela prefeitura, na prestação de contas de 2018, que teríamos pagado contas de 2014 e 2016, com recursos do Fundeb de 2018. A informação foi feita de maneira equivocada por uma servidora, que reconheceu o erro e logo depois corrigiu, fazendo inclusive uma nota explicativa ao Tribunal. O fato é que não aconteceu a irregularidade. Fizemos recursos, provamos que efetivamente houve um erro de interpretação do Tribunal. Dentro do próprio TCE, o Ministério Público concordou que há um equívoco e reconheceu a necessidade da reanalise das contas por parte do TCE. O Corpo Técnico Instrutivo do TCE também deu parecer pela reanalise das contas. Contudo, o Conselheiro relator das contas alegou que não cabe recurso e que, mesmo provado o erro, quem deve fazer o julgamento é a Câmara. É um absurdo, mas é isso. Lembrando que não se trata de superfaturamento de nada, de nenhum ato de corrupção. A acusação é de termos pago uma conta do governo passado, com um recurso que não poderia ser utilizado pra isso.

aQui: Como conseguir aprová-las na Câmara?

Rodrigo: Contanto com o senso de justiça e critério técnico dos vereadores. Contudo, sabemos que no período pré-eleitoral, alguns farão de tudo para utilizar esse expediente para me impedir de disputar eleição. Deveriam trabalhar mais e ganhar nas urnas, no convencimento do povo.

aQui – Como voltar a ter maioria na Câmara para que as contas sejam aprovadas?

Rodrigo: Espero ter a maioria contando com o senso crítico de cada um. São poderes independentes, espero apenas que alguns não façam o uso do voto apenas com a intenção de me tirar do jogo eleitoral, afinal de contas nosso povo não é bobo.

aQui: O que o senhor fará se forem rejeitadas politicamente? 

Rodrigo: Recorrerei às instâncias competentes para que seja feita a reanalise técnica das contas. Viemos de um período conturbado, com a cidade quebrada e as evidências de irregularidades do governo passado. Acabamos com a pilantragem, colocamos as finanças em ordem, temos os melhores indicadores de saúde da região, implementamos serviços importantes como hemodiálise, escolas integrais, asfaltamento dos acessos da cidade, e estamos fazendo um grande serviço na guerra contra o corona-vírus. Espero que a Câmara seja justa e que lembrem que o verdadeiro julgamento acontecerá nas urnas.

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