VR e BM registram mais de 100 casos de estupro desde 2022

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Por Mateus Gusmão

Na quinta, 20, os brasileiros foram surpreendidos com notícias ruins. Mostravam que o país bateu recorde em casos de estupro em 2022. Detalhe: um caso a cada sete minutos. Os dados foram divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública e apontam que, pelo menos oficialmente, 74.930 pessoas foram vítimas desse tipo de crime no ano passado. A taxa cresceu 8,2% em relação a 2021. No Sul Fluminense, a realidade não foi diferente. Pelo menos é oque o aQui descobriu ao analisar os números do Instituto de Segurança Pública (ISP).
Em Volta Redonda, por exemplo, foram registrados 61 casos de estupro em 2022. O maior número desde 2017, quando 66 casos foram notificados. Em 2023, de janeiro a maio, 19 vítimas já foram à polícia contar que foram estupradas. Em Barra Mansa, em 2022, foram 26 casos. E nos cinco primeiros meses de 2023, já registrou 19 casos, o que mostra uma tendência de alta. Vale ressaltar que os números podem ser maiores, pois são contabilizados apenas os crimes ‘oficiais’.
Segundo Juliana Brandão, coordenadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e responsável pela pesquisa sobre estupros em âmbito nacional, o número de casos é o
maior desde que a instituição começou a acompanhar tais ocorrências. Mas seria difícil atribuir o aumento a um único fator, principalmente porque é um crime extremamente complexo, que tem suas especificidades. Pior. A maioria das vítimas seria criança ou adolescente.
Juliana destacou que nesse caso os dados apontam para vítimas com até 13 anos, consideradas vulneráveis. “Esse aumento dos números é apenas o aumento das notificações, porque o crime de estupro por si só é um crime que, pela natureza que carrega, já tem muita subnotificação. Quando estamos olhando para esse universo de crianças e adolescentes, é mais difícil ainda imaginar que crianças e adolescentes foram responsáveis por notificar a grande violência que sofreram”, afirmou.
Para a coordenadora do Fórum de Segurança, é possível que o resultado (da pesquisa) seja fruto de um conjunto de fatores que pode ser explicado, em parte, pelo maior empoderamento das vítimas, mas não se pode esquecer de analisar que há pessoas que estão sendo os vetores dessa comuni- cação oficial para as auto- ridades, os adultos. “E são esses adultos que conse- guiram, de alguma forma, funcionar fazendo essa mediação, ouvindo o relato das crianças e adolescentes e levando para a polícia para que o registro fosse efetivado”, acrescentou.