Gastando direito

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COMPORTAMENTO: Geração Z deixa de se endividar e se torna mais consciente com o dinheiro

Os jovens brasileiros têm uma relação mais equilibrada com o dinheiro do que os das gerações anteriores, e os números mais recentes sobre inadimplência no país ajudam a confirmar essa tendência. Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa Experian mostram que, nos últimos dez anos, a participação das pessoas com idade entre 18 e 25 anos no total de consumidores com contas em atraso caiu de 15,93% para 11,45%. A redução de 4,48 pontos percentuais ocorreu em um período em que o número absoluto de endividados no Brasil cresceu de forma expressiva, chegando a 81,7 milhões de consumidores em março de 2026.

Enquanto os jovens diminuíram sua participação no contingente de inadimplentes, outras faixas etárias registraram movimento oposto. O grupo com mais de 60 anos, por exemplo, viu sua participação saltar de 12,23% para 19,41% no mesmo intervalo. Os dados sugerem uma mudança de comportamento geracional que pesquisadores e especialistas associam a fatores como o acesso precoce à informação e a inserção da educação financeira no ambiente escolar e familiar.

Para Malu Lira, empreendedora amazonense de 16 anos que já publicou 20 livros sobre o tema e criou projetos de educação financeira que alcançam mais de cem escolas no Brasil, o movimento reflete um esforço educacional que começou a ganhar corpo na última década. “Acredito que a gente está vendo os frutos de um trabalho que começou há algum tempo, quando a educação financeira deixou de ser um assunto restrito a adultos e passou a ser apresentada para crianças e adolescentes de forma mais leve e acessível. Quando a gente aprende desde cedo a usar o dinheiro como ferramenta para realizar sonhos, fica muito mais natural evitar as armadilhas do consumo impulsivo e do crédito desenfreado”, afirma a jovem.

A trajetória de Malu é um exemplo do movimento que ela própria descreve. Inspirada ainda na infância pelos pais e por conteúdos que encontrou na internet, ela começou a escrever sobre finanças para crianças e, desde então, construiu um trabalho que combina literatura, empreendedorismo e atuação direta em escolas. Seu método prioriza a linguagem lúdica e a aproximação com a realidade dos jovens, o que, segundo ela, faz toda a diferença na formação de hábitos financeiros saudáveis. “Quando a educação financeira entra na sala de aula, não é apenas um conteúdo a mais, pois ela muda a forma como a criança enxerga o próprio futuro. O projeto que levamos para as escolas mostra que, ao envolver pais e professores nesse aprendizado, a gente cria um ambiente onde falar sobre dinheiro deixa de ser tabu e passa a ser parte do desenvolvimento humano. Isso reflete diretamente na forma como esses jovens vão lidar com o crédito, com o consumo e com os próprios sonhos quando se tornarem adultos”, diz.

Malu ressalta que os avanços não significam que os jovens estejam imunes às armadilhas do mercado financeiro. O acesso facilitado ao crédito por meio de carteiras digitais, o parcelamento integrado a plataformas de compra e a proliferação de produtos financeiros voltados para o público jovem continuam sendo desafios. “Os dados indicam que a base educacional construída nos últimos anos tem oferecido ferramentas para que essa geração negocie dívidas com mais consciência e evite o superendividamento em proporções semelhantes às das gerações anteriores”, conclui.

 

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Contas no vermelho

O endividamento das famílias brasileiras voltou a atingir níveis recordes em 2026, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade financeira no país. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,2% das famílias possuíam algum tipo de dívida em fevereiro, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2010. Além disso, 29,6% estão com contas em atraso, evidenciando a crescente pressão sobre o orçamento doméstico e a dificuldade de equilíbrio financeiro em diferentes faixas de renda.

O cenário reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. O maior acesso ao crédito, aliado à inflação persistente em itens essenciais e à tentativa de reorganização de dívidas antigas por meio de novos financiamentos, contribui para um ambiente de maior vulnerabilidade financeira. Nesse contexto, o crédito passa a desempenhar um papel ambíguo: ao mesmo tempo em que sustenta o consumo, também amplia riscos no médio e longo prazo.

Para Daniel Mazza, sócio-fundador da MZM Wealth, multi family office especializado em planejamento financeiro e gestão patrimonial, o avanço do endividamento evidencia um desafio estrutural de educação e organização financeira no país. “O crédito pode ser uma ferramenta útil quando utilizado de forma planejada, mas, sem uma gestão adequada da renda e das despesas, ele se transforma rapidamente em um fator de fragilidade financeira. O problema não é apenas o volume de dívida, mas a ausência de estratégia para administrá-la”, afirma.

As diferenças entre perfis de renda tornam esse quadro ainda mais complexo. Enquanto famílias de renda mais elevada utilizam o crédito como instrumento de gestão de liquidez e manutenção do padrão de consumo, as de menor renda enfrentam maior dificuldade para quitar dívidas em atraso. Esse descompasso reforça o impacto desigual do endividamento sobre a estabilidade financeira e a capacidade de formação de patrimônio ao longo do tempo.

Na avaliação de Daniel Mazza, a tendência de expansão do crédito deve continuar nos próximos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros e pela ampliação do acesso a produtos de financiamento. “O crédito continuará fazendo parte da vida econômica das pessoas. A diferença entre um instrumento de crescimento e um problema financeiro está na forma como ele é utilizado dentro de uma estratégia de longo prazo”, conclui.

Sobre a MZM Wealth

Fundada em 2020, a MZM Wealth é especializada em planejamento financeiro e gestão patrimonial. E oferece aconselhamento livre de conflitos de interesse, priorizando o compromisso fiduciário com seus clientes. Seu trabalho é focado em estruturar estratégias práticas e sustentáveis para a organização e crescimento do patrimônio ao longo do tempo. Para mais informações, acesse: https://www.mzmwealth.com/