‘Vou provar minha inocência’

Em entrevista a Cidinha Campos, ex-governador Pezão diz que pode ter sido vítima de uma trama maquiavélica

Rio de Janeiro - Governador Luiz Fernando Pezão participa de Fórum Nacional sobre previdência pública, no BNDES, e fala à imprensa sobre crise de segurança no estado (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O ex-governador Luiz Fernando Pezão, velho conhecido dos eleitores de Volta Redonda e região, está em uma verdadeira cruzada para tentar convencer a opinião pública de que não é corrupto, não ficou milionário, e de que não fez parte de nenhuma quadrilha comandada pelo também ex-governador Sérgio Cabral, seu ex-amigo e ex-aliado. Muito pelo contrário. Pezão, condenado a 98 anos de prisão, reclama de nunca ter sido ouvido pelo seu algoz, o juiz Marcelo Bretas. “Ele tem que provar que sou corrupto”, dispara, garantindo que sobrevive de uma aposentadoria que recebe do INSS, ‘no valor de R$ 5.100’.
Ainda usando tornozeleira, Pezão revelou, em entrevista à ex-deputada estadual Cidinha Campos, que comanda o programa ‘Cidinha Livre’ na Super Rádio Tupi, que não deseja a ninguém o que ele passou na prisão. “Eu não desejo pra ninguém ficar um dia na prisão. Agora, você imagina 1 ano e 11 dias. Não é fácil”, pontuou.
Devido à importância do momento, e do que Pezão disse em sua defesa, o aQui publica abaixo a transcrição da conversa de Cidinha Campos com Pezão, sendo que alguns detalhes foram editados por conta do áudio – em alguns momentos não dava para ouvir ou entender o que o ex-governador dizia.

Cidinha Campos: Agora eu vou falar com o ex-vereador, ex-deputado, ex-secretário por duas vezes, ex-vice-governador por duas vezes, e ex-governador, Luiz Fernando Pezão, único governador preso no exercício do mandato e condenado a 98 anos de prisão. Oi, Pezão. Como vai você?
Pezão: Tô bem, Cidinha. Prazer estar falando com você. Saudade muito grande. Gosto muito de você, da sua família. É uma emoção muito grande falar com você. Só quero fazer uma correção, que eu não fui deputado. Fui vereador, prefeito duas vezes, presidente da Câmara, aqui em Piraí, secretário, vice-governador e governador.

Cidinha: Como está a Maria Lúcia (mulher de Pezão, grifo nosso)?
Pezão: Maria Lúcia tá bem, tá… Foi uma guerreira, foi uma heroína muito grande que eu sempre tive ao meu lado nos momentos mais difíceis. Não é fácil. Toda quarta, sábado e domingo me visitando no palácio. Saía aqui de Piraí e ia lá pra Niterói, nunca faltou um dia. Uma guerreira!

Cidinha: Na prisão você chegou a alguma conclusão, onde você errou?
Pezão: Não, Cidinha… Eu tô querendo saber também. Eu sou a mesma pessoa. Claro que a gente faz muita reflexão. Eu não desejo pra ninguém ficar um dia na prisão. Agora você imagina um ano e 11 dias. Não é fácil. Eu tenho consciência do que eu fiz, da crise que eu enfrentei dentro do estado, porque eu lutei para conseguir a lei de recuperação fiscal, que foi uma grande conquista para o Estado. Tá aí, o Estado hoje respirando. Você viu aquela luta, ninguém acreditava que era possível fazer uma lei e a gente fez.
Eu tenho esses ativos, eu vou carregar comigo… São os momentos bons da política. Agora, eu estou esperando mostrarem onde eu errei, o produto do meu roubo, essas coisas todas.

Cidinha: Você acha que alguém pode acreditar na sua inocência depois de ser condenado a 98 anos de prisão?
Pezão: Cidinha, eu quero que provem. Eu só quero que leiam a minha defesa. Infelizmente, o doutor (Marcelo) Bretas não leu. Eu tenho certeza de que ele não leu. Eu tenho três pessoas que falam de mim, que me acusam. O Serjão (Sérgio de Castro Oliveira, grifo nosso), que falou que entregava dinheiro pra mim. Eu mostrei que ele era um mentiroso. No dia que ele falou que entregou 150 mil reais no meu apartamento no Leblon, eu deixei ele falar e tudo. Eu peguei e entreguei o meu passaporte, minha passagem e minha estadia de hotel pra provar que eu estava na Itália. Mostrei para o doutor Bretas. Ele não dá uma linha na sentença dele. Você acha que essa testemunha (Serjão), ela vale? Ela é a maior testemunha do doutor Bretas.
Eu não tenho um empresário, uma pessoa da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, da Camargo Corrêa, da Queiroz Galvão, do Ricardo Saud, da JBS, do Joesley Batista que foram depor. Não falaram de mim. O Ricardo Saud, da JBS, que foi o maior financiador de campanha, fala que tinha vergonha de falar em dinheiro comigo. Eu não sei o que eu tenho que fazer para provar minha inocência. Ele (Bretas, grifo nosso) não apresentou uma prova. Ele só tem prova de delator.

Cidinha: Ele diz que você recebeu mais de R$ 11 milhões da Fetranspor.
Pezão: É. Tem que provar. Você não acha que ele tem que provar? Eu não conheço um doleiro na minha vida, Cidinha. As pessoas que são faladas aí, não conheço nenhum! Duvido que ele prove um telefonema meu para um doleiro. Duvido que ele prove uma reunião minha com o Lavoura, onde eu combinei “Lavoura, você vai me dar aqui 11 milhões e você entrega pra fulano”. Agora, o cara falar lá de Portugal, tá fugido, pega e fala de mim? Eu sou um prato feito. Todos os empreiteiros e empresários que entravam lá (para depor, grifo nosso), eles perguntavam “E o Pezão?”. Ninguém falou de mim, Cidinha! Só o Serjão, o Carlos Miranda e o Cabral (Sérgio), depois da 14a condenação dele, quando já tinha mais de 200 anos de prisão, que ele falou de mim. Então…

Cidinha: Quando é que vocês romperam?
Pezão: Não, eu não rompi. Eu não tive tempo de romper com o Sérgio (Cabral). Eu não tive essa conversa com o Sérgio. Ele foi falar de mim dentro da prisão. Eu nunca deixei de falar com o Sérgio. Até uns dias antes dele ser preso, eu o procurei na casa dele de Mangaratiba e falei : “Sérgio, estão falando que você vai ser preso. Se você tiver algum dinheiro no exterior, você, pô, faz a repatriação. Tá na época da lei de repatriação”. Ele virou pra mim e falou: “Pezão, você não vem aqui na minha casa num sábado ser piloto de trem-fantasma”. Falei: “Então, tudo bem! Se não tem dinheiro no exterior, tudo bem”. Aí depois ele fala que é viciado em poder e dinheiro. Ele nunca tinha me falado isso. Mas, Cidinha, eu acho que a pessoa, para condenar, ainda mais a 98 anos, tinha que ter um cheque na minha conta, na conta da Maria Lúcia, na conta do meu filho… Que eu tenho uma fazenda, uma ilha, um jet-sky, um boi, uma vaca… alguma coisa! Não tenho nada.

Cidinha: Você não tem nem um boi?
Pezão: Não tenho nada! Eu não tenho…

Cidinha: Eu não estou aqui para crucificar ninguém…
Pezão: Eu sei. Eu tô me colocando a você, porque uma coisa assim é inexplicável. É de perplexidade, Cidinha!

Cidinha: Você alguma vez falou com o juiz Bretas?
Pezão: Falei uma vez, depois de um ano e 11 dias preso. Nunca me chamaram… Fui lá (na Justiça) depor, para ser testemunha do Sérgio e de outras pessoas, empresários que me convocaram como testemunha. Eu nunca fui pro Moro, pro Sérgio. Por diversas vezes fui prestar depoimento. Agora, me jogaram, Cidinha, me tiraram às 6 horas da manhã de dentro do Palácio, no poder, faltando 33 dias para acabar meu governo, pra acabar meu mandato. Entraram 6 homens de fuzil, 4 mulheres de metralhadora apontada pra minha cabeça e para a da Maria Lúcia, me levaram pra Polícia Federal, Cidinha! Respondi 83 perguntas, 43 que é onde eles justificavam que eu só movimentava dinheiro em espécie. Pegaram uma conta inativa minha de 97, do BCN, que já tinha até acabado. Não pegaram a minha conta ali, a 50 metros do Palácio Guanabara, em um posto de pagamento do Bradesco, que era minha única conta bancária. Eu… Até a (inaudível) do Palácio era debitada da minha conta. Eu entreguei todos os extratos pra eles.
Depois mais 20 perguntas como eu paguei meu médico no meu câncer. Aí eu mostrei que a Unimed cobriu metade e eu gastei uns 140 mil, de uma poupança que eu tinha de uns 160. Copiei todos esses cheques, tinha esses cheques todos com cópia e publiquei no Diário Oficial do estado.
Ele (Marcelo Bretas) pegou e falou assim: “Mas nós não vimos nenhum pagamento! Não temos nenhum registro aqui!”. Aí eu peguei e falei: “Quais são os médicos, a equipe médica?” e ele falou “Tá aqui. Doutor Jacob Kligerman e mais 7 médicos”. Eu falei: “Nunca vai achar, porque o doutor Jacob nunca foi meu médico! Meu médico foi o doutor Daniel Tabak”.
Depois, mais 12 perguntas que eu tinha comprado uma fazenda, à vista, de 2 milhões e meio de reais em Bom Jardim. Eu fui em Bom Jardim cinco vezes, Cidinha. Na enchente, três vezes na enchente, e duas vezes para inaugurar obra. Essas foram as 83 perguntas que eu peguei e, depois, ele disse: “Você tá preso, porque a Doutora Raquel Dodge falou que você tem 39 milhões de reais no exterior, que você é uma ameaça e que você pode movimentar esse dinheiro”.
Eu estou há 7 anos, desde 2014, sendo investigado pela Lava-Jato e pela Polícia Federal. Nunca acharam 1 real, Cidinha! Eu fui absolvido na primeira fase da Lava-Jato por 6 a 0 no STJ. A Polícia Federal me investigou por 3 anos, eu e a Maria Lúcia e o escritório do meu filho. Não acharam uma movimentação atípica. Aí me condenam, eu sou absolvido por 6 a 0 no colegiado, em março de 2018… Como é que de março de 2018 a novembro de 2018 aparece essa conta miraculosa aí, milagrosa, que eu tenho 39 milhões e ninguém me dá um depósito. Não tem nenhum depósito, não tem recibo, não tem um boi, não tem uma vaca, como eu te falei. Não tem uma Fazenda, um jet-sky, eu não tenho um bem comprado, Cidinha. Desde que eu entrei de vice-governador do estado em 2007, eu não tenho um bem comprado.

Cidinha: Isso é tão fácil de verificar, pelo menos no Brasil. Você não tem laranja?
Pezão: Não tenho! Eu tinha que ter, Cidinha. Tinha que aparecer uma pessoa… Será que em 7 anos a Polícia Federal… Será que eu sou mais esperto que esses caras todos que apareceram com mala de dinheiro, que apareceram com doleiro devolvendo dinheiro, com essas coisas, e o meu não aparece, porra?

Cidinha: Pezão, a sua condenação aconteceu no mesmo dia que saiu a matéria na Veja falando que o advogado Nythalmar Dias Ferreira, que na delação premiada aceita pelo PGR, acusou o Bretas de (…) negociar penas, orientar advogados e combinar com o MP. Você acha que isso aconteceu com você?
Pezão: O Nythalmar me procurou. Eu não acreditei. Ele falou, 15 dias antes de eu ser preso, que eu seria preso. O Nythalmar foi na minha sala. Eu vi, peguei e falou assim: “A Lava-Jato, o procurador da Lava-Jato e o doutor Bretas têm certeza de que você é sócio de uma construtora em Piraí!”. Eu peguei, dei uma risada e falei assim: “Você me desculpe, mas por esse motivo eu não vou ser preso nunca!”
E tá na minha denúncia. Não sou nada… Sou só amigo do sócio. Empresa instalada em Piraí que fazia manutenção da Dutra. Trabalha desde o governo Marcelo Alencar fazendo serviço pro Estado. Se instalou aqui em Piraí, era de Juiz de Fora, porque ela pegou a manutenção da Dutra. Uma empresa privada, e ele fala dessa alegação na minha acusação.
(…) O Juiz Bretas, no penúltimo parágrafo do que ele fala aí do Niltomar. Olha o que ele fala, Cidinha. Ele fala aí: “Na delação, as pessoas falam o que querem. Têm que provar”.
Mas o benefício da dúvida ele não deu pra mim. Já me condenou sem nem ter lido a minha, o meu depoimento que eu dei pra ele, ou ele se esqueceu. Isso que aconteceu, porque eu mostrei que esse Serjão no dia que… Porque o cara entrar no Palácio e falar que me deu 1 milhão, me deu 2 milhões, 3 milhões, é mole de falar, Cidinha. Como que eu vou provar?
Agora, quando ele deu mais detalhes de que foi no meu apartamento, tava lá… Me entregou o dinheiro. Doutor Bretas falou pra ele dar mais detalhes, aí ele pegou e falou “Ah, um fato que me marcou muito é que no dia seguinte eu abro o Globo e o apartamento do Pezão foi arrombado”. Aí o Bretas pergunta pra ele: “Ele comentou com você, falou com você depois se levaram o dinheiro?”, aí ele dá uma risada e deixa no ar de que um cara deve ter levado o dinheiro, mas eu nunca conversei com ele.
Primeiro que, se o cara leva o dinheiro, eu ia dar um toque nele, né? Pra desconfiar dele que ele tá combinado com o ladrão. Agora, como é que eu vou… Como posso ter recebido o dinheiro dele no meu apartamento, se eu estava na Itália? Eu provei pro doutor Bretas que eu estava na Itália. Eu mostrei meu passaporte, eu mostrei a passagem. Eu mostrei a estadia no hotel. Então, Cidinha, é fácil falar. Infelizmente, acabam com a vida da gente… Que a pessoa… Esses dias eu tava conversando com o presidente Lula pelo telefone e ele falou “Pezão, o cara quando tá ali, ele fala até da mãe pra sair, que ninguém aguenta aquilo lá!”

Cidinha: Você já conversou com o Lula depois que saiu da prisão?
Pezão: Já. Diversas vezes. A gente fala da vida, do que ele passou. Como é que uma pessoa pode ser condenada, Cidinha, num apartamento que ele não morou, num apartamento que ele não tem escritura e ele ficou preso 2 anos e pouco lá? Esse foi o momento que a gente viveu, de pegar um juiz aqui…

Cidinha: A que você atribui esse momento? Acha que havia um conluio entre o Moro e o Bretas?
Pezão: Ah, entre todos… Eles tomaram uma proporção, essa coisa da Lava-Jato cresceu, é um projeto… Particularmente, quando a gente vê hoje, é um projeto de poder, do Dallagnol
(Deltan Dallagnol) dar depoimento de cada um… Você vê nas gravações que cada estado tinha que ter um senador, o Moro vai ser Ministro da Justiça, com pretensões à presidência da República, e todo mundo tinha suas pretensões.

Cidinha: Você acha que o Cabral pode ter te denunciado para conseguir a liberdade da Adriana, mulher dele?
Pezão: Não sei. Acho que ele pode ter denunciado para ter redução de pena. Da Adriana, não acredito… Não sei, não tenho ideia! Mas as coisas que o Sérgio falou, assim, ele viajou muito, porque ele falar que eu ajudei pra… Que eu conversei com o Toffoli, pra dar dinheiro para o Toffoli, é uma maluquice tremenda. Eu estive com o Toffoli umas 4, 5 vezes com o Toffoli negociando a liberação dos recursos do Fundo de Justiça, junto com o doutor Luiz Fernando, presidente do Tribunal de Justiça, naquela crise do Estado, o Toffoli foi um grande mediador de nós contarmos com os recursos do Fundo de Justiça.

Cidinha: Você acha que o Cabral pode ter enlouquecido na prisão?
Pezão: Não… Não sei. Eu acho que ele não teve (inaudível). Agora, eu não sei como ele está, não tenho notícia. Acho que ele está tentando se defender, e é direito dele. Tô falando muito aqui, Cidinha, o que eu vivi. A minha parte… Eu quero que a força-tarefa e o doutor Bretas me mostrem um dinheiro que entrou na minha conta, um bem que eu tenho de origem de roubo, de furto, de dinheiro que eu pedi com empresário ou qualquer fornecedor do estado. Isso eu quero…

Cidinha: Como é que você vive hoje?
Pezão: Vivo dentro de casa em Piraí, tô com tornozeleira, tenho minhas limitações. Tenho que ficar de 8 da noite às 6 da manhã em casa. Posso sair só dentro do estado do Rio. Peguei essa Covid aí, que quase morri, foi pior do que meu câncer. Fiquei com 75% do pulmão comprometido. Tenho sequelas. Tenho que fazer fisioterapia do pulmão. Tô…

Cidinha: Você tem recursos pra viver?
Pezão: Ah, eu sou aposentado pelo INSS. Fiz isso tudo que você falou na introdução aí, sou aposentado, ganho 5.100 reais, a Maria Lúcia voltou a trabalhar, tem a aposentadoria dela. Aluguei meu apartamento no Rio e a gente vai vivendo. Eu vou lutar muito pra provar minha inocência. Vou… Agradeço a você por estar me dando esse espaço. Poucas pessoas procuram a gente nesse momento, né? Mas eu agradeço muito a você. Você me conhece, conhece a minha vida, conhece a Maria Lúcia.
Eu moro numa casa que ela herdou, sou casado com ela há 26 anos, a casa tem 41 anos, é o bem que eu tenho, e o apartamento no Leblon, que tá alugado. Apartamento ‘abaquiado’, que não tem nem elevador, infelizmente, o Sérgio falou que eu usava isso pra demonstrar que eu era uma pessoa humilde, quando eu levava jornalista pra almoçar ou jantar na minha casa.
É da vida, mas é a única coisa que eu tenho com muito orgulho.

Cidinha: Como você ficou esse período na prisão, e como é ser governador, levado do Palácio para uma cela?
Pezão: Cidinha, eu acho que o que me deu forças foi a minha família, porque a família não merece passar por isso. Claro que a gente tem as crises, tem muitas, tem até hoje, mas eu guardo muito comigo, porque eu não posso ver meu neto, meus dois netos, minha mulher e a minha mãe (…), principalmente, que sofre tremendamente e que a gente, antes de sair a sentença, a gente já estava do lado dela lá, porque ela nunca teve coragem de ir me ver na prisão.
Trabalha até hoje, luta até hoje, com 88 anos, passar por isso… Então, isso é que me dá forças pra eu mostrar e que não desejo isso a ninguém passar pela mesma coisa. Eu tenho certeza que se eu tivesse esse dinheiro que essas pessoas falam que eu tenho, que me acusaram, eu daria uma vida muito melhor pra minha mãe, para meu irmão, meus filhos, tenho um filho desempregado hoje, que é piloto, pra ver o nível de dificuldade que a gente vive.
Agora, isso não me… Isso só me fortalece. Eu tenho certeza… Eu rezo muito, peço muito a Deus, eu tenho muita fé, tenho muita resiliência. Deus só dá o fardo que a gente pode carregar, e eu vou provar minha inocência. Uma hora, em alguma instância, alguém vai ler a minha defesa. Assim como eu fui absolvido na primeira fase da Lava-Jato, não virei réu por 6 a 0 dentro do STJ, até março de 2018, que foi meu julgamento. De março de 18 até novembro de 18, não podia surgir 39 milhões que a doutora Raquel Dodge e o Doutor Félix Fischer (ministro do Superior Tribunal de Justiça) e o doutor Bretas falaram que eu tenho aí junto com a força-tarefa da cidade do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Rio de Janeiro. Vai ter uma hora, que eu tenho certeza, que vai aparecer uma instância na justiça que vai ler a minha defesa, vai pedir as provas e não vão ter provas.

Cidinha: Você nunca percebeu que o Cabral roubava?
Pezão: Cidinha, eu conversava com ele de tudo que acontecia dentro do estado, certo? Tô falando aqui dessa secretaria. Ele falou “Pezão, eu graças a Deus tenho o escritório da minha mulher que é o escritório mais bem-sucedido, um dos maiores escritórios do Rio!”. Sou eu que vou ficar questionando, se vai, se tem ou se não tem roubo? Eu trabalhava, Cidinha! Lembra dentro dessas favelas aí de Manguinhos, do Alemão, Jacarezinho, a Rocinha… Eu estava ali fazendo obra, trabalhando, tentando entregar Arco Metro-politano, lutando com a Dilma lá pelo Comperj.

Cidinha: Você frequentava a casa dele lá em Mangaratiba?
Pezão: Frequentava. Frequentava a casa dele, o apartamento dele no Rio!

Cidinha: Você não percebia a suntuosidade?
Pezão: Eu falava com ele, mas ele falava sempre isso do escritório da Adriana. Eu não posso ficar questionando a pessoa. Cada um tem sua vida!
Cidinha fala que acredita piamente na inocência de Pezão e do fato de conhecê-lo, e sua esposa, que eles frequentavam sua casa e sempre foram de comportamento simples e humilde.

Deixe uma resposta