Vai na fé

Deputado Federal lança livro ‘O Jesus Negro’ e condena o racismo nas religiões e outras formas de opressão

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Por Vinicius de Oliveira

Quem ainda acredita que fé e política são dois instrumentos poderosos para agir na sociedade e transformá-la em prol do bem comum tem hoje, sábado, 17, uma grande oportunidade. Vice-líder do governo Lula na Câmara, o deputado federal Henrique Vieira (Psol) promove, às 16 horas, no Memorial Zumbi, na Vila, um debate em torno do seu mais recente livro, ‘O Jesus Negro’, publicado pela editora Planeta. Pastor e fundador da Igreja Batista do Caminho, o parlamentar escolheu a cidade do aço para difundir sua defesa de que o Salvador não tem a pele clara, os alhos azuis e cabelos lisos, características típicas de um europeu, como a História comumente o define.
Para Henrique, Jesus é preto, foi oprimido em seu tempo e, por isso, não faz sentido que as religiões cristãs coadunem com o racismo e as opressões. “É importante relembrar que Jesus sendo um judeu da Palestina no primeiro século foi um homem oprimido. Essa é a condição de Deus na história: a condição de oprimido. Então no Brasil do século 21 é rosto negro, é sangue índio, é corpo de mulher. Isso é bíblico, é teológico, é coerente com o testemunho dos Evangelhos. Por isso estou falando, porque creio que brota do
Evangelho… do coração de Deus”, reforça o deputado.
Henrique Vieira, que se diz inspirado por D. Waldyr Calheiros, que estaria completando 100 de vida, conta como pretende levar sua ‘boa nova’ às periferias, onde o fundamentalismo religioso fez morada, justamente entre negros e negras para os quais pretende pregar. “Quero me colocar à disposição. Quero que isso se multiplique, quero que as pessoas peguem o livro e abram debates em casa, nos bairros, na igreja e eu quero estar à disposição para, em roda, de forma circular, simples e amorosa, falar do amor, falar da igualdade, falar de respeito, falar da Justiça, falar da beleza de ver Negritude em Jesus”.
O pastor, um dos principais agentes políticos com a missão de restabelecer o elo entre a esquerda brasileira e o povo evangélico majoritariamente contrário ao lulopetismo e às pautas identitárias,
contou ainda que sofre com recorrentes ataques de ódio em decorrência de sua opção teológica, inclusive de irmãos de fé. “Infelizmente são recorrentes dizendo que não sou cristão, que não sou pastor, que sou herege, que não prego o evangelho e às vezes até coisas mais sérias me desejando a morte, ameaçando. Mas também tem acolhimento, também têm pessoas que abraçam, sobretudo tem consciência diante de Deus. Então o coração fica triste, nós não naturalizamos os discursos de ódio, não podemos achar isso tranquilo, mas sem desespero, firme na consciência diante de Jesus e no amor ao próximo e seguindo adiante”.