Por Vinicius de Oliveira
A Câmara de Volta Redonda aprovou, por unanimidade, um projeto de lei apresentado pelo coletivo ‘Democracia Verde’ para que conste no calendário oficial do município ações afirmativas em prol da preservação climática. A ideia dos ativistas ambientais é garantir que o tema seja tratado nas escolas da rede municipal ao longo do ano letivo a fim de conscientizar os estudantes. “A educação pública é base fundamental para a evolução do cidadão e da cidadania, e não existe cidadania sem consciência ambiental, pois a urgência da preservação define os desafios desta e das próximas gerações. Ainda mais em Volta Redonda, cidade historicamente marcada pela poluição e pela urbanização desigual, devemos preparar nossa juventude nas escolas públicas municipais para lidar com tais desafios”, justificou Rodrigo Brandão, representante do ‘Democracia Verde’.
De acordo com Brandão, Volta Redonda poderá mudar sua fama de cidade poluída. “Vincular atividades pedagógicas, sejam teóricas ou práticas, com datas que celebram a consciência ambiental, é a chance de termos o poder público e movimentos socioambientais maximizando esforços conjuntos em prol da construção de um futuro sustentável e capacitado. Os professores para moldar a juventude volta- redondense de acordo com o mundo contemporâneo e suas necessidades”, justificou.
Apesar das questões sobre o clima já fazerem parte dos conteúdos programáticos preconizados pela BNCC (Base Curricular Nacional Comum), Brandão acredita que apenas isso não é suficiente para garantir uma discussão ampla e consistente a respeito do tema. É necessário, diz, que o Poder Público esteja engajado na missão. “Há uma pesquisa, divulgada em 5 de novembro de 2021 pela Organização das Nações Unidas, apontando que apenas 53% dos currículos educacionais de 100 países mencionam as mudanças climáticas. Quando o fazem, é algo superficial. Além disso, a ONU informou que somente 40% dos 58 mil professores entrevistados se sentem confiantes para ensinar sobre a gravidade do tema. Desta forma, este projeto de lei traz não somente a necessidade de se trabalhar o tema das mudanças climáticas dentro de sala de aula de forma transversal e interdisciplinar, mas também do estímulo à capacitação dos profissionais de educação para suprir satisfatoriamente a demanda”, defende.
O vereador Rodrigo Furtado, da Comissão Ambiental da Câmara, elogiou a iniciativa. “Se faz cada vez mais urgente que os integrantes do Poder Público prestem atenção às condições climáticas. Todos os anos acompanhamos tragédias ambientais no país. Em Volta Redonda também. É necessário pensarmos a cidade de forma estratégica e com responsabilidade ambiental, ou as gerações que seguirão a nossa não terão um planeta saudável para habitar. A prova disso é que nossa geração está sofrendo. Esperamos ver mudanças efetivas na cidade daqui para frente com a aprovação desse projeto”, crê.
Entre as propostas da lei está a ideia de usar as datas emblemáticas para tratar do tema, como Dia Mundial da Justiça Social (20 de fevereiro), Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16 de março), dia do planeta Terra (22 de abril), Dia internacional da Biodiversidade (22 de maio), Dia da Ecologia e Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), Dia Internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto), Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio (16 de setembro), Dia Internacional para a Redução de Desastres Naturais (13 de outubro) e Dia Mundial do Urbanismo (8 de novembro).

