quinta-feira, maio 26, 2022
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‘Tempo louco’

Chuva forte volta a alagar Amaral Peixoto; Vila Santa Cecília e Vila Brasília também foram atingidas

Roberto Marinho

Em tempos de mudanças climáticas, com eventos cada vez mais radicais – frio no verão, calor no inverno -, um verdadeiro dilúvio atingiu Volta Redonda na tarde de segunda, 7, provocando inúmeros pontos de alagamentos por toda a cidade. Muitos chegaram a temer pelo pior. Segundo informações da Defesa Civil local, choveu 70 milímetros, com picos de 45 milímetros durante o temporal. Resultado: o caos atingiu em cheio o coração da Vila Santa Cecília, e a Rua 33, onde o m2 é o mais caro do município, ficou intransitável com o transbordamento das águas do Rio Brandão. Até a Vila Brasília, na região do Retiro, foi atingida, assustando os moradores, levando-os a relembrar a ‘grande chuva’ dos anos 70.
Como não podia deixar de ser, a Avenida Amaral Peixoto, um dos principais centros comerciais de Volta Redonda, voltou a sofrer as consequências das fortes chuvas. Com o transbordamento do Córrego São Geraldo – que é agravado pelas obras de drenagem (mal)feitas na Rodovia dos Metalúrgicos, como o aQui já denunciou – mais uma vez o trecho inicial da avenida ficou embaixo d’água, prejudicando comerciantes locais e quem precisava passar pela via, que ficou intransitável.
O curioso é que, exatamente no dia do temporal, a prefeitura de Volta Redonda informou em seus canais oficiais que finalizaria no dia seguinte – terça, 8 – a limpeza e a dragagem do córrego. Obviamente, a administração municipal não tem bola de cristal e não poderia prever o dilúvio que cairia, mas alguns leitores chegaram a ligar para saber se, diante da repetição do problema, a dragagem não poderia ter sido feita antes do período das chuvas?
O aQui fez essa pergunta para a prefeitura, que respondeu por meio da Secom (secretaria de Comunicação) dizendo que o córrego “está sendo dragado neste momento e será permanentemente (dragado) como forma de aliviar esta situação”, Tem mais. A Secom citou ainda a medida como uma das ações de curto prazo tomadas para tentar resolver o problema. E adiantou que soluções de médio e longo prazo estariam “sendo tomadas e estudadas”, sem especificar quais.
Na terça, 8, a secretária interina de Infraestrutura, Poliana Gama, afirmou que a pasta vem realizando diversas ações de prevenção de alagamentos desde o ano passado. Segundo ela, na região central da cidade, além da dragagem do Córrego São Geraldo, foi feita a limpeza de bueiros e bocas de lobo ao longo de toda a Avenida Getúlio Vargas (paralela à Amaral Peixoto, grifo nosso). “A Avenida Getúlio Vargas é uma das ligações entre as rodovias Lúcio Meira (BR-393) e a Presidente Dutra (BR-116), além de interligar o município às cidades vizinhas de Pinheiral e Barra Mansa, e que fica alagada em dias de chuva, oferecendo riscos aos motoristas. A limpeza irá contribuir para que não haja mais alagamentos no local”, apontou.
Água demais
Outro problema já detectado – inclusive pela própria prefeitura – é a obra de drenagem que foi feita na Rodovia dos Metalúrgicos, como parte da construção de uma nova entrada para o Portal de Saudade, que culminou com a instalação de uma rotatória de qualidade muito duvidosa no local. Técnicos ouvidos pelo aQui em ocasiões anteriores já afirmavam que a obra tinha tudo para provocar alagamentos na Amaral Peixoto e na própria rodovia, como realmente vem acontecendo. Somado a isso, a construção do Shopping Park Sul e dos hipermercados ao lado também contribuiu para as cheias do Córrego São Geraldo, uma vez que toda a água recolhida nos imensos estacionamentos é direcionada para o rio, que não comporta tamanho volume.
O pior é que o problema vai aumentar, já que estão sendo construídos diversos empreendimentos imobiliários ao longo da Rodovia dos Metalúrgicos. Com mais ruas asfaltadas, será necessária a construção de um sistema de escoamento das águas pluviais. A água recolhida tem que ir parar em algum lugar, e fica a questão: será que o sistema já sobrecarregado naquela área aguenta ainda mais tanta carga?
Casca de ovo
A Rodovia dos Metalúrgicos tem outro problema crônico, também ligado às chuvas: desde a construção da rotatória do Portal da Saudade, sempre que chove o asfalto na área “derrete”, formando imensas crateras na pista. Agora, com o volume anormal de chuvas, a situação piorou, com buracos atravessando toda a largura da faixa de rolamento. Os caminhões que trafegam na via têm que transitar como se estivessem em uma estrada rural, com velocidade baixíssima, causando engarrafamentos e trazendo risco aos motoristas. A prefeitura chegou a usar escória para tapar os buracos, mas não adiantou muito. Agora, além de esburacada, a pista está enlameada.
A causa do problema já é conhecida: a péssima qualidade da obra, com o asfalto da espessura de uma casca de ovo. A rotatória foi feita em uma PPP (Parceria Público Privada) no governo do ex-prefeito Samuca Silva, junto com o grupo CP, do empresário Mauro Campos (pai), dono do Portal da Saudade. Na época, “seu” Mauro disse em entrevista ao aQui que “os volta-redondenses iriam se orgulhar” da obra. Não parece ser o caso.
Em nota, a prefeitura informou que a construção dos novos condomínios ao longo da pista está sendo acompanhada pelos técnicos responsáveis pela liberação de empreendimentos da prefeitura. “Caso seja constatada alguma irregularidade ou situação de risco, será exigido o devido reparo”, ressaltou. Sobre a qualidade do asfalto e o trevo duvidoso, respondeu que vai fazer, em parceria com o governo do Estado, “um grande trabalho de asfaltamento na cidade”, com previsão de início já na próxima semana. Mas, até que o reparo “oficial” chegue à rotatória do Portal da Saudade, a prefeitura informou que fará “quantos serviços forem necessários para garantir a segurança dos motoristas”.
Questionada se alguém poderá ser responsabilizado pela péssima qualidade da obra, a administração municipal foi taxativa: “O construtor pode ser responsabilizado”.

 

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