Bate bola – Sergio Luiz

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Este é o timaço do DIC-Departamento de Incentivo e Controle da Engenharia Industrial, vice-campeão do 3º CIF-Campeonato Interdepartamental de Futebol da CSN de 1964. A foto pertence ao acervo do Humberto José Theodoro.

Em pé, da esquerda para a direita: Murta (técnico), Paraíso, Carlos Pinto, Fernando Almeida, Nelson, Humberto, Tião, Ernesto, Tury e José Claro (supervisor). Agachados: Serrão, Rayl, Alcione, Odir, Pinha e Carlinhos Luiz.

 

Febre amarela incurável

O Volta Redonda completou na última quarta, 9, o seu 46º aniversário de fundação. Uma história de alegrias e tristezas. Só quem conhece o tricolor de aço desde a sua fundação, em 1976, sabe como o Voltaço sobreviveu. O saudoso jornalista Oscar Cardoso, ex-assessor do prefeito Neto, certa vez, cunhou uma frase que se eternizou e resume bem a história do clube: “O Volta Redonda enverga, mas não quebra”. Detalhe: só não quebrou por conta dos torcedores que deixaram de torcer por Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo e outros, para assumirem sua paixão pelo Voltaço. Uma paixão inexplicável, que os leva a abraçá-lo com um carinho que só é dado a um filho ou a um neto. Uma verdadeira febre amarela incurável.
Quem acompanha o Volta Redonda desde a sua fundação sabe o que digo. Graças aos seus torcedores, graças às rifas e vaquinhas, festivais, pagodes no Umuarama, bingão do Voltaço, Carnê Fartura, livro de ouro, tudo foi feito com amor. Sem falar do inesquecível e histórico Mutirão do Voltaço, em 1986, criado em um dos momentos mais difíceis da sua história. O clube havia sido rebaixado, estava prestes a fechar as portas. Reunimos ex-presidentes, ex-diretores, torcedores e até jogadores, que lotaram a Câmara de Vereadores e salvaram o clube com ações sugeridas na reunião.
Havia um respeito mútuo entre torcida e imprensa e o Voltaço chegou a ser o clube do interior com a maior cobertura de suas atividades. Eram três rádios, mais de cinco jornais, duas TVs, entre outros, todos falando do Volta Redonda. Eita saudade!
As comemorações dos 46 anos ocorrem em um momento muito difícil, pois o Volta Redonda não vai bem no carioca de 2022. Está nas últimas posições, o que é novidade, haja vista as boas campanhas nos últimos estaduais. O importante é que a fase pode passar, e o Voltaço vai continuar envergando sem quebrar. Quem viver verá.

Complicado
O Voltaço continua sem vencer. Perdeu para o Boavista por 1 a 0, no sábado, 5, em Bacaxá, e com os demais resultados da rodada, o time de Neto Colucci caiu para 11ª colocação. Hoje, sábado, 12, às 18 horas, vai tentar quebrar o jejum de vitórias diante do Madureira, no Raulino de Oliveira. Para o Volta Redonda não há outra opção a não ser vencer. Caso contrário vai complicar ainda mais a sua situação. O jogo contra o Resende, pela quinta rodada, foi transferido para o dia 2 de março, às 19 horas, no Raulino de Oliveira.

Injustificável
O técnico Neto Colucci bem que tentou justificar a péssima campanha do Voltaço. Mas se perdeu ao dizer que tudo tem a ver com a falta de condições financeiras do clube, coisa que cabe aos dirigentes explicarem. Deixou no ar que teme uma possível demissão, caso perca do Madureira. Dividiu com os jogadores, por mais que os defendesse, a responsabilidade das derrotas, quando disse que eles não tiveram capacidade para fazer gols, enquanto aliviava a postura dos dirigentes, responsáveis pelo time que lhe deram. Não precisava adotar tal discurso, pois todo mundo sabe, quando o time vai mal, que o treinador é quem paga o pato. Será que teremos hoje o dia D de Colucci?

História
O volante Jonilson vestia a camisa do Voltaço e unia a técnica com muita raça. Fora de campo, Jarrão, como é chamado, era muito querido pelo seu jeito simples de ser.  Às vésperas de um jogo contra o Vasco, ele se aproximou de uma rodinha à beira do gramado e foi interpelado pelo presidente Rogério Loureiro: “E aí Jonilson, tem que dar a vida neste jogo, hein?”. Logo veio a resposta: “Presidente, pode contar comigo. Vou morrer em campo por uma vitória. Aliás, já morri sete vezes. Sou igual a um gato preto, tenho sete vidas”, disparou. Ulha! Deu para entender?

Flamengo
Joga novamente no Raulino de Oliveira, amanhã, domingo, 13, às 19 horas, contra o Nova Iguaçu. Na quinta, 10, ele derrotou derrotou o Audax, pelo placar de 2 a 1 A partida contra o Madureira, dia 16, quarta, que está marcada para Conselheiro Galvão, às 15h30min, poderá ser disputada em Volta Redonda. A decisão está nas mãos da TV.

Copa do Brasil
O Voltaço vai estrear no dia 23, quarta-feira, no Maranhão, contra o Tuntum, às 15h30min. O tricolor de aço joga por um empate, pois na primeira fase não tem mais o jogo de volta. O clube vai receber R$ 620 mil e se passar para a segunda fase, receberá mais R$ 750 mil.

Série C
A CBF definiu que a série C vai começar no dia 9 de abril e a primeira fase terá turno único. O Voltaço estreia contra o Figueirense, no Raulino, e ainda fará mais nove jogos em casa, contra Altos-PI, Atlético-CE, Brasil-RS, Botafogo-PB, Remo-PA, Mirassol-SP, Ypiranga-RS e Ferroviário-CE. Jogará outras nove partidas fora de casa, contra São José-RS, ABC-RN, Paysandu, Vitória-BA, Floresta-CE, Confiança-SE, Manaus-AM, Botafogo-SP e Campinense-PB.

Pensão Vitalícia
Por decisão judicial, o ex-jogador Fernando, irmão de Carlos Alberto, ex-Vasco e Corinthians, terá uma pensão vitalícia do Volta Redonda. De acordo com o GE, o ex-jogador, hoje com 35 anos, parou de jogar, quando tinha 29 anos, após se chocar em um treino, em 2016, o que o levou a ter uma série de problemas de saúde (oito AVCs). Na época, o clube não teria assinado a carteira do jogador e não acionou o seguro para assistir o atleta. O caso é mais delicado do que parece. No processo que corre na 1ª Vara do Trabalho em Volta Redonda desde 2017, o jogador ganhou o direito de receber uma pensão vitalícia do Voltaço, já que foi o último clube que ele defendeu. Além disso, no fim do ano passado, foi publicado acordão com indenizações de danos morais e materiais que beiram os R$ 300 mil.

Bola fora
Para o Voltaço, que continua sem vencer no carioca de 2022. Jogo de hoje, sábado, contra o Madureira é importantíssimo para uma virada… ou para afundar mais ainda. Apesar de a diretoria brindar o técnico Neto Colucci, caso perca, a situação ficará insustentável e não será surpresa se o treinador não cair.

Bola dentro
Para os 46 anos do Volta Redonda, completados no dia 9. Foram 46 anos de alegrias e tristezas, recheadas de grandes vitórias e derrotas, todas inesquecíveis. Parabéns, Voltaço!!!