‘Soco no estomago’

Na noite de quarta, 21, o prefeito Rodrigo Drable estava ‘pra poucos amigos’. Não era pra menos. O estoque de vacinas da Coronavac, reservadas por ele para servir como a segunda dose do imunizante, coisa que ele fazia e ninguém sabia, tinha acabado. E as novas vacinas, prometidas tanto pelo governo do estado quanto pelo Ministério da Saúde, não tinham chegado. “O atraso já é de 14 dias”, disparou, vermelho de raiva.
“Estou anunciando da forma mais clara: ficaram de nos entregar a vacina e não foi entregue. Nós não paralisamos (a vacinação) como outras cidades porque adotamos o protocolo de contingência no nosso município e fizemos uma reserva. Mas amanhã (quinta, 22) não teremos mais vacinas. É, literalmente, um soco no estômago que a gente leva porque eu contava em receber as vacinas”, desabafou Drable, mostrando que nem sempre se pode confiar nas autoridades e nos políticos.
O protocolo de contingência citado por Drable foi formado, segundo ele, quando os lotes de doses eram entregues em Barra Mansa. “Das doses disponíveis, apenas 70% delas eram usadas”, explicou, garantindo que os 30% restantes era reservada justamente para os casos de atrasos nas entregas. “Apesar da orientação do Ministério da Saúde ter sido de não guardar nada, eu guardei. É questão de organizar o óbvio. Se não está produzindo, eu não vou receber, e se eu gastar tudo com a primeira dose não vou ter a segunda”, ponderou.
Drable foi além. “O Brasil inteiro começou a ter falhas na vacinação da segunda dose, e nós, em Barra Mansa, continuamos. Aí muita gente elogiou”, contou, minimizando, logo seguir, a situação vivida por ele. “Foi só um planejamento que nós fizemos para enfrentarmos uma contingência de um atraso de 10 dias”, disse. “O próprio Ministério da Saúde disse pra não guardar as vacinas da segunda dose, mas eu guardei porque sou chato, teimoso, criterioso e para isso nos dar uma condição de superarmos as dificuldades”, concluiu, já sem ficar vermelho de raiva.
Para acalmar o coração dos assustados barra-mansenses, Drable disse que talvez até ontem, sexta, 23, novas doses da Coronavac fossem entregues. “Se recebermos essas vacinas, no sábado (24) a gente faz um drive-thru só pra aplicar a segunda dose da vacina e normalizar isso tudo”, prometeu, aproveitando para mandar um recado à população, já prevendo as críticas que certamente iriam surgir. “Isso não é culpa da equipe que está vacinando, não é culpa da secretaria de Saúde, não é culpa do prefeito. Nós só podemos aplicar as vacinas que nós recebermos”, disparou.
Drable aproveitou que ele mesmo já estava mais calmo para dizer que, ao contrário do que muitos pensam, as vacinas da segunda dose não perdem a eficácia por serem aplicadas em uma nova data. “A orientação do Ministério da Saúde é vacinar até o 28° dia da primeira dose. O que nós fizemos? Vamos passar a aplicar a segunda dose aos 21 dias porque se tiver algum atraso, eu terei 7 dias ainda de tempo para que a vacina chegue e eu aplique”, justificou. “O prazo que o Ministério da Saúde recomenda, como o mais eficiente, é o 28° dia e nós prevemos a aplicação no 21°. Então teremos uma semana ainda de vantagem”, reiterou.

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