Só para constar

Ex-metalúrgico da CSN é candidato ao governo do Estado

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Vinicius de Oliveira

Assim como em Brasília, a disputa eleitoral no Rio de Janeiro está polarizada entre Cláudio Castro e Marcelo Freixo. O atual governador, segundo pesquisa do Ipec, teria 37% das intenções de voto, enquanto o deputado federal estaria com 22%. Mesmo assim, os demais candidatos não desistem da disputa. É o caso de Luiz Eugênio Honorato, ex-metalúrgico da CSN. Concorrendo pelo PCO (Partido da Causa Operária), ele nem pontua nas pesquisas. Mas isso é o menor dos problemas. “Não acreditamos nas pesquisas. Elas têm um caráter tendencioso e atendem a algum interesse em particular. O (Wilson) Witzel não foi pontuado em 2018 ou foi muito pouco. Mesmo assim, ganhou o governo do Estado. Foi uma conjuntura muito específica, naqueles acontecimentos foi escolhido de última hora e as pesquisas o ignoraram por completo. No final, superou tudo isso e ganhou o governo”, argumenta.
Luiz Eugênio lembra que o PCO, embora não tenha histórico de vitórias, lançou candidatura própria por não ter visto em nenhum outro partido propostas que agradassem. “Estou candidato ao governo pelo PCO porque, objetivamente, é um partido diferenciado dos outros. Não temos nenhuma concordância política ou ideológica com os demais projetos e propostas. Vivemos a conjuntura mais complexa e diferenciada de toda a história do país. Há muito tempo denunciamos que, para enfrentar o bolsonarismo, é preciso ir às ruas, se mobilizando. De outra forma não entendem. Não tem diálogo com o fascismo”, dispara, embora o PCO tenha defendido o youtuber Monark, quando este defendeu a existência de partidos fascistas junto com o deputado federal Kim Kataguiri. “Liberdade de expressão para nós é valor, princípio, direito, e aí ele não tem lado. Ele tem direito. A gente não pode defender um direito que quando beneficia o abraça e quando nos prejudica a gente o condena e ataca. Isso não tem coerência e nem lógica. Então o que defendemos é o direito total e irrestrito de expressão, sem censura, sem ditadura”, pontua.
Luiz vai além. Falou sobre não ter fechado com Freixo em nome da união da esquerda fluminense. Segundo ele, o ex-psolista não é um nome forte suficiente para livrar o Rio de Janeiro da triste sina de ver seus governadores sendo presos. “Freixo vem num vazio de poder para um estado extremamente atacado em todos os sentidos: economicamente, na saúde, na educação, na violência extremada da Polícia Militar, e o PT deixou um vazio, um furo de não lançar candidato. Nós não nos sentimos contemplados e precisamos de uma força de esquerda que conduza os movimentos e os cariocas e fluminenses a uma saída de fato dessa situação”, reafirmou. “O PCO vem denunciando que nossa única alternativa é a luta e mobilização da classe trabalhadora. Nesse sentido fomos responsáveis por mostrar um caminho e sermos uma opção. A classe operária precisa tomar em suas próprias mãos o controle, porque aqui no Rio está tudo descontrolado, e o PCO é essa ferramenta”, crê.
Para Luiz Eugênio, Volta Redonda mantém um destaque importante no cenário eleitoral nacional, mas, ao contrário do que ocorreu até o final da década de 80, atualmente é a direita que vem se beneficiando com a projeção política da cidade do aço. Seu interesse, como candidato, é, entre outras, recuperar o protagonismo da esquerda. “Desde a ditadura, desde 85, os grandes acontecimentos no país tiveram a contribuição de Volta Redonda. A greve de 88, que explodiu na imprensa, projetou a esquerda nacionalmente. Erundina ganhou São Paulo, Olívio Dutra o Rio Grande Sul, e outros. Então, se tratando de consciência política, essa cidade sempre foi um grande laboratório. O ensaio era aqui e as procedências se espalhavam. Mas o Sindicato dos Metalúrgicos, que sempre foi vanguardista, se entregou às diretrizes da CSN. Então não tivemos nenhuma investida no movimento de consciência política, sindical e popular. Com isso, vejo que Volta Redonda, como foi importante para a esquerda, hoje é importante para a direita e para o fascismo. Precisamos retomar o que foi abandonado”, defende.

Eleições sindicais

A tarefa de retomar o protagonismo da esquerda em Volta Redonda não é uma tarefa fácil, principalmente para o PCO, que não conseguiu convencer nem os metalúrgicos da cidade do aço e da região. É que antes de se candidatar ao governo do estado, Luiz Eugênio Honorato tentou conquistar o Sindicato Dos Metalúrgicos na última eleição integrando a chapa 3, que ficou em último lugar no pleito, com 12,7% dos votos. Segundo o sindicalista, houve um boicote da chapa vencedora. “Queríamos a unificação das chapas para que tivéssemos uma chapa da oposição contra a situação, mas foram intransigentes. CSP com lutas e a CTB tiveram posicionamento oportunistas e não aceitaram uma chapa unificada de toda a categoria “, justificou.
Apesar da derrota, Luiz Eugênio defende que a chapa 2, que obteve mais de 60% dos votos e cuja vitória está sendo questionada na Justiça por ter integrantes que não deveriam constar na direção por questões trabalhistas, deve assumir o sindicato. “Mesmo assim defendemos que o resultado seja aceito e homologada a chapa 2, pois essa é a vontade dos trabalhadores. Se teve uma comissão eleitoral indicada pelo Ministério Público para legitimar as eleições, não há porque não aceitar o resultado final”, afirmou Luiz Eugênio.