Só para alguns

Sindicato dos Metalúrgicos começa a falar sobre campanha salarial nas empresas da base, como a CSN

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Por Pollyanna Xavier

Em boletim divulgado na quarta, 16, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Edimar Miguel, deu o pontapé para as negociações da campanha salarial 2023/ 2024 das empresas da região. E prometeu que vai conversar com os operários de todas elas para saber o que o peão quer reivindicar. Embora tenha se dirigido aos trabalhadores do Sul Fluminense, Edimar quer mesmo é preparar o terreno para as negociações com a CSN, cuja data base é 1° de maio.
Anunciou que as negociações serão unificadas com o Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda, com o Sindicato dos Mineiros de Congonhas e ainda com o dos Portuários do Rio e convocou os trabalhadores à sindicalização. “Uma coisa está clara: este ano não será igual aos anos que se passaram, em que os trabalhadores saíram perdendo e os patrões ganhando (…) Chegou a hora de lutar! Vamos buscar recuperar as perdas e buscar novas conquistas. Sindicalize-se e fortaleça a luta do seu sindicato”, implorou.
Ciente do desafio que terá pela frente, já que a CSN ainda não reconhece a sua gestão, Edimar manteve um discurso genérico. “Vamos nos empenhar para recuperar as perdas salariais e os direitos e garantir novas conquistas. Hoje, a precarização da mão de obra, dos salários, benefícios e condições de trabalho tem causado muitos problemas, afetando inclusive a saúde e desempenho do trabalhador. (…) É muito importante que os trabalhadores apresentem suas queixas e necessidades de melhoramento para que a pauta de reivindicações reflita verdadeiramente o que a direção do sindicato deverá buscar conquistar junto às empresas da base”, ressaltou.
Aliás, Edimar deu sinais de que manterá as mesmas reivindicações feitas pelas gestões que ele tanto criticou: “plano de saúde, recuperação das perdas inflacionárias, PLR no lugar de abono, fim do banco de horas, qualificação para o trabalhador, auxílio-creche para as trabalhadoras, melhorias nos vestiários e banheiros femininos, equiparação salarial entre homens e mulheres”, listou, sem mostrar novidades e sem citar reivindicações mais polêmicas, como a volta do turno de seis horas, a reforma de refeitórios, a melhoria da alimentação servida e ainda um bom reajuste no cartão- alimentação.

Empresa de base
Apesar de estar com um discurso pronto, Edimar sabe que não poderá negociar com várias empresas do setor metalomecânico da região. É que, conforme o aQui divulgou com exclusividade em sua última edição, o Sindicato dos Metalúrgicos só tem autorização legal para representar as empresas de Volta Redonda, Barra Mansa e Resende. Oficialmente, isto inclui as gigantes CSN, ArcelorMittal, Volks, Nissan, Saint Gobain, Prada, etc., mas exclui Stellantis, Benteler, Magneto, Arno, Jaguar Land Rover, Hyundai, BMB, localizadas em Porto Real e Itatiaia.
Em números gerais, todas as empresas do setor metalúrgico, automotivo e elétrico destas duas cidades e ainda de Quatis e Pinheiral (cujo Sindicato não possui abrangência) empregam mais de 10 mil funcionários. Todos eles serão representados pela Federação dos Metalúrgicos do Estado do Rio de Janeiro, que tem o ex- presidente do Sindicato, Silvio Campos, como um dos diretores e que deverá ser o negociador.
O caso mais complexo é da CSN Porto Real (antiga GalvaSud), que embora esteja localizada em uma das quatro cidades sem abrangência do Sindicato, poderá negociar com a atual gestão, porque ela é uma incorporação da CSN UPV, possuindo, inclusive, o mesmo CNPJ. “O acordo da UPV é aplicável à GalvaSud. Portanto, o reajuste salarial concedido aqui também valerá para Porto Real”, contou uma fonte, que acredita que as negociações salariais deste ano com a CSN vão esbarrar num obstáculo ainda maior do que o problema da abrangência da base. “A CSN ainda não reconhece a nova gestão do Sindicato. Ela foi tomada na Justiça, através de um processo eleitoral cheio de controvérsias”, concluiu.