Porto Real aparece entre alvos de hackers; suposta instabilidade no Portal da Transparência levanta suspeitas
Porto Real ganhou destaque no noticiário dos jornais de Vitória (ES). É que um grupo de hackers que se identifica como BLCKORDER teria invadido, na segunda, 10, os sistemas de órgãos públicos de várias cidades capixabas e colocado Porto Real na lista dos alvos atingidos. A informação chegou ao aQui por meio de um e-mail enviado pelo próprio grupo, acompanhado de registros que seriam dos ataques. No caso de Porto Real, os invasores afirmam que o sistema foi “corrigido”, mas não deram detalhes sobre o que teria sido acessado ou alterado.
Procurada pelo aQui, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Porto Real disse desconhecer o ataque e prometeu verificar. Na sexta, 14, quando a edição do aQui já estava fechada, a pasta enviou uma informação ao jornal dizendo que o Departamento de Informática afirmou não ter havido qualquer ataque ou tentativa de invasão nos sistemas do município. A empresa que opera o sistema, segundo a Comunicação, corroborou com essa informação. O objetivo era saber quais sistemas teriam sido atingidos, se houve perda ou vazamento de informações e se a prefeitura recebeu algum aviso da própria BLCKORDER reivindicando publicamente a autoria de um ataque aos sistemas do município. Segundo o que foi apurado pela reportagem, a possível invasão teria atingido o Portal da Transparência, onde são divulgados os contratos, convênios e os atos oficiais do Executivo.
Apesar de ter negado a invasão, uma fonte do jornal na prefeitura disse que na quarta, 12, a Comunicação teria solicitado de algumas secretarias o reenvio de editais e materiais para publicação no Portal, mas não teria justificado o pedido. Para a fonte, se houve, de fato, invasão dos sistemas com recuperação do domínio, como os hackers afirmaram, pode também ter havido perda de informações, daí o pedido para reenviar documentos para publicação. Essa informação não foi confirmada oficialmente.
Na Câmara de Porto Real, a situação também chamou a atenção. Embora o Legislativo local não apareça na lista divulgada pelos invasores, um jornal de Vitória incluiu a Câmara de Porto Real entre os órgãos que teriam sido atingidos. Na quarta, 12, o aQui tentou acessar o site da Câmara e não conseguiu, porque o sistema estava fora do ar. Procurado pela reportagem, um vereador, que pediu para não ser identificado, negou que tenha ocorrido a invasão hacker. Segundo ele, o que houve foi uma instabilidade no sistema, algo que, de acordo com o parlamentar, acontece com frequência e já teria sido normalizado.
O caso ganhou repercussão depois que a BLCKORDER reivindicou a autoria de uma série de ataques a sistemas públicos no Espírito Santo. O grupo afirma ter conseguido acessar diferentes sistemas e acusa empresas responsáveis pela tecnologia utilizada pelos órgãos públicos de não oferecerem segurança adequada. As afirmações, porém, ainda precisam ser confrontadas com as informações oficiais dos municípios e das empresas envolvidas.
O e-mail
A mensagem encaminhada ao jornal foi assinada pela BLCKORDER e enviada do endereço eletrônico [email protected]. Trazia no assunto a frase “Hackeamos o ES” e, no corpo do texto, falava de uma denúncia de corrupção no Espírito Santo, envolvendo uma empresa chamada Ágape Consultoria, fornecedora de sistemas de informação de várias prefeituras e câmaras capixabas. Essa empresa não é a mesma que atua em Porto Real e, segundo apurado pelo jornal, não possui qualquer contrato com as cidades da região. A informação que mais chamou a atenção foi a de que o grupo teria invadido o sistema da Câmara de Vitória e outros 20 sistemas, entre eles o da Prefeitura de Porto Real.
No mesmo e-mail ao aQui, a BLCKORDER afirma que o hacker por trás da invasão seria um ex-funcionário da Ágape Consultoria, cujo nome não foi divulgado. Aos jornais de Vitória, a empresa teria negado a informação, afirmando que nenhum ex-funcionário invadiu os sistemas das prefeituras e câmaras com as quais mantém contrato. Ainda no e-mail, a BLCKORDER reivindica o ataque e afirma que os sistemas de Serra (ES) e Porto Real (RJ) foram corrigidos, enquanto os de Anchieta, Itapemirim e Água Doce do Norte, todos no Espírito Santo, teriam caído e permaneciam off-line. De fato, ao acessar as páginas, foi possível visualizar uma mensagem atribuída aos invasores, com críticas a políticos e ao contrato firmado entre a Prefeitura de Vitória e a Ágape, no valor de R$ 7,4 milhões.
Os jornais de Vitória publicaram ainda que os invasores afirmam ter acessado bancos de dados de servidores, cidadãos e funcionários das cidades-alvo. Mas, até agora, não há confirmação, nem por parte de Porto Real nem de qualquer outra prefeitura citada no e-mail, de que esses dados tenham sido efetivamente acessados ou vazados. Estranho.
