Sinal aberto

Viação Sul Fluminense nega que vá fechar as portas; Elite poderá contratar motoristas e trocadores das linhas que passará a operar

Roberto Marinho

A Viação Sul Fluminense, uma das maiores empresas de transporte de passageiros da região e que há anos passa por um processo de recuperação judicial, leiloou na segunda, 26, oito de suas linhas intermunicipais que operavam entre Barra Mansa e Volta Redonda. O leilão foi promovido com autorização da Justiça e foi necessário, segundo Sérgio Bispo, interventor nomeado, para que a empresa pudesse gerar caixa e pagar seus credores, além, é claro, de evitar a falência. A Viação Elite, do empresário Paulo Afonso Alves Arantes, venceu o leilão com um lance de R$ 6,2 milhões, desbancando duas concorrentes – Linave e Pedro Antônio.
Sérgio Bispo, em entrevista exclusiva ao aQui, afirmou que “não há hipótese” de a Sul Fluminense vir a fechar as portas. “Ainda continua sendo a maior empresa de ônibus de Volta Redonda, e estamos trabalhando para reerguê-la”, pontuou, acrescentando que o leilão das oito linhas intermunicipais não representa o fim das atividades da viação. “Essa foi a forma que a empresa encontrou para conseguir operacionalizar a parte municipal das linhas”, justificou, referindo-se às linhas urbanas que a SF opera na cidade do aço.
Bispo também garantiu que o dinheiro arrecadado no leilão – R$ 6,2 milhões – não vai resolver todos os problemas da empresa, mas dá um fôlego para manter as operações e se recuperar. “Hoje a gente já tem condição de respirar e trabalhar para conseguir recuperar todo o restante da empresa”, disse.
Confira abaixo a íntegra da entrevista exclusiva.

aQui – O que a empresa pretende fazer com o dinheiro arrecadado no leilão?
Sérgio Bispo – Toda empresa quando está em recuperação judicial tem um tempo para firmar um plano de recuperação, e depois ela precisa de mecanismos para operacionalizar o plano. Nós temos hoje 30 linhas municipais, e tínhamos essas oito linhas intermunicipais. A forma que nós encontramos de operacionalizar esse plano de recuperação foi a oferta dessas linhas intermunicipais para termos condições suficientes de operacionalizar esse plano, que ainda está em processo de homologação junto ao juízo.

aQui – A empresa pretende usar o dinheiro para quitar as dívidas e fechar as portas? Ou vai continuar operando?
Bispo – Não existe em hipótese nenhuma a intenção de a empresa fechar, muito pelo contrário. Nós estamos trabalhando justamente para recuperar a empresa. Infelizmente o cenário do transporte no Brasil, dentro desse período de pandemia, foi uma situação muito atípica, teve um impacto muito direto no setor. A empresa já vem trabalhando nessa questão da recuperação há tempos e aí encontramos esse cenário da pandemia, que é muito pesado.
Era a maior e continua sendo a maior empresa de ônibus de Volta Redonda, e estamos trabalhando para reerguê-la. O nosso trabalho, junto com os gestores que estão hoje à frente da Viação Sul Fluminense, é fazer com que isso aconteça.

aQui – O valor arrecadado é suficiente para executar o plano de recuperação todo ou em parte?
Bispo – O plano de recuperação inicial é um pouco mais criterioso, existem algumas questões que já estão bem definidas. É claro que esse valor ofertado não resolve todo o problema da Viação Sul Fluminense, mas em parte sim. Hoje a gente já tem condição de respirar e trabalhar para conseguir recuperar todo o restante da empresa. Mas não há a menor hipótese de a empresa fechar as portas.

aQui – Quantas linhas a empresa ainda opera?
Bispo – Hoje temos 30 linhas que estamos operando, considerando que algumas linhas foram emprestadas, em algum momento oportuno lá atrás, até mesmo para a Viação Elite, para a Cidade do Aço. Essas linhas estão sendo retomadas e vai ter investimento para que possamos voltar a operá-las. Então não vai ser uma perda (o leilão das linhas para a Elite, grifo nosso).
É claro que existem pessoas, que não conhecem o mercado de transporte, que vão encarar isso como uma perda da Viação Sul Fluminense. Mas na verdade, se formos olhar de uma forma mais clara, essa foi a forma que a empresa encontrou para conseguir operacionalizar a parte municipal das linhas.

aQui – Os veículos (ônibus) foram incluídos na alienação?
Bispo – Não, só as linhas.

aQui – Em quanto tempo vocês deixam de operar essas linhas e a Elite assume?
Bispo – Existe um processo para isso ser feito, até mesmo junto ao Detro-RJ. Mas acredito que até o final de agosto a Elite já deva estar operando essas linhas.

aQui – Por que só foram oferecidas linhas intermunicipais?
Bispo – A Viação Sul Fluminense trabalhava com dois nichos: linhas municipais e in-termunicipais. São 30 linhas municipais e oito intermunicipais. Se formos colocar na ponta do lápis, para a empresa é muito mais interessante hoje fazer a alienação dessas oito linhas, do que investir para continuar operando-as.
aQui – Mas elas eram rentáveis e com a crise causada pela pandemia deixaram de ser?
Bispo – Na verdade, tinha uma linha que era interessante, a Barra Mansa X Volta Redonda. Mas tínhamos outras linhas, por exemplo para Amparo, que se fôssemos colocar hoje na ponta do lápis, não trariam uma rentabilidade tão vantajosa para a empresa.

Paulo Afonso afirma que investimento é seguro

O empresário Paulo Afonso de Paiva Arantes, dono da Viação Elite e também presidente do Sindpass (Sindicato das Empresas de Passageiros), foi categórico ao falar com a reportagem do aQui. Para ele, o investimento nas oito linhas intermunicipais da Sul Fluminense é totalmente “seguro”. “Foi um bom negócio”, avaliou, garantindo que espera e aposta na recuperação da economia regional, já que o setor de transportes públicos foi diretamente afetado pela queda de passageiros com a Covid-19.
O otimismo de Paulo Afonso é tanto que ele confirmou a necessidade de a Viação Elite ter que adquirir novos ônibus para que as oito linhas adquiridas no leilão possam funcionar normalmente. “O leilão foi das oito linhas, os ônibus não estavam incluídos. Assim, teremos que adquirir mais alguns ônibus”, contou, sem dizer a quantidade que será adquirida.
Segundo Paulo Afonso, a Elite vai começar a operar as novas linhas assim que o leilão for homologado pela Justiça e o Detro-RJ for informado da mudança. Tem mais. O empresário afirmou que “possivelmente” motoristas e cobradores da Sul Fluminense que trabalhavam nas linhas intermunicipais deverão ser aproveitados. Lamentou apenas que a tarifa das linhas intermunicipais também esteja “defasada”, como já ocorre nas linhas municipais que a Elite opera em Volta Redonda.
Veja as linhas que passarão a ser operadas pela Elite: 190 – Volta Redonda x Barra Mansa (via 33); 195 – Volta Redonda x Barra Mansa (rodoviária); 200 – Volta Redonda x Barra Mansa (Retiro); 207 – Jardim Amália x Barra Mansa (Castelo Branco); 494 – Santa Izabel x Barra Mansa; 730 – Vila Maria x Santo Agostinho; 735 – Santa Clara x Volta Redonda; e 740 – Amparo x Barra Mansa.

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