Luz no fim do túnel

Caem taxas de ocupação hospitalar e de óbitos; municípios já falam na volta à normalidade

Pollyanna Xavier

Dezesseis meses se passaram desde o início da Covid-19 e as estatísticas de óbitos e internações mostram que as coisas estão melhorando tanto que municípios da região já falam em abrir ambientes até então fechados, como escolas e casas noturnas. Festas populares também prometem voltar aos calendários das prefeituras a partir de setembro e as medidas de restrição – se é que ainda existem – têm tudo para serem relaxadas de vez. O mérito não é do isolamento social, até porque ninguém fez. Mas sim da vacina, que avança na imunização da população, garantindo resultados positivos no combate à Covid-19.
Segundo o portal da Transparência Cartorária, o número de óbitos em julho em Volta Redonda foi de apenas 44. Na comparação com junho (119 óbitos), a queda foi de 63%. Para se ter uma ideia, o mês com maior registro de mortes na cidade do aço foi maio, com 274 óbitos, igual a uma média móvel de 9,4 mortes/dia. Em Barra Mansa, a queda foi visível. Foram seis óbitos em julho contra 52 em junho (88,4%). Tem mais. Os municípios viram as taxas de ocupação de leitos despencarem. Na UPA do Centro de Barra Mansa, por exemplo, a queda foi de 58% em julho na comparação com os meses anteriores. Com menos pacientes, a estrutura montada para atender casos de Covid-19, foi desfeita (ver foto).
Os números de ocupações dos leitos clínicos e de UTI em Barra Mansa também estão controlados. Segundo a Vigilância em Saúde, 13% dos leitos clínicos estão ocupados e 88%, disponíveis. Já os leitos de UTI têm 19% ocupados e 81% disponíveis. Em relação aos respiradores, 3% estão ocupados e 97% disponíveis. Já o boletim epidemiológico totalizou 16.048 casos positivos, 606 óbitos e 15.200 pessoas curadas. “Vamos seguir avançando na vacinação para conseguirmos, em breve, melhorar ainda mais as estatísticas”, comentou o secretário de Saúde, Sérgio Gomes. “Já vacinamos 128.026 pessoas, sendo 84.453 com a primeira dose e 39.614 com a segunda. Outras 3.959 pessoas tomaram a dose única da Janssen”, completou.
Em Volta Redonda, as estatísticas seguem caindo. Mas a cidade ainda registra uma média móvel de 1,5 óbitos/dia. De acordo com o boletim epidemiológico da SMS, a taxa de ocupação de leitos clínicos caiu 60,3% em julho, na comparação com junho. Já a taxa de ocupação de UTI caiu cerca de 42,5%. “Volta Redonda tem hoje uma das melhores coberturas vacinais do país”, crê a secretária de Saúde, Conceição Souza, acrescentando que sua pasta é “autossuficiente para gerir a campanha de vacinação e alcançar cerca de 7 mil pessoas por dia de vacinação”.
Só que a excelência defendida por Conceição depende do quantitativo de vacinas enviadas pelo Estado. Em um dia, a SES manda mais de 7 mil vacinas, no outro não manda nada. Ontem, sexta, não haviam vacinas para a primeira dose em Volta Redonda. E apesar de a secretaria de Saúde dizer que o município tem uma das melhores coberturas vacinais do país, a cidade continua atrasada quando o assunto são os grupos prioritários. Essa semana, pessoas com 35 anos foram convocadas a tomar a vacina. Em Resende, esse grupo prioritário já foi vacinado há quase 15 dias.
Sommelier
O avanço da vacinação, apesar de positivo, traz uma preocupação para as autoridades: o chamado sommelier de vacinas, que é a pessoa que escolhe o que quer tomar. Para evitar a situação e o atraso da imunização, o MP tem investigado a prática por parte de moradores, mas ainda não se falou em punição. A investigação poderá abranger até as equipes vacinadoras, que podem estar contribuindo para que o morador escolha qual vacina quer tomar.
Segundo uma moradora, que pediu para não ser identificada, na quarta, 28, funcionários da secretaria de Saúde que estavam na Ilha São João, organizando a fila dos carros, informavam que naquele momento só tinha a CoronaVac, e que quem não quisesse poderia ir embora. “Eles nos dão o privilégio da escolha”, reclamou, preocupada de ter tido o nome anotado para ser entregue ao MP.

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