Por Mateus Gusmão
Na última edição, o aQui mostrou que as câmeras de monitoramento da prefeitura de Volta Redonda filmam muito. Mas não tudo. Não colaboraram, entre outras, para elucidar crimes violentos que aconteceram em 2023. Pior. O ‘Cidade Monitorada’ não ajudou a diminuir os crimes de homicídios na cidade, tanto que a quantidade aumentou no ano passado. Prova de que a reportagem estava correta é que crimes ocorridos após a publicação chocaram os volta-redondenses. O primeiro foi no sábado, 27, no Aterrado, por volta das 10 horas. Edson Martins de Almeida, 24, foi morto com um tiro na cabeça durante uma ‘tentativa de assalto’ na loja em que trabalhava, na Rua 556. A via é uma transversal da Avenida Lucas Evangelista, na altura do Palácio 17 de Julho.
Inicialmente, especulou-se que dois homens teriam chegado ao local em uma moto, usando roupas de entregadores de um aplicativo de delivery. Eles entraram na loja e renderam o funcionário e um cliente. Na DP, o cliente contou que os assaltantes ameaçaram dar uma coronhada em Edson caso ele não mostrasse onde estava o dinheiro. No momento em que ele ia começar a falar, um dos criminosos o acertou na cabeça e a seguir atirou contra o rapaz à queima- roupa. Eles fugiram logo em seguida. A vítima morreu no local.
Só que não foi bem assim. Segundo o aQui apurou, os dois suspeitos do crime não usavam
motos. Chegaram em um carro branco, e havia um terceiro homem que ficou tomando conta do veículo, estacionado na Rua 545, via que passa ao lado do estádio Raulino de Oliveira. Do carro, desceram dois jovens, ambos usando capacetes para não serem identificados e apenas um deles carregava uma maleta nas costas – como a que motoqueiros usam para fazer entregas. Após terem atirado em Edson, os dois voltaram correndo para o veículo e fugiram logo em seguida.
A filmagem dos suspeitos em fuga, vista pela reportagem do aQui, não era de nenhuma câmera oficial da prefeitura de Volta Redonda. Mesmo o assassinato tendo ocorrido em uma área central da cidade do aço, até agora não se tem notícias de que alguma câmera do ‘Cidade Monitorada’ esteja sendo usada pela Polícia Civil. E olha que só na Avenida Lucas Evangelista existem três câmeras que fazem filmagens em tempo real. Uma delas fica a menos de 100 metros de onde ocorreu o crime, na esquina com a Rua 558, onde fica uma pizzaria.
Médico morre após ser esfaqueado
Outra morte que chocou foi a do médico Erick Alves Pinto de Albuquerque Dias, 37,(foto) filho da ex-secretária de Saúde e atual coordenadora de Saúde de Mental de Volta Redonda, Suely Pinto. Ele foi esfaqueado na manhã de segunda, 29, pelo atual companheiro da ex-mulher de Erick, quando teria ido pegar o filho com o homem, identificado como Wendel, 32. Pingo, como era conhecido, morreu na manhã de quarta, 31, no Hospital São João Batista.
A agressão ocorreu no bairro Nossa Senhora das Graças, também nas proximidades do Raulino de Oliveira. Erick foi esfaqueado no peito. A faca usada no ataque, segundo uma fonte, teria sido retirada do corpo antes do médico chegar ao hospital, o que pode ter complicado o atendimento. Levado às pressas para o HSJB, Erick passou por duas cirurgias cardíacas, mas não resistiu. Mais uma vez, o crime não foi flagrado por nenhuma câmera do projeto ‘Cidade Monitorada’.
A prisão do acusado de desferir a facada, digamos, caiu no colo da Polícia Civil. É que, após esfaquear Erick, Wendel foi até a sede da 93a DP afirmando que teria sido agredido pelo médico. Não satisfeito, contou que, durante uma luta corporal, tirou a faca da mão de Erick e desferiu a facada para se defender.
Os agentes, entretanto, desconfiados da versão apresentada, chamaram a atual mulher de Erick, que teria testemunhado tudo, para depor. E, segundo ela, com o médico dentro do carro, o acusado, pela janela do veículo, tentou golpeá-lo com a faca, enquanto o médico tentava se defender. Em um dos golpes, o homem cravou a faca no tórax de Erick. Foi a partir desse depoimento que a Polícia prendeu, em flagrante, Wendel.
Erick foi enterrado na quinta, 1o, no Portal da Saudade. O médico atuava no Hospital São João Batista e no Hospital do Retiro. Antes de o corpo ser levado para o cemitério, ainda na tarde de quarta, 31, o carro da funerária passou pelos dois hospitais
para que os colegas de trabalho pudessem prestar homenagens ao médico. Um vídeo publicado pelo aQui nas redes sociais mostra os funcionários do HSJB, no lado de fora da unidade, aplaudindo Erick.
Homem espancado até a morte
Outro crime bárbaro cometido durante a semana foi a morte de Alexandre do Prado Soares, 36, ocorrida na madrugada de terça, 30. Ele foi encontrado gravemente ferido na Rua Jiulio Caruso, no Belmonte. Chegou a ser socorrido no HSJB, mas não resistiu aos ferimentos. Ninguém foi preso e nenhuma filmagem apareceu até o momento para que o crime seja elucidado.

