Sem trégua

Por Roberto Marinho Emanuele Porfírio

Na contramão do que se esperava em tempos de pandemia e isolamento social, quando as autoridades de segurança tinham a expectativa de comemorar uma queda nos assassinatos, a violência só tem aumentado em Volta Redonda. De homicídios a roubo de pedestres, de furto de automóveis a roubo de cargas. Ninguém está seguro. E o que se vê assusta até a quem não quer ver.

Os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ) mostram a dura realidade. Para começar, os índices de criminalidade vêm subindo nos últimos meses em comparação a igual período de 2019. O número de vítimas quase triplicou. Só em abril deste ano, foram quatro homicídios. Em maio, a coisa piorou: foram 10 mortes, sendo que o mês dedicado às mães se tornou o de mais assassinatos até agora. Somam-se a eles os de janeiro, quando ocorreram nove homicídios, mais os sete de fevereiro e ainda os nove de março. O quadro se torna mais assustador se comparado ao ano passado, quando não havia pandemia nenhuma, e o maio das mães contabilizou 12 assassinatos, duas mortes a mais que esse ano.

De acordo com  técnicos do ISP-RJ, o total de registros de ocorrências caiu de uma forma geral por conta do isolamento social. As avaliações mostram que as medidas de restrição social não só fizeram cair a criminalidade como também contabilizaram menos episódios de violência, diminuindo o número de registro de ocorrências, com menos pessoas indo à delegacia.

Mas como nem tudo são flores, ainda de acordo com os técnicos, a subnotificação aumentou, ou seja, a violência na cidade do aço pode ter diminuído apenas de forma aparente, mas a realidade é outra. Afinal, quase todos os indicadores estratégicos de violência apresentaram a mesma tendência de queda em comparação com o ano passado, mas com aumento no último mês. A exceção foi o roubo de carros, que na contramão, teve apenas uma ocorrência registrada até agora, em maio. Nos cinco primeiros meses do ano passado, foram quatro ocorrências deste crime, no total. Mas em maio de 2019, sem pandemia, não houve registro de roubo de cargas na cidade.

Se o número de homicídios preocupa, os roubos de veículos seguem o mesmo esquema. Se nos primeiros meses do ano houve uma queda nos números gerais, no último mês o aumento foi significativo. Em abril, mês com menos roubos de veículos em 2020, houve apenas uma ocorrência registrada. Já em maio foram três, mesmo número que no ano passado, quando havia bem menos carros e pessoas nas ruas. No total, entre janeiro e maio de 2020 foram 17 roubos de veículos, contra os 27 ocorridos em 2019, uma queda de aproximadamente 30%.

É importante destacar que o furto ocorre sem violência ou ameaça à vítima, ou seja, ela pode estar presente, mas não nota o que acontece. Já no roubo, a vítima é ameaçada ou coagida a entregar o bem, e pode haver violência para que isso aconteça.

O roubo de rua foi o indicador estratégico da violência que apresentou maior diminuição este ano, na comparação com 2019. Foram 119 ocorrências entre janeiro e maio de 2020, contra as 194 registradas no ano anterior. Uma redução de 38%. Mas entre abril e maio deste ano não houve diminuição nas ocorrências, pelo contrário, com 19 registros nos dois meses. Afirmando a ideia de que, mesmo com pouca gente nas ruas, os bandidos têm conseguido encontrar vítimas.

Mostrando que tudo pode piorar, em algumas situações a violência não apresentou queda nem nos primeiros meses do ano. É o caso das tentativas de homicídio, que subiram muito e saltaram de 69 para 80 na comparação entre 2019 e 2020, um aumento de mais de 15%. Comparando abril e maio, não houve queda nesse tipo de crime, tanto no ano passado quanto neste ano, foram 13 ocorrências.

Outro delito que preocupa, mostrando que ninguém está seguro nem no trabalho, são os roubos a estabelecimentos comerciais, que passaram de 29 para 31. E novamente maio de 2020 se destaca negativamente: se no mesmo período no ano passado não houve roubo a estabelecimento, este ano já ocorreram 3. Outros crimes que tiveram aumento significativo são o estelionato e a extorsão. Os casos de estelionato aumentaram 41% entre 2019 e 2020: foram 214 casos registrados entre janeiro e maio do ano passado, contra 303 este ano. Na comparação entre maio de 2019 e 2020, o aumento também foi considerável, com 54 casos no ano passado e 75 este ano. Entre abril e maio também houve crescimento dos golpes: no mês retrasado foram 54 registros, contra 75 no mês passado. Os casos de extorsão não ficaram para trás e também cresceram em 2020, com 10 registros até maio, contra 4 registros no ano anterior.

O ISP-RJ ressalta que o levantamento divulgado mensalmente utiliza os registros feitos nas delegacias de Polícia Civil em todo o estado, mas que durante a pandemia os serviços da Delegacia Online (https://dedic.pcivil.rj.gov.br/) e da Central 190, assim como o atendimento presencial para medidas de urgência em todas as unidades policiais, inclusive nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), não tiveram os funcionamentos alterados.

Em Barra Mansa homicídios também aumentam

Na cidade vizinha de Barra Mansa, a violência também aumentou de uma forma geral. Na comparação com o ano passado, entre janeiro e maio, ocorreram 6 assassinatos a menos (15 em 2019 contra 21 este ano). Mas, ao contrário de Volta Redonda, maio foi menos violento que abril. No mês de abril, foram registrados 7 assassinatos, contra 6 em maio. Ainda assim, estes dois meses tiveram mais vítimas de assassinatos em 2020 que no ano anterior, quando houve 3 e 4 vítimas, respectivamente.

No geral, todos os outros índices reduziram, com exceção do furto de veículos, que teve um aumento considerável. Em 2020, até maio, foram furtados 50 veículos em Barra Mansa, contra os 39 no mesmo período do ano passado. Na comparação de maio, este crime praticamente dobrou: foram 11 registros em 2020, contra 6 em 2019.

Deam

Para ampliar a rede de atendimento e segurança à mulher, o prefeito Rodrigo Drable está prestes a anunciar a implantação de uma Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) no município. Na semana passada, o prefeito esteve reunido com o deputado federal Antônio Furtado, o delegado da 90ª DP, Ronaldo Aparecido Ferreira Brito, e o inspetor Alexandre Ribeiro, entre outros, quando se discutiu o projeto de adequação do imóvel da Polícia Civil e que abrigará a Deam.

Localizado na Rua Pinto Ribeiro, no Centro, o espaço passará por ampliação das salas e do estacionamento existentes. O serviço contará com agentes especializados para orientar os munícipes e oferecer um atendimento mais direcionado às mulheres. A corregedoria continuará funcionando no local, no segundo andar. Rodrigo deu sinal verde  ao projeto de implantação da Deam e lembrou que Barra Mansa já realiza um trabalho efetivo no combate à violência, através da Patrulha da Mulher. A ação conta com rondas em todos os bairros e distritos com a participação de dois guardas municipais e um policial militar, sendo um agente do sexo feminino. O serviço pode ser acionado pelo WhatsApp (24) 98147-9229 ou pelo telefone de plantão da Guarda Municipal (24) 3028-9339.O projeto para a implantação da Deam em Barra Mansa também conta com uma Indicação Legislativa do deputado estadual Marcelo Cabeleireiro, apresentado na Alerj em 8 de agosto de 2019. O delegado Ronaldo Aparecido Ferreira Brito aproveitou para falar das atividades desenvolvidas pela Polícia Civil.  “A violência contra a mulher é uma coisa que afeta praticamente todos os lugares do Brasil. Barra Mansa não é diferente. A criação dessa delegacia especializada na cidade viabilizará dar continuidade a um trabalho que já está sendo executado pela 90ª DP. Nós já trabalhamos em conjunto com a rede de apoio da prefeitura, uma coisa que vem funcionando muito bem nos últimos anos. A vinda da delegacia trará uma especialização na apuração dos casos e, o mais importante, a conscientização da sociedade para que esses crimes não ocorram. E aqueles que ocorrerem, uma rápida resposta por parte da Polícia Civil e a responsabilização dos autores”. Foto: Paulo Dimas

Deixe uma resposta