Segue o baile

Pollyanna Xavier

O Conass, a CIR, a CIB – órgãos colegiados em Saúde Pública – e a própria SES-RJ não poderiam ter tomado atitude melhor: manter a imunização de adolescentes com e sem comorbidades no estado do Rio. A decisão contraria a ordem do Ministério da Saúde (MS), que na semana passada, de forma unilateral e deliberada, mandou suspender a vacinação desse grupo etário. A motivação teria sido o óbito de uma jovem de 15 anos, em São Bernardo do Campo (SP), oito dias depois de tomar a primeira dose da Pfizer.
Na segunda, 20, a Anvisa soltou nota garantindo não haver qualquer relação entre a morte da adolescente e a vacina contra a Covid. A agência se uniu à secretaria estadual de Saúde de São Paulo para investigar o óbito e os documentos apresentados provaram que a morte teria sido provocada por uma doença autoimune desenvolvida pela jovem. A partir dessa informação, os municípios que chegaram a interromper a imunização de adolescentes sem comorbidades retomaram a vacinação. Foi o caso de Porto Real, que chegou a parar de aplicar a vacina, mas voltou atrás na quarta, 22.
Em Volta Redonda, a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos, com ou sem comorbidades, não foi interrompida. “Segui-mos orientações da Anvisa e demais colegiados técnicos”, resumiu a secretária de Saúde, Conceição da Rocha. Segundo ela, a vacinação dos adolescentes começou em 9 de setembro, com mais de mil vacinados em um único dia, sendo que durante a semana o número saltou para mais de 3 mil, com a realização de dois drive-thrus na Ilha São João (dias 20 e 22).
Apesar do saldo positivo, muitas mães reclamaram do tempo de espera na fila – algo em torno de 3 horas. “Estava muito quente e a gente não podia sair do carro. Eu cheguei às 15 horas e saí de lá depois das 18”, reclamou a mãe de uma adolescente de 14 anos, contrariando a informação da prefeitura de que a vacinação teria encerrado às 16 horas. A demora, segundo o coordenador da Vigilância em Saúde, Carlos Vasconcellos, teve uma justificativa: a vacinação dos adolescentes aconteceu simultaneamente à aplicação da terceira dose nos idosos, totalizando cerca de 4,2 mil vacinas aplicadas, entre primeira, segunda e terceira doses.
“O encontro de gerações marcou a vacinação contra a Covid em Volta Redonda”, gabou-se Vasconcelos, ignorando as críticas que surgiram por ter convocado esses dois grupos etários para o mesmo dia, horário e local. “Deu muita fila. Quando eu cheguei, já tinha gente antes de mim esperando para que os filhos fossem vacinados. O tempo de espera superou três horas para muita gente. Faltou organização, dava para convocar uma única idade e ainda dividir por gênero, como Barra Mansa fez”, comparou a mãe da adolescente ouvida pelo aQui.
Com sobrinhos adolescentes moradores de Barra Mansa, ela contou que a secretaria de Saúde convocou adolescentes da mesma idade para um único dia e separou meninos de manhã e meninas à tarde. “Foi muito mais rápido. Meus sobrinhos não pegaram fila. Separar desta maneira otimiza o serviço das equipes e economiza o nosso tempo”, comentou. “Outra coisa, os idosos, em Barra Mansa, foram chamados para tomar a vacina em outro dia, separado dos adolescentes. Achei desrespeitoso o que aconteceu em Volta Redonda, porque do jeito que fizeram, os idosos também ficaram muito tempo na fila. Deu dó porque nem todos os carros tinham ar condicionado e estava muito calor”, disse.
Terceira dose e avanço na imunização
Apesar das filas longas que se formaram em Volta Redonda, a cidade do aço finalmente conseguiu alcançar a última idade permitida no Brasil para a vacinação contra a Covid. Isto aconteceu no segundo dia de drive-thru, na quarta, 22, quando imunizou adolescentes de 12 anos. O feito, de fato, mereceu destaque, porque o município era um dos mais atrasados em termos de imunização por faixa etária. Enquanto cidades da região alcançaram, por exemplo, a idade de 30 anos +, Volta Redonda ainda imunizava a população acima de 45 anos.
De acordo com os números divulgados pela secretaria de Saúde, além das 2.770 primeiras doses aplicadas em adolescentes de 12 anos ou mais no drive-thru de quarta, 22, outras 993 pessoas foram vacinadas com a segunda dose da Pfizer e outros 390 idosos ou imunossuprimidos reforçaram a imunização com a terceira dose. Neste mesmo dia, também houve aplicação de primeiras doses em repescagem para maiores de 18 anos e de segundas doses da vacina CoronaVac feitas nas Unidades Básicas e de Saúde da Família.

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