Roberto Marinho
O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) lançou no apagar das luzes de 2021 o ‘ISP Cidades’, uma ferramenta interativa virtual onde o público pode consultar diversos dados sobre a segurança pública de cada município fluminense. O site ainda oferece uma classificação automatizada dos municípios em diversas áreas da segurança, criando uma espécie de “ranking estadual da violência”. Volta Redonda e Barra Mansa, é claro, não ficariam de fora do ranking. Afinal, a violência por aqui começa a ser do padrão ‘baixada fluminense’, com crimes para todos os gostos.
A violência contra idosos e jovens, além da facilidade de acesso a espaços públicos (armas e drogas em locais públicos, grifo nosso) são os grandes problemas na terra do prefeito Neto, quando se avalia a classificação da cidade do aço. Tem mais. Volta Redonda está entre as 10 mais violentas do estado do Rio de Janeiro tanto para o pessoal da ‘melhor idade’ quanto para os jovens – o estudo considera dados de 2018 a 2020.
No caso da violência contra os idosos, público-alvo do Palácio 17 de Julho, o ISP levou em consideração a ocorrência dos crimes de estelionato, extorsão, periclitação da vida e da saúde, e ainda a violência psicológica, praticados contra maiores de 60 anos. Foi por conta desses fatores que Volta Redonda apareceu como a quarta pior cidade do estado do Rio em 2020, com uma taxa de 116,8 vítimas para cada 100 mil habitantes. Só perde para Niterói (178,6), Rio (142,1), e Nilópolis (122,4). E os números vêm piorando a cada ano: em 2019, a cidade estava na sexta posição, com a taxa de 104,1 vítimas por 100 mil habitantes.
Em relação à violência contra os jovens, que envolve crimes violentos letais intencionais (homicídios) e morte por intervenção de agente do estado, Volta Redonda ficou na 10ª posição nos dois anos avaliados. A taxa de ocorrências foi de 16,8 vítimas por 100 mil habitantes em 2020, e 18,6 em 2019. Neste último ano, vejam só, a cidade do aço ficou empatada com Queimados (18,6 vítimas a cada 100 mil habitantes), mas como o município da região metropolitana tem população menor – 150.319 contra 273.012 -, ficou com a nona posição.
O pleno acesso ao espaço público é a outra dimensão da segurança pública problemática na cidade do aço. O indicador leva em conta a presença de armas e drogas em ruas e praças. Para isso, são contabilizadas as ocorrências de apreensão de armas, associação para o crime e tráfico de drogas. Volta Redonda ficou na oitava colocação em 2020, com uma taxa de 179,2 casos a cada 100 mil habitantes, e na décima posição em 2019, com uma taxa de 188,6.
Barra Mansa, por exemplo, tem problemas com a violência contra os jovens e com acesso ao espaço público. Neste último quesito, a cidade ficou na segunda colocação em 2020, com uma taxa de ocorrências de 225 casos para cada 100 mil habitantes, só perdendo para Cabo Frio, com uma taxa de 232,2 casos. Em 2019, Barra Mansa ficou com a terceira colocação, com 232 ocorrências a cada 100 mil habitantes.
A violência contra os jovens deixou a cidade na oitava posição em 2020, com 17,3 vítimas para cada 100 mil habitantes. A situação piorou bastante, já que em 2019 a cidade estava na 19a posição do ranking.
Ferramenta mostra retrato da violência no estado do Rio
O ISP Cidades é um site com uma chamada “tabela dinâmica”, com filtros que podem ser acionados pelo usuário, oferecendo diversos modos de olhar os números da violência no estado do Rio. Para facilitar a comparação entre os dados, o ISP-RJ dividiu a segurança pública em dez ‘dimensões’: trânsito, convivência urbana, patrimônio, pleno acesso ao espaço público, criança e adolescente, jovem, pessoa idosa, população negra, vida e mulher.
Cada uma dessas dimensões reúne os indicadores da criminalidade específicos para aquele público ou área, formando o chamado ‘indicador sintético’. Por exemplo, para retratar a violência contra a mulher, foram reunidos os dados de estupros, exploração sexual, feminicídios, outras violências sexuais e tentativas de estupro. Já no caso da dimensão ‘pleno acesso ao espaço público’, o indicador sintético é ‘presença de armas e drogas’, que é formado pelo número de casos de apreensão de armas, e presos por associação para o crime e por tráfico de drogas.
O levantamento leva em conta as ocorrências policiais de 2018, 2019 e 2020. Os números de 2021 ainda não aparecem. O estudo considera crianças como indivíduos entre 0 e 11 anos; adolescentes, entre 12 e 17 anos, e jovens, entre 15 e 29 anos. Pessoas idosas são as maiores de 60 anos. Estas classificações obedecem à legislação federal. População negra são os indivíduos pretos ou pardos, conforme os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Os municípios também foram divididos em seis faixas, de acordo com o número de habitantes. Volta Redonda e Barra Mansa entram na faixa 6 – cidades com mais de 100 mil habitantes – onde estão 30 municípios. Além das duas citadas, formam o ranking nessa faixa populacional o Rio de Janeiro (capital), São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói, Belford Roxo, Campos dos Goytacazes, São João de Meriti, Petrópolis, Macaé, Magé, Itaboraí, Cabo Frio, Angra dos Reis, Nova Friburgo, Teresópolis, Mesquita, Maricá, Nilópolis, Rio das Ostras, Queimados, Itaguaí, Araruama, Resende, São Pedro da Aldeia, Japeri, Itaperuna e Barra do Piraí. A ferramenta virtual completa está disponível no link http://www.ispvisualizacao.rj.gov.br/cidades.html
Confira abaixo a posição de Volta Redonda e Barra Mansa no ranking das 30 cidades do estado do Rio com mais de 100 mil habitantes, em cada uma das dimensões da segurança pública propostas pelo ISP-RJ. O asterisco (*) mostra o indicador sintético e os crimes que o formam.


