“Risco controlável”

Rodrigo Drable afirma que volta às aulas é um risco necessário; decisão pode ser tomada no dia 26

Vinicius de Oliveira

 

Depois da polêmica que criaram a respeito de uma reportagem do aQui mostrando que Barra Mansa, conforme decreto publicado pela prefeita interina Fátima Lima, ainda em dezembro, dando conta que as escolas voltariam a funcionar em fevereiro, o prefeito Rodrigo Drable voltou a tocar no assunto. Foi em uma live na noite de terça, 12. Nela, confirmando o que o aQui noticiou, Drable detalhou como será o retorno, frisou a importância de seguir o protocolo de segurança, e admitiu que é um risco “que o mundo todo está correndo”. “Há risco? É óbvio que vai ter algum risco, enquanto a doença não acabar e enquanto não tiver uma solução de massa através da vacina, mas é um risco que, com o protocolo sendo seguido, eles são controláveis. Os riscos são controláveis!”, garantiu.
“Em outubro, nós criamos um grupo de trabalho com representantes da prefeitura, das escolas municipais, das escolas estaduais, dos cursos livres que são os técnicos, cursos de línguas, particulares e também dos universitários que nós temos aqui no UBM. Esse grupo de trabalho montou um protocolo que está sendo referência para várias cidades. Nós vimos agora que o prefeito Eduardo Paes, que assumiu a cidade do Rio, começou a desenvolver esse protocolo. O nosso já está pronto há algum tempo, desde outubro. A precisão para o início das aulas seria para o dia 1 de fevereiro, bem próximo da gente! Como é que seria isso? Gradual, com requalificação das estruturas das escolas, com as adequações necessárias, com a disponibilização dos insumos e dos materiais para higienização, do álcool, do sabão para lavar as mãos antes de entrar nas escolas. Além de fluxo antes de entrar nas escolas, a disposição de máscaras, etc”, detalhou.
Ainda de acordo com Rodrigo Drable, o governo planeja montar uma área de isolamento onde ficarão as pessoas com suspeita de infecção e prometeu manter uma equipe de Saúde à disposição desses casos. “Nós nos preocupamos em ter um procedimento em caso de ter pessoas suspeitas na escola. Que podem ser funcionários, professores ou até mesmo alunos. Então, teremos uma área de isolamento em todas as unidades da cidade, em todas elas. Escola estadual, municipal, curso livre, particular e em universidades. E nós disponibilizamos também uma estrutura da Saúde que vai circular, à medida que forem demandadas para fazer a remoção daquela pessoa suspeita para uma unidade de saúde, fazer o teste e, caso precise, fazer a medicação, o encaminhamento para sua casa e fazer seu isolamento”, garantiu.
Na live, Rodrigo mandou um recado àqueles que desejam o retorno imediato das aulas presenciais só porque tem muita gente na rua e usou o próprio filho como exemplo. “Eu estou fazendo essa live de uma forma muito franca (…). Muita gente fala que é um absurdo as escolas não voltarem, enquanto as ruas estão cheias, e citaram hoje, por exemplo, que em Penedo no Natal tinha uma fila de 4 minutos para entrar e ninguém preocupado com a Covid, muita gente sem máscara! Bem, a sua opção de ir pra rua te permite algumas coisas. Se você identifica alguém com indício de síndrome gripal você se afasta. (…) Agora, na sala de aula tem diferença. As nossas crianças manifestam a doença de forma muito restrita. A maior parte é assintomática. Meu filho, o Alexandre, teve Covid, provavelmente pegou de mim, que tive, e ele ficou assintomático. Minha esposa e minha filha, não! Bem, as crianças têm manifestação da doença de forma muito mais amena, e aí você tem uma sala de aula com várias crianças e é uma doença que se manifesta de formas diferentes em cada um. O professor e os funcionários estarão sujeitos à contaminação e a contaminação entre elas. Isso exponencia o risco”, ponderou.
Mas, mesmo ciente de que crianças são potenciais e perigosos transmissores do Sars Cov-2, pois, na maioria dos casos, são assintomáticas, Drable acredita que o Protocolo de Segurança desenvolvido pela secretaria de Educação, em parceria com instituições ligadas à Saúde, dará conta de manter pais, professores e alunos seguros. “A gente hoje vive quase que um dilema. Você tem a opção de assumir um risco desde que seja controlado, com todas as medidas possíveis, sejam colocadas em prática sob rigorosa fiscalização. Mas (não) voltar às aulas traz um prejuízo educacional inominável a médio prazo. Então, o mundo inteiro está voltando, assumindo o risco… É claro, ninguém é obrigado a ir. Se você entende que esse risco não lhe cabe e não lhe convém, não vá. Mas a gente não pode impedir a grande massa que não tenha a opção dela de voltar desde que os cuidados possíveis sejam implementados”, completou o prefeito.
Contudo, Drable fez questão de frisar que quem vai bater o martelo para garantir o retorno é a Justiça. “Vamos voltar com as aulas no dia 1 de fevereiro? Para a gente tomar essa decisão, ela tem que ser homologada pela justiça. Nós temos que ter a análise do desenvolvimento da doença nos próximos dias (…). Se nós tivermos um aumento nos próximos dias, é provável que nós não tenhamos a capacidade de seguir esse cronograma e isso se atrase. Agora, por quanto tempo? Essa é uma pergunta que nós temos que nos fazer. A previsão da conclusão da vacinação é daqui a meses, não é um negócio rápido. Vai seguir as faixas, nós dependemos da vacina e de um procedimento que ainda não está acontecendo! Tem uma previsão, mas não está em prática. É necessário que todos agora sigam rigorosa-mente seus cuidados pessoais para evitarmos que esse número avance. Nossa intenção é que ele caia”, avisou.
Por último, Drable anunciou que no próximo dia 26, daqui a exatos 9 dias, pretende se reunir com todos os envolvidos para analisar os números da Covid-19 em Barra Mansa para aí, sim, dar uma palavra final sobre a volta às aulas.

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