Quem ganhou, quem perdeu?

Confira o patrimônio dos candidatos a prefeito de Barra Mansa

Roberto Marinho

O Tribunal Superior Eleitoral, para desespero de muitos políticos, voltou a disponibilizar uma ferramenta para os eleitores se decidirem antes e na hora de votar: é o site DivulgaCandContas 2020, que contém a declaração de bens, planos de governo e detalhes sobre a vida de todos os prefeitáveis. Tudo de forma oficial. O site mostra até em quais eleições os candidatos já participaram, e qual foi o patrimônio que eles declararam ter. Assim, dá para comprar a evolução patrimonial dos candidatos ao longo dos anos, embora a declaração não seja obrigatória e não siga regras rígidas. No entanto, o candidato ou candidata é responsável pelas declarações e, se houver alguma inconsistência, poderá ser punido pela Justiça Eleitoral.

 

Em Barra Mansa, é possível saber, por exemplo, que o prefeito Rodrigo Drable – que busca a reeleição – concorre desde 2004 (a vereador pelo PSC). Tinha 23 anos e não foi eleito. Em 2006, tentou e não conseguiu uma cadeira na Alerj. Nas duas, não tinha um tostão. Em 2008, se candidatou à Câmara, ainda pelo PSC, sem sucesso, mas declarou bens de R$ 78.237,72, equivalente a um reboque de R$ 6,4 mil; dois equipamentos de som, de R$ 23 mil; dois lotes de terra, de R$ 8,1 mil; uma Kombi, 1993, de R$ 6 mil; uma moto Honda CB 600, Hornet, 2006, de R$ 33,5 mil; e R$ 317,12 em uma conta bancária.

 

Em 2012, quando se elegeu vereador pelo PMDB, o patrimônio de Drable tinha passado para R$ 221.694,06, tendo acrescentado ao seus bens alguns veículos, como um Toyota Fielder, 2006, de R$ 29 mil, um Kia Sportage, 2007, de R$ 36 mil, um Ford Landau, 1979, de R$ 30 mil, e um Jeep 1975, avaliado em R$ 10 mil. A Kombi continuava pelo mesmo valor: R$ 6 mil. Ou seja, o valor não foi atualizado. Drable também manteve os aparelhos de som – de R$ 24,2 mil. Os lotes – que valiam R$ 8,1 mil – foram atualizados para o valor de R$ 16 mil, praticamente o dobro. Além disso, declarou ser sócio de uma agência de veículos, com cotas no valor de R$ 40 mil. E mantinha R$ 8,2 mil em depósitos bancários.

 

As eleições seguintes foram ruins para Drable. Em 2014, quando se candidatou à Alerj pelo PMDB – ficando com a suplência –, o atual prefeito declarou um patrimônio de R$ 92.501,85, menos da metade do que possuía dois anos antes. Drable continuava com o Jeep e o Ford Landau pelo mesmo valor anterior – R$ 10 mil e R$ 30 mil, respectivamente –, assim como a guerreira Kombi de 93, ainda avaliada em R$ 6 mil. Fora os carros, Drable declarou ter R$ 1,5 mil no banco, e um seguro de vida no valor de R$ 4,9 mil. Também manteve as cotas na agência de veículos, no valor de R$ 40 mil. Os terrenos e os equipamentos de som para festas ele deve ter negociado, pois sumiram da prestação de contas.

 

Em 2016, quando se elegeu prefeito de Barra Mansa, pelo PMDB, a vida financeira de Drable deu um salto e seu patrimônio aumentou para R$ 290.851,18. De novidade, além do Jeep, do Landau, e da guerreira Kombi – ainda valendo R$ 6 mil de oito anos atrás –, entraram um Volks Crossfox, 2012, de R$ 26,5 mil, um GM Captiva, 2010, de R$ 35 mil, um Toyota Hilux, 2007, de R$ 71,5 mil, um Renault Sandero 2012 de R$ 33,9 mil, e um reboque avaliado em R$ 10 mil. Completando a coleção, mais um carro antigo: um Fusca 1975 de R$ 5 mil. Na época, Drable declarou um seguro de vida no nome da filha, no valor de R$ 6,9 mil; saldo bancário no valor de R$ 10,4 mil; cota da agência de carros, no valor de R$ 40 mil; e uma aplicação de renda fixa no valor de R$ 5 mil.

 

Agora candidato à reeleição, Rodrigo Drable declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de R$ 537.516,14. A coleção de carros encolheu e, dos sete veículos da declaração anterior, só ficaram quatro: o Captiva (R$ 30 mil), o Hilux (R$ 71,5 mil), e os antigões Landau (R$ 30 mil) e Jeep (R$ 10 mil). A guerreira Kombi foi embora, mas em compensação o prefeito adquiriu uma embarcação ao custo de R$ 30 mil. Além disso, declarou dois empréstimos de valor praticamente idênticos – R$ 43.330,34 e R$ 43.33
0,33, respectivamente –, um seguro de vida em nome da filha, no valor de R$ 9,1 mil; uma aplicação de renda fixa de R$ 1,6 mil e uma caderneta de poupança, de R$ 21,2 mil, ambas em nome da esposa; uma aplicação de renda fixa no valor de R$ 222,3 mil; uma conta corrente com saldo de R$ 10, em nome da esposa; e R$ 25 mil em espécie.

 

Mas Rodrigo Drable não é o candidato mais rico na disputa pela prefeitura de Barra Mansa. Este título pertence ao capitão da Polícia Militar, Daniel Guimarães de Abreu, do Patriotas. Ele declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de R$ 847.967,67. Como o militar não disputou nenhuma eleição anteriormente, não deu para acompanhar a evolução do seu patrimônio ao longo do tempo. O bem mais valioso que ele diz ter é uma casa em Barra Mansa, avaliada em R$ 395 mil – financiada pela CEF–, seguida de um Jeep Compass, de R$ 127 mil, também financiado em 24 meses, com parcelas de R$ 2.076,49, como detalha a declaração. Ele ainda participa de um consórcio – não contemplado – no valor de R$ 23.094,02.

 

O capitão Abreu declarou à Justiça Eleitoral  ser sócio em duas empresas de segurança, com cotas de capital no valor de R$ 58,8 mil em uma delas, e R$ 20 mil na outra. Além disso, declarou diferentes contas bancárias, com valores diversos, que totalizam R$ 20.691,71; contas-poupança em vários bancos que somam R$ 113.520,79; aplicações financeiras no total de R$ 28.357,62; R$ 1 mil em dinheiro vivo e R$ 1.130 em ações.

Descendo a escada

No ranking dos candidatos a prefeito mais ricos de Barra Mansa, quem ocupa a terceira posição é o veterano Antônio Cezar e Silva, o Tuca, do PDT. Nas eleições de 2020, Tuca declarou ao TSE ter um patrimônio de R$ 415 mil, composto por uma casa, de R$ 341.960, e um Ford Ecosport, 2015, de R$ 73.040. Desde a primeira eleição que disputou, em 2004, quando saiu candidato a vice-prefeito pelo PSC, o patrimônio do administrador – como Tuca se declara no site do TSE – evoluiu bastante. Na época, não tinha nada.

 

Na eleição de 2006, quando tentou a Alerj pelo PD (não foi eleito), Tuca afirmou possuir um apartamento de R$ 25 mil; uma sala comercial de R$ 12 mil; uma casa de R$ 30 mil; e um Fiat Palio, de R$ 14 mil. No total, o patrimônio de Tuca chegava a R$ 81 mil.

 

Em 2008, Tuca tentou uma vaga na Câmara de Barra Mansa, pelo PDT. O patrimônio do candidato deu um salto, mais que dobrando: passou a ser de R$ 182 mil em bens. Na lista, uma casa de R$ 45 mil; a sala comercial de R$ 12 mil; o apartamento de R$ 80 mil; e um Peugeot 307, ano 2006, de R$ 45 mil. Quatro anos depois, Tuca voltou a disputar uma eleição para a Câmara, desta vez pelo PR, e declarou somente uma casa – a mesma dos anos anteriores, avaliada em R$ 400 mil.

 

Na eleição de 2016, Tuca foi candidato a vice-prefeito pelo PR – a chapa não foi eleita – e informou possuir um patrimônio de R$ 432.346,11. Na declaração ao TSE, Tuca relatou ter mantido a casa, avaliada agora em R$ 341.960 (o imóvel é o mesmo dos anos anteriores, grifo nosso); cotas de capital de um empresa de representação comercial, totalizando R$ 10 mil; ações provenientes de linhas telefônicas, no valor de R$ 1.746; um  Ford Ecosport, 2015, de R$ 73.040 (a maior parte, financiada); depósitos bancários no valor de R$ 5.381,66; além de R$ 488,45 em dinheiro vivo.

 

O advogado Alcio Pereira, candidato do PTC, dá sequência à lista. Ele declarou ao TSE um patrimônio de R$ 348.446,51. Novato em eleições, Dr. Alcio não tem patrimônio anterior declarado. No pleito atual, o advogado informou que possui uma construção no valor de R$ 102.643 – não é especificado se é uma casa ou prédio –, além de seis terrenos, cujos valores vão de R$ 6.608,77 a R$ 15 mil; um sítio de R$ 100 mil; um Mitsubishi Pajero Dakar, 2010, de R$ 100 mil; uma conta bancária com cerca de R$ 70 de saldo e uma aplicação financeira de R$ 4,90.

 

O empresário Bruno Marini, que disputa a prefeitura pelo PSD, informou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de R$ 197.558,33. A lista inclui R$ 150.270 em espécie; uma poupança de R$ 7.064,98; saldo bancário de R$ 30.223,35; e cotas de capital de uma empresa mineradora – que leva o nome do candidato – no valor de R$ 10 mil. Mas esta não é a primeira eleição de Marini. O empresário tentou ser prefeito em 2016, concorrendo pelo PP. Na ocasião, declarou possuir um patrimônio de R$ 210 mil, formado basicamente pela participação na empresa de mineração, com cotas no valor de R$ 10 mil, e R$ 200 mil em dinheiro.

 

A situação financeira de Marini já esteve melhor. Quando se candidatou à Alerj, em 2018, pelo PSD, o empresário declarou um patrimônio de R$ 522.370, mais que o dobro do que ele possui atualmente. O curioso é que praticamente todo este valor – R$ 512.370 – era dinheiro em espécie, segundo informou Marini ao TSE. Os restantes R$ 10 mil representavam a cota de capital na empresa que o candidato possui.

 

O candidato do Podemos, o advogado Paulo Cesar Alves, o PC, também já é veterano de outras eleições, mas não em Barra Mansa: ele foi candidato a vereador em Volta Redonda por duas vezes. Em 2008, pelo PMDB, ficou como suplente e na época não declarou nenhum bem. Em 2012, nova tentativa, já pelo PRB, também ficou como suplente. Novamente, nenhum bem declarou possuir.

 

Em 2016, o advogado – que já foi diretor do Fundamp e presidente do Previbam, no governo do ex-prefeito Jonas Marins – tentou sua primeira eleição, em Barra Mansa, para a Câmara. De novo, ficou como suplente. Na ocasião, declarou ao TSE possuir um patrimônio de R$ 75.850, formado por R$ 4,1 mil de saldo em uma conta corrente; R$ 41.750 em espécie; e R$ 30 mil de cotas de capital de uma rádio localizada em Barra Mansa. Na eleição de 2020, PC deu um upgrade nas finanças, e declarou possuir R$ 192.069,03, sendo R$ 150 mil em dinheiro vivo; uma caderneta de poupança no valor de R$ 69,03; uma moto Honda NXR-160, avaliada em R$ 12 mil; e R$ 30 mil de cota de capital em uma empresa, não especificada – mas que pode ser a rádio.

 

O vereador Thiago Valério tenta chegar à prefeitura pelo Cidadania. Eleito em 2016 pelo PPS, o parlamentar participa de eleições desde 2012, quando tentou uma vaga na Câmara pelo PPS, ficando como suplente. Nesta eleição, Valério não declarou nenhum bem. Em 2016, quando foi eleito para a atual legislatura, declarou possuir um patrimônio de R$ 215 mil, formado por uma casa de R$ 190 mil, e um Fiat Palio de R$ 25 mil. Em 2018, Valério tentou uma cadeira na Alerj, pelo PPS, e ficou como suplente. Na declaração de bens, saiu o Fiat Palio, mas continua a casa de R$ 150 mil, sendo esse o valor total dos bens do candidato. Na declaração atual ao TSE, em 2020, pouco mudou: a casa ganhou benfeitorias e subiu de valor, sendo avaliada agora em R$ 175 mil. Continua sendo o único bem declarado pelo candidato.

 

Candidato do Solidariedade, o administrador de empresas Jackson Emerick também é veterano em eleições. A primeira foi em 2004, para vereador, pelo PSB. Não se elegeu e nem bens declarou ter. Em 2010, candidato à Alerj, pelo PRTB, a história se repetiu. Não se elegeu e não declarou nada. Em 2020, Jackson já declarou ter um patrimônio de R$ 27,5 mil, sendo R$ 15 mil em dinheiro vivo, e outros R$ 12,5 mil referentes a cotas do capital de uma empresa de produtos alimentícios.

 

O servidor público municipal Petterson Magno, candidato do Psol, declarou um patrimônio de R$ 7.826,35. Na lista de bens, aparece um GM Corsa, de R$ 7.783; uma caderneta de poupança com saldo de R$ 26; e duas contas bancárias com saldo total de R$ 17,35.

 

Candidata do PT, a professora Clarice de Freitas Silva Ávila é do grupo que já participou de várias eleições. Em 20112, tentou ser vereadora, ficando como suplente, e não declarou nenhum bem. Em 2016, foi candidata à prefeitura, não sendo eleita, e também não declarou ter bens. Em 2018, buscando uma vaga na Alerj, ela ficou como suplente e declarou possuir um patrimônio de R$ 81 mil, composto por uma casa de R$ 70 mil e um Ford Fiesta, de R$ 11 mil. Agora em 2020, a professora Clarice não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral.

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