Quem dá mais?

Recentemente, o prefeito Eduardo Paes revelou a intenção de vender 45 terrenos da prefeitura do Rio de Janeiro para fazer caixa e poder honrar seus compromissos, entre eles o pagamento do 13o salário do funcionalismo público. Sonha arrecadar mais de R$ 440 milhões, segundo mostrou o jornal O Globo. A notícia deu eco. Nos corredores do Palácio 17 de Julho, logo surgiram especulações se a ideia seria aproveitada pelo prefeito Neto, que vive a apregoar que a prefeitura de Volta Redonda estaria falida. “Não fabrico dinheiro”, dispara nas entrevistas. “Não tenho dinheiro pra nada”, acrescenta.
Ele tem razão. Os cofres do Palácio 17 de Julho estão à míngua e Neto deu um recado claro ao funcionalismo local. Disse que o pagamento de agosto vai ser feito no dia 27, mas os próximos, só Deus sabe. “Depois, só Deus sabe o que vai acontecer. Entrego nas mãos de Deus, Deus sabe o que faz”, disse de forma desanimada, que piorou com a decisão da Justiça de obrigá-lo a pagar o PCCS a cerca de três mil servidores.
Aliás, desde que assumiu, a busca de Neto por dinheiro é incessante. Tanto para pagar os compromissos deixados pelo ex-prefeito Samuca Silva quanto para fazer a cidade do aço continuar funcionando.
Diante desse cenário, e aproveitando a deixa de Paes, o aQui decidiu procurar Neto para saber se o seu governo estaria disposto a copiar a ideia do prefeito da cidade maravilhosa e vender alguns bens da cidade do aço para fazer caixa. Como bom comerciante, descendente de árabes que é, Neto escondeu o jogo. Confirmou apenas que está oferecendo alguns terrenos (industriais, grifo nosso). “Temos algumas negociações em andamento. De terrenos, mas nada específico”, limitou-se a dizer, através da secretaria de Comunicação.
A curta e grossa resposta pode ser apenas uma estratégia para não atrapalhar as negociações. Só que a nota deixa abertas muitas possibilidades e atiça a curiosidade de muita gente. O que o governo poderia vender? A lista é enorme. A começar pelos campos de pelada do Aero Clube, que ficam em um terreno enorme, bem-localizado e valorizado. Hoje, só dão despesas de energia e manutenção. E o que dizer da Praça da ETPC, na Sessenta? Um filé, diriam os especuladores, já pensando em construir prédios na imensa área subutilizada.
Quer mais? Neto poderia discutir com a população a venda do imóvel do Colégio Getúlio Vargas, que fica em um superterreno no Laranjal, um dos bairros mais valorizados da cidade. Ou ainda o Estádio Raulino de Oliveira, que deve valer uma fortuna para servir de templo para pouquíssimos e ruins jogos de futebol? Pode até pensar em algo diferente, tipo construir algo em cima do estádio, como fez ao usar o espaço térreo para criar consultórios médicos.
Tem ainda o próprio Palácio 17 de Julho, no Aterrado. Em excelente localização, o prédio é uma bomba, já que está obsoleto, mas não pode receber nenhuma reforma, porque é um bem tombado pelo patrimônio histórico municipal. Arrumar um comprador pode ser difícil, mas a prefeitura pode dizer que quem comprar ganha uma praça de brinde. Um bom argumento de venda para quem tem lábia, como Neto.
O fato é que a prefeitura de Volta Redonda, fora as elucubrações, vai tentar vender alguns terrenos para fazer caixa. Só não se sabe ainda para quem, e a que valor. Dependendo do que colocar no mercado, pode ser que não dê para meia missa.
Até lá, as apostas estão abertas. E fica a pergunta: o que o leitor sugere que Neto venda? Respostas para a redação.

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