Prefeitos se unem contra a Rio+Saneamento
O que começou de forma tímida no fim de 2025 com a presença apenas de três prefeitos – Pezão (Piraí), Babton (Rio Claro) e Luciano (Pinheiral) –, de insatisfação total com os serviços prestados pela Rio+Saneamento, está tomando proporções típicas das águas de março, de muitas chuvas (reclamações) e tempestades (rompimento de contrato).
Na quarta, 4, a mobilização dos três ganhou reforço. O grupo passou a contar com a prefeita Rosi Silva, de Vassouras, e Andrezinho Ceciliano, de Paracambi. E tem tudo para aumentar, com a convocação de todos os prefeitos cujas cidades são ‘atendidas’ pela concessionária.
No próximo dia 17, às 11 horas, os 17 prefeitos insatisfeitos com a Rio+Saneamento estarão reunidos na sede da Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro) para cobrar providências. O encontro contará com a presença de representantes da Casa Civil do Estado, órgão responsável pelo processo de concessão.
Segundo o prefeito Babton Biondi, o movimento reflete um descontentamento generalizado entre os municípios. “Ligamos para todos os prefeitos que fazem parte dessa concessão e agendamos essa reunião na sede da Agenersa, com a presença também da Casa Civil, responsável pela concessão. Todos já conversaram com a empresa e receberam promessas de investimentos que não se concretizaram. Na verdade, não são promessas, é o cumprimento do contrato firmado”, afirmou.
Pezão concorda. “A situação não é exclusiva de Piraí. Municípios vizinhos, em todo o estado, também sofrem com tarifas abusivas, cobranças injustas e serviço precário”, pontuou, indo além. “Estamos estruturando uma ação civil pública conjunta, envolvendo os 17 municípios, para tentar suspender cobranças indevidas e rever pontos do contrato de concessão”, afirmou, referindo-se a um possível rompimento com a Rio+.
O prefeito de Piraí falou ainda a respeito da reunião do dia 17. “Nosso objetivo é claro: levar as demandas da nossa população e de todos os municípios que vêm sofrendo com a má gestão da concessionária, e trazer soluções concretas para garantir um serviço de qualidade e tarifas justas”, disparou.
“Seguimos com diálogo, responsabilidade e confiantes de que, juntos, conseguiremos chegar a uma solução justa e definitiva para todos”, completou Babton.
A intenção do grupo é, após a reunião com a agência reguladora, solicitar audiência com o governador Cláudio Castro para tratar do tema em nível estadual, o que deverá ser fácil, pois Castro já está em campanha ao Senado e terá, com certeza, imensa boa vontade com os políticos insatisfeitos. “Queremos que a Rio+ entregue o que foi acordado ou que o Estado reassuma o serviço. Na nossa cidade falta água constantemente e a empresa não atende o básico. E quando realiza reparos, ainda deixa buracos pelas ruas”, criticou Babton.
De acordo com os prefeitos, desde que a concessionária assumiu parte das atribuições antes exercidas pela Cedae, aumentaram significativamente as reclamações da população, sobretudo quanto à interrupção no fornecimento de água, baixa pressão, demora no atendimento e falta de respostas efetivas às demandas apresentadas pelos municípios.
A Rio+Saneamento é responsável pela operação do Bloco 3 da concessão da antiga Cedae, que engloba municípios do interior e bairros da Zona Oeste da capital. A empresa atua na distribuição de água e no tratamento de esgoto, enquanto a Cedae permanece responsável, em determinadas regiões, pela captação e produção de água.

