‘Ponto da discórdia’

Manu Porfirío

Para quem mora em Volta Redonda e Barra Mansa, a impressão que se tem é que o vírus da Covid-19 foi exterminado, pelo menos nessas duas cidades. Não é para menos. Os bares estão lotados, e para beber e comer todos ficam sem máscara. Os jovens, por exemplo, ficam nas noitadas até o sol raiar. As pracinhas voltaram a servir de ‘casa de show’, as boates fingem que são bares e as GMs passam olhando para o lado. Não estão nem aí para os mais ‘assanhados’ que praticam sexo nas esquinas, como o aQui mostrou na edição passada.
A reportagem sobre o final de semana na Colina, ponto boêmio da cidade do aço, viralizou. Até ontem, sexta, 27, tinha sido vista por 60.542 internautas. Tinha gerado 158 compartilhamentos, 317 curtidas, mais de 185 comentários. Literalmente bombou.
E foi através das redes sociais que a população soltou o verbo. A maioria, inclusive, se mostrou indignada com o que anda acontecendo pelas praças de Volta Redonda, a começar pela Colina, palco do ato sexual praticado na madrugada de sexta, 13, para sábado, 14, com direito a vídeo, cuja postagem foi cobrada por muitos internautas, mas que o jornal preferiu não divulgar em suas redes sociais.
Muitos seguidores cobraram providências das autoridades. Veja a postagem de Ana Carol Mostacada: “Todo final de semana é esse inferno. Povo sem educação, sem respeito próprio. Alguma providência deve ser tomada o mais rápido possível. E cadê a tal da força-tarefa?? Acho que todos que participaram dessa zona deveriam ser presos. Tá difícil, tá horrível, tá nojento”, pontuou, referindo-se à força-tarefa da prefeitura de Volta Redonda, que atua nos finais de semana justamente para coibir os excessos.
Surgiram também muitas piadas e brincadeiras a respeito do caso da Colina. A internauta identificada como Luzia Alves Ribeiro repudiou a atitude dos jovens. “Aí já foi a praça onde nós pais levávamos as crianças para brincar a noite, e nós pais sentávamos para prosear com amigos. E agora não dá para chamar de praça, virou ponto comercial só para bagunça”, pontuou, seguida de Luiz da Silva. “Antigamente dava gosto de ir na colina com amigos e familiares. Pois o ambiente era super agradável. Mas agora essa galera do isoporzinho que vão fazer baderna. Conseguiu acabar com o clima agradável que ali tinha”, disse ele.
Outros seguidores, entretanto, não pouparam nas críticas e cobranças ao Palácio 17 de Julho. Foi o caso do internauta que se identificou como Lsm Sto. “O que eu não entendo é que a fiscalização sabe sobre e fica nessa de vai ali e aqui e não embarga nada… Será porque em? Se sabem que todo fim de semana fica nessa “bagaça” aí lotada. Deve rolar alguma coisa estranha nisso”, disparou, com seu linguajar de internet, colocando ao lado da frase emojis de dinheiro. Tem mais. “A praça é pública, cabe a prefeitura tomar decisões a respeito”, disparou Antônio Ribeiro ao se manifestar.
Quem concordou foi o internauta Galocha VR, que vira e mexe usa as redes sociais para se expressar. “Quando os governantes descumprem as regras, as leis, os governados vão pelo mesmo caminho”, analisou, gerando o comentário de Ivanete Bagalho. “Vai lá e tira o povo que está bagunçando a praça. Não critica o governo pois o povo só quer baderna, parece que a pandemia acabou”, alfinetou.
Não satisfeito, Galocha VR rebateu. “Eu estive presidente da associação de moradores por dois anos regulamentados. No primeiro ano eliminamos os maconheiros das 4 praças do bairro e as visitas da PM diariamente, simplesmente adotando a velha tática de sucesso: ‘onde a Administração Pública (poder público) não é presente, o crime se faz presente’”, afirmou, dando a entender que seria morador do bairro, tendo sido até presidente da Associação de Moradores do ponto boêmio de Volta Redonda.
Diante de tanta repercussão, surgiram pequenos atritos, comum nas redes sociais, onde todos falam o que querem sem pensar nas consequências. Cassia Gomes, por exemplo, deu o seu recado. “Cuidado quem fica falando dos outros aqui heim. Seus filhos estão sempre lá. Parem de hipocrisia. Quem é sabe”, disparou. Ramon Corrêa foi irônico. “O problema é simples de resolver. Deus deu uma vida para cada, certo? Resolvido”, escreveu. E não parou por aí. O usuário Antônio Vitor comentou. “Cuidado que pode ser o filho de vocês, heim”. Eita!

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