Novo normal?

O governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, faz discurso de posse no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Roberto Marinho

Depois de trocar o comandante da Polícia Militar – o coronel Luiz Henrique Marinho Pires assumiu a vaga que era de Rogério Figueiredo – e demitir o secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro, o governador Cláudio Castro comemorou o fato de o estado do Rio ter registrado, em julho, o seu menor índice de homicídios desde 1991. Os dados são do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro), mas, no interior, que Castro coloque as barbas de molho. A realidade não é tão positiva assim. Em Volta Redonda, por exemplo, o número de assassinatos já voltou praticamente aos níveis pré-pandemia e o ano de 2021 está prestes a alcançar os mesmos índices de homicídios registrados em 2020. Este ano, de janeiro a julho, a cidade do aço contabilizou 43 vítimas contra 49 em igual período do ano passado.
E não é só isso: depois de três anos, Volta Redonda voltou a registrar casos de sequestros-relâmpagos – quando a vítima fica em poder dos criminosos por algumas horas, geralmente enquanto estes fazem saques nas contas bancárias de quem foi sequestrado. Este ano já houve o registro de dois casos: um em março e outro em julho, sendo que o último caso ocorrido na cidade do aço havia sido em 2017. Tem mais. Antes disso, houve apenas um outro caso em 2014.
Há ainda os casos de estelionato, que praticamente dobraram desde 2014, quando houve 480 registros. Nos anos seguintes nunca passaram de 500 casos, mas em 2019 os números dispararam, chegando a 612 ocorrências. Em 2020, já com a Covid-19, os casos registrados chegaram a 896, o que corresponde a um aumento da ordem de 30%. Em 2021, o prognóstico não é nada bom: nos primeiros sete meses foram registrados 745 casos, mais que o ano todo de 2019 e bem próximo do total registrado em 2020.
Os chamados indicadores estratégicos de criminalidade – além dos homicídios, entram no índice os casos de roubos de carga, de transeuntes (roubo de rua) e de veículos – também não mostram um bom cenário para quem acha que a cidade do aço é tranquila. Não é. Todos aumentaram na comparação com o ano passado. O roubo de cargas praticamente triplicou, passando de duas para sete ocorrências. O roubo de veículos aumentou 20% (25 para 30 registros) e o de rua aumentou 16,9% (148 para 173 ocorrências). Os roubos a estabelecimentos comerciais também tiveram um ligeiro aumento, passando de 40 para 44 casos, assim como o roubo a residências, que passou de cinco para seis registros.
Os furtos – quando não há ameaça ou agressão à vítima – também sofreram aumento na comparação entre 2020 e 2021. No caso dos celulares, o crescimento foi de 50% (44 para 66 ocorrências, entre janeiro e julho); nos ônibus, o número de casos dobrou, passando de quatro para oito registros. No caso do furto de veículos, o aumento foi de pouco mais de 30% (122 para 159 ocorrências).
Queda nos números
Mas nem tudo são notícias ruins. Alguns crimes apresentaram queda. As tentativas de homicídio, por exemplo, caíram cerca de 50%, de 119 para 59 ocorrências comparando-se de janeiro a julho deste ano e do ano passado. No mesmo período, os estupros tiveram uma ligeira queda. De 33, em 2020, para 29 este ano. Os casos de extorsão também caíram, e passaram de 11 ocorrências em 2019, para três em 2021, uma diminuição de praticamente 80%. Os furtos a transeuntes – a famosa “batida de carteira” – foi outra modalidade de crime que apresentou queda, passando de 57 para 33 casos, praticamente 50% a menos.

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