PL rompe com a direita, e Psol não aceita acordo do PT com o PDT

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Por Vinícius de Oliveira

O embate entre o prefeito Rodrigo Drable, através do vereador licenciado Luiz Furlani, e o ex- deputado estadual Marcelo Cabeleireiro, e o fortalecimento do nome de Bruno Marini, representando a direita para as eleições de 6 outubro, levaram o PT, sem ter um petista forte, a buscar fora das suas fileiras um candidato para chamar de seu. O escolhido foi o ex-vereador Thiago Valério. Mas a escolha gerou a maior polêmica.
Valério é um estranho no ninho. Além de ser oriundo do Cidadania, partido pelo qual disputou a prefeitura em 2020 e que tem ideais mais voltados à direita, o pré-candidato do PDT teria participado de atos em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Pior. Não teria declarado voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, o grupo ligado à ex-deputada estadual Inês Pandeló – forte articuladora do partido em nível nacional, mas impossibilitada de se candidatar por conta de mudanças nas regras eleitorais e seus inacabados processos judiciais –, em comum acordo com a vereadora Fernanda Cardoso, garantiu elegibilidade do nome de Thiago Valério.
“Entendemos que na conjuntura atual é muito necessária a união entre as forças políticas do município que querem transformação para construir uma Barra Mansa melhor. Thiago Valério é do PDT, partido que compõe o governo do presidente Lula. É professor, filho de metalúrgico, morador do Vista Alegre, foi vereador de oposição ao prefeito Rodrigo Drable e ficou em segundo lugar nas últimas
eleições para prefeito. O perfil de Thiago é próximo de muitos petistas e de uma grande parte da população de Barra Mansa”, justifica Inês.
Já a vereadora Fernanda evocou figuras históricas como Lula e Brizola para fortalecer seu argumento. Em declarações à imprensa, ressaltou que a aliança entre PT e PDT em Barra Mansa reflete uma tradição política que perdura há anos em nível nacional. “Revivemos essa aliança histórica, que tem em comum os mesmos ideais. Analisamos que atualmente Thiago é o único nome com possibilidade real de vencer o grupo que comanda a cidade”, declarou.
Vale lembrar que a alternativa ao nome de Valério não caiu no gosto dos petistas. Seria Abílio Pedra, do PV, partido que compõe a Federação Brasil da Esperança junto com PT e PCdoB. Dos 17 filiados à legenda, apenas dois foram para Pedra. O principal motivo estaria no fato de que os verdes foram da base aliada do governo Drable até 2022. “Não faria sentido para os petistas centrar forças no nome de alguém que compôs o governo do seu principal adversário, mesmo o Abílio tendo feito campanha para o presidente Lula”, confirmou uma fonte sob condição de anonimato.
Independentemente da derrota, insatisfeitos do PV e até do PT querem levar o caso às instâncias superiores. Para a
presidente do Partido dos Trabalhadores, Lígia de Cássia, pode ser perda de tempo, pois os trâmites estão corretos. “A federação é algo novo para todos nós, mas, de acordo com a resolução, as executivas municipais devem tomar as decisões, e foi isso que fizemos. Enviaremos a ata para o diretório estadual do PT, que avaliará nossa decisão. Esperamos que haja entendimento entre os partidos estaduais, mas a questão pode chegar a Brasília”, afirmou.
E como não poderia deixar de ser, Thiago Valério defende com unhas e dentes sua permanência na cabeça de chapa. “Vão levar às instâncias estaduais por uma questão federativa. Mas não vai mudar”, sentenciou o pré-candidato, enumerando as vantagens de ter um partido como o PT ao seu lado. “A força histórica do PT reside em sua organicidade e na dedicação militante de um grupo coeso. Embora ainda não tenhamos dados de pesquisas, o histórico do partido em Barra Mansa demonstra sua capacidade de agregar votos. Isso se somará ao meu nome, que já está estabelecido na cidade. Nas últimas eleições, conquistei o segundo lugar”, destaca.
Ainda de acordo com Thiago, tanto o PDT quanto o PT nutrem o mesmo sentimento e, por isso, a união entre eles é natural. “O que nos levou à união foi a certeza de que queremos uma Barra Mansa melhor. A cidade perdeu seu viés desenvolvimentista. Ela já foi a maior fornecedora de hortaliças e verduras, consolidada no ramo leiteiro e cafeeiro. Agora não tem nada”, criticou.
Quando questionado qual seria a participação dos petistas num eventual governo, Thiago deslizou nas palavras. Não tratou de cargos, disse apenas que o partido agregará com métodos e técnicas de governança. “O PT traz uma experiência de orçamento participativo. Hoje, não temos qualquer transparência. Queremos um projeto de cidade, e não de governo. Buscaremos quadros técnicos para formar nosso eventual governo”, disse.
Inês Pandeló fez o mesmo discurso. “Vamos contribuir com um futuro governo, e o Thiago Valério acha isso importante. Não houve nenhuma negociação de secretaria, no momento o importante é a construção do projeto. Ter um governo aberto e responsável pela transformação da cidade e da vida das pessoas é o principal”, disse, mas salientou que devem esperar o aval do pessoal lá de cima. “É preciso ainda o referendo da Federação Brasil da Esperança e isto acontecendo teremos muito o que ajudar em organizar a pré-campanha e a campanha para conquistarmos a vitória”.
Quem não viu com bons olhos a articulação em torno de Thiago Valério foi o Psol. O partido estava disposto a apoiar o PT caso eles indicassem alguém de dentro do próprio PT. Não rolou. Petterson Magno, candidato a prefeito na última eleição pelo Psol, foi taxativo: agora os socialistas vão ter candidato próprio. “Isso eu já posso afirmar para você, pois não há consenso nos nomes apresentados”, resumiu. Mesmo com poucas chances de vitórias, a possível consolidação da aliança de esquerda em Barra Mansa poderia, se mantida sem rupturas, resultar na ascensão de um prefeito progressista. Os números das últimas eleições são reveladores: somando os votos de Thiago Valério, da professora Clarice (PT), de Tuca (PDT) e até de Peterson (PSOL), alcançou-se quase 30% do eleitorado. “Em um município onde não há segundo turno, essa porcentagem é significativa o suficiente para determinar o resultado de uma eleição, especialmente se a direita permanecer dividida e os votos se pulverizarem entre suas diferentes facções. Embora seja um desafio difícil, não é uma meta inalcançável”, teorizou a fonte do jornal.

PL – O vereador licenciado Luiz Furlani já é o pré- candidato do PL à prefeitura de Barra Mansa. Acompanhado pelo prefeito Rodrigo Drable, Furlani esteve em Brasília na quinta, 7, para acertar os detalhes da sua filiação. Ganhou até um vídeo, que postou nas redes sociais, onde aparece ao lado de Waldemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Nele, o cacique da legenda anuncia que Furlani será o candidato oficial do PL à sucessão de Drable. Detalhe: Waldemar garante que Furlani será o candidato de Jair Bolsonaro.

Tiro no pé (I) – Ao tomar conhecimento do vídeo onde Valdemar da Costa Neto anuncia apoio do PL a Luiz Furlani, Bruno Marini reagiu com uma fina ironia. “Ele abandonou os aliados de direita. Esqueceu os que fizeram campanha para o ex-presidente Jair Bolsonaro e entregou o partido para o prefeito Rodrigo Drable lançar o seu candidato”, comentou, salientando que o atual prefeito é filiado ao Solidariedade, partido da base do atual presidente Lula e que Luiz Furlani fez campanha para Waguinho, prefeito de Belford Roxo, que fez campanha para Lula.

Tiro no pé (II) – Bruno Marini foi além na sua avaliação. “Estamos diante da maior injustiça da política dos últimos tempos em Barra Mansa”, disparou. “Ele (Furlani) pode até ser o candidato do Valdemar, do PL e do prefeito Rodrigo Drable, para dar continuidade a oito anos de nada, mas jamais será o candidato da direita conservadora e bolsonarista de Barra Mansa. É só entrar nas redes socais e ver quem é quem”, provocou.

Tiro no pé (III) – Para terminar, Bruno Marini mostra que não vai se abalar com a traição do PL. “Não sou homem de ficar chorando pitangas. Vamos pra cima, com PL ou sem PL, e vamos vencer em Barra Mansa. O povo está esclarecido e, na sua maioria, não quer um candidato indicado do prefeito para dar continuidade à destruição da cidade”.